domingo, 28 de novembro de 2010

INTOLERÂNCIA


Antonio Luceni

Três episódios chamaram minha atenção nas duas últimas semanas. O primeiro foi o caso dos jovens agredidos em plena luz do dia por membros de gangues na Avenida Paulista, em São Paulo. O segundo da menina morta pelos próprios pais porque estava namorando numa praça. E o terceiro, a guerra que foi instalada no Rio de Janeiro. Nos três casos a palavra-chave é INTOLERÂNCIA.
No primeiro episódio, algo que acontece de montão nos diferentes municípios brasileiros e que não tem tanta repercussão na mídia: a intolerância contra homossexuais. E o “motivo” foi esse: os adolescentes agredidos eram gays. Até quando a sociedade vai querer fazer vistas grossas para este tema e, guardadas as proporções, assim como Hitler, querer acabar com o diferente, com aquilo que não é considerado viável por alguns. Ainda por cima tive que ouvir a mãe de um dos agressores dizendo que fizeram aquilo porque “eram crianças”. Brincadeira de criança mimada e mal educada.
O segundo episódio é algo ainda mais chocante, em minha opinião. E por dois motivos: primeiro porque os agressores eram pais da vítima, ou seja, aqueles que tinham missão de protegê-la foram seus algozes; segundo, e mais grave, porque resultou na morte da adolescente.
Nos dois casos anteriores intolerância perversa, má, repugnante... Em pleno século 21, com todo o avanço que tivemos na ciência, na educação, na tecnologia ainda assistimos atônitos episódios que nos envergonham como seres humanos, já que nem os chamados animais irracionais cometem tais crueldades contra seus pares se não for para autodefesa. O sexo ainda é um tabu que precisa ser superado. E isso tem que acontecer dentro da família, na escola, na igreja e onde quer que haja aglomeração humana.
Entretanto, houve também uma intolerância boa: a da luta contra as drogas, começada no Rio de Janeiro. Não quero aqui ficar como criança vislumbrada quando acaba de ganhar um doce. Mas é bem verdade que o primeiro passo foi dado.
É preciso, sim, que a caminhada continue agora. Que sejam revistas as questões de fronteiras por onde entram a maior quantidade de drogas e armas que movimentam o crime organizado, é preciso rever os valores familiares e o live revivals do uso indiscriminado de drogas e tudo o mais... (boa parte de quem sobe os morros ou arranca os espelhos dos banheiros de festas são jovens da classe média e ricos), além de equipar e pagar adequadamente os profissionais que arriscam suas vidas por nós.
Mais tolerância para quem precisa de tolerância: livre expressão, às raças, às religiões, às orientações sexuais... Intolerância zero para o tráfico, para o preconceito, para o desrespeito de qualquer natureza, para os que promovem a discórdia e agridem seus semelhantes.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

sábado, 20 de novembro de 2010

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA


Questão de opinião
Antonio Luceni


Na última semana estive envolvido no processo de seleção das produções de texto da 2ª Edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, promovida pelo Ministério da Educação em parceria com o CENPEC e o Instituto Itaú Social.
Foram dias de intenso trabalho e de alegria também.
Trabalho porque realizamos muitas leituras que eram iniciadas às oito da manhã e só concluídas no final da tarde, com curto espaço de tempo para o almoço, o que gerava certo desgaste físico e mental. Alegria porque foi emocionante ler e ouvir tantas experiências das cinco regiões brasileiras e de tantos colegas que dedicam suas vidas à causa da Educação.
Também era muito prazeroso ver adolescentes e jovens no Hotel Transamérica - um dos mais belos de São Paulo - encantados com tudo aquilo. Certamente sempre que se referirem mais adiante aos seus percursos escolares aquele momento será citado como um dos mais importantes. E tudo isso por causa de um texto!
Pois é, desde cedo estes alunos estão percebendo e vivenciando o poder das palavras. Desde cedo podem usufruir um pouco do que o pensamento crítico e reflexivo (uma vez que trabalharam com o gênero Artigo de Opinião) nos proporciona. O quanto interagir de forma engajadora com o meio em que vivemos é importante, o quanto não se deixar manipular pelo o que quer que seja é vigoroso: antes, tomar decisões a partir de razões favoráveis à coletividade.
E tudo era muito mágico: os cafés da manhã e almoços, os passeios pela cidade de São Paulo, as gravações e entrevistas para programas da internet e televisivos, como para o canal Futura, até a premiação no SESC Pinheiros, teatro Paulo Autran.
Ao tomar o elevador num dos dias ouvi o seguinte comentário de uma das alunas presentes: "Está tudo tão gostoso que não queria voltar pra aquela terra cheia de poeira e para uma casa tão feia.". É, muita coisa precisa ser mudada nesse Brasil brasileiro. E a partir da escrita já é um bom começo!
Gostaria de parabenizar a todos os envolvidos no processo (MEC, CENPEC, ITAÚ SOCIAL e demais colaboradores) e agradecer ao pessoal do CENPEC pela possibilidade que me possibilitaram no convite para integrar a Comissão Julgadora de textos e às colegas de trabalho: Ana Cláudia (Tocantins), Rozeli, Zezé e Estela (São Paulo) e à amiga Maria Lúcia Terra que, comigo, contribuiram na seleção dos textos.
A próxima fase, a final, será em Brasília/DF, ocasião em que serão anunciados os finalistas e em que receberão das mãos do Presidente Lula e do Ministro Fernando Haddad a premiação final. Certamente será outro momento emocionante para tantas crianças, adolescentes e adultos.
E que bom que os alunos e professores estejam sempre envolvidos e entusiasmados com as coisas da Educação. E que bom que ações como essa não sejam privilégio de um ou de outro, mas que a rotina em nossas escolas em todo o Brasil seja sempre cheia de boas e significativas experiências.
E que venham as próximas edições.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e Região.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ENESIAR


PARTICIPE E AJUDE NA DIVULGAÇAO.
O CARTAZ E A LOGOMARCA DA UBE ARAÇATUBA E REGIAO FORAM FEITOS PELO TALENTOSO CARTUNISTA ORLANDELI, DE RIO PRETO.

sábado, 13 de novembro de 2010

ABAIXO A DITADURA


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com


Há algumas semanas acompanho uma polêmica criada em Araçatuba a partir de algo bastante simples, no meu modo de pensar: uma pintura em grafite num dos muros do I.E. (Instituto Educacional Manoel Bento da Cruz).
Tomei conhecimento das discussões por meio do jornal que dedicou vasto espaço em suas páginas a fim de problematizar o irrelevante. E foi acompanhado por promotor, professores, artistas e tudo o mais.
Uns se posicionaram contra: “Onde já se viu, pintar um muro com folhas de maconha?”, “Isso não deveria estar pintado no muro de uma escola, onde é que nós vamos parar?”...
Outros refutaram a polêmica: “Todos temos direito de dizer, tocar, dançar e pintar o que quer que seja, estamos em um país livre”, “Querem nos fazer calar, mas não vão conseguir.”...
E os próprios grafiteiros, depois de terem sua obra violada, não deixaram por menos: “O graffiti nasceu sem algemas, não é você quem irá colocá-las”, respondendo ao promotor de justiça que agora acompanha o caso.
Dias depois conversava com um diretor de uma outra escola estadual da cidade e não entramos num acordo com relação ao acontecido. Ele insistia que a pintura não deveria estar num muro de escola porque era forte propaganda e incitação para os jovens. Tentei argumentar dizendo que todos os assuntos e temas são, por natureza, de interesse da escola. Afinal, se não tivermos liberdade de pensamento e reflexão na escola, onde mais os teremos?
Achei adequada a preocupação do promotor e da direção da escola de quererem privar a integridade dos adolescentes e jovens daquela instituição. É verdade que isso deve ser a meta de todos que se relacionam com a infância e a juventude... com o ser humano. Mas fiquei pensando numa frase proferida pelo grande artista Pablo Picasso quando foi interpelado por um General em uma de suas exposições em que o conhecido painel “Guernica” era exibido. Com tom de desdém o general lhe perguntou, referindo-se à obra: “Quem fez isso?”, e na mesma intensidade de ironia Picasso respondeu: “Vocês!”.
E não estava respondendo a verdade? Picasso não fez guerra nenhuma. Não tinha autonomia para iniciá-la. O que ele fez foi simplesmente retratá-la e, a partir do momento em que a obra ficou pronta, provocando ideias tantas a despeito dos horrores que a guerra provoca e tudo mais.
Quando os grafiteiros – ou quaisquer outros artistas – colocam em suas obras os horrores sociais (entre os quais as drogas) será que estão produzindo-os ou apenas REproduzindo-os? A discussão do uso e do estímulo ao uso das drogas atravessam outras questões bem mais intensas e nocivas do que uma linda e provocativa pintura: entram questões de controle de fronteiras, por onde as drogas entram; pela questão de segurança social, equipando, treinando e pagando policiais para que prestem um serviço de qualidade; pelo controle do capitalismo desenfreado, uma vez que a indústria do álcool e do tabagismo ainda impera em nosso meio levando adolescentes, jovens e adultos cada vez mais cedo para o vício de tais drogas; passa pelo exemplo – certamente alguns dos que criticaram e apagaram o grafite feito no muro da escola fumam e bebem na frente de filhos e alunos: será que isso não é estímulo pior e mais direto?
Se há problemas com a falta de exemplo nas escolas brasileiras, há que se começar dentro dos muros e depois ir para fora deles. Se há preocupação verdadeira com adolescentes e jovens araçatubenses, então que se revejam sua presença nos faróis da cidade (que a cada dia estão mais cheios), no alto da Avenida Brasília, com adolescentes e jovens se prostituindo, nas bocadas de muitos bairros periféricos de nossas cidades que intoxicam crianças, adolescentes e jovens no percurso de casa para a escola, chegando drogados nas instituições para que o professor “se vire” com eles.
Vamos cuidar da raiz do problema, para que a árvore possa dar frutos.


Antonio Luceni é escritor e professor. Diretor de Cultura de Araçatuba entre os anos 2005 e 2008.

domingo, 7 de novembro de 2010

Monteiro Lobato: um provocador


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Monteiro Lobato sempre foi um grande provocador, e no melhor dos sentidos. De personalidade forte, não media palavras quando tinha que expor aquilo que pensava ou achava do que quer que fosse.
Sempre com posturas arrojadas, foi pioneiro em dizer sobre a presença de petróleo em terras brasileiras, em combater o militarismo, em propor a independência de pensamento, de ideais, da conquista do humanismo contra a coisificação de massas e do capitalismo desenfreado. Pagou preço caro por isso.
Há algumas semanas, discutíamos num grupo de estudo em leitura sobre a presença de racismo em sua obra, inclusive sendo citados trechos de um de seus livros em que fazia uso de palavras fortes ao se referir ao negro, por um dos participantes.
Propus a reflexão:
Quem, das personagens lobateanas, representa o próprio Lobato? Emília, é claro. Quem foi que fez a Emília? Tia Nastácia. Uma negra, não é mesmo? Pois é, Monteiro Lobato escolhe uma negra para que crie a personagem a partir da qual irá ser sua porta-voz. E onde está o preconceito, então?
Além da Tia Nastácia há outros tantos personagens negros em suas histórias: Tio Barnabé e o Saci, por exemplo. Aliás, este último foi objeto de um grande concurso e pesquisa promovidos por ele à frente de um grande jornal da época.
Nesta semana publicou-se uma série de matérias sobre a possível censura de um de seus livros por acharem elementos de preconceito racial nele. Não se deram conta de que quando fala por meio de seus personagens não é o próprio Lobato quem está falando. Também não foi levado em consideração que, ao dar a voz a uma personagem – sobretudo à Emília, subversiva e reacionária, – está, de certo modo, nos provocando. Afinal, será que o preconceito racial, entre tantos outros, ainda não sobrevive em nosso meio, ainda que de forma velada?
Pois é, o que Monteiro Lobato faz é colocar na boca de Emília aquilo que nós (e coloco no plural como forma de representar um pensamento coletivo e não por concordar com isso) gostaríamos de falar e, por hipocrisia, não falamos. Sendo assim, mesmo em também ele não comungando com tais ideias, lança luzes sobre o tema e nos provoca a discussão. Até nisso foi visionário. Enxerga “petróleo” onde ninguém acha que tem, mas existe, sob quilômetros de profundidade, mas é só escavar pra ver.
Se haverá censura para Lobato, então que peguemos todos os livros, incluindo os mais sagrados e queridos, e verifiquemos se há neles preconceito contra mulheres, contra crianças, contra os negros, contra os homossexuais, contra os judeus, os evangélicos, os umbandistas, contra o que quer que seja e saiamos a colocar tarjas sobre eles: PROIBIDO, RESTRITO A..., INADEQUADO PARA...
E ainda dizem que vivemos num País democrático.


Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

MIGUEL, UM FORTE GUERREIRO


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Miguel é mencionado na Bíblia como um arcanjo, líder de exércitos de anjos. No livro de Judas, no versículo 9, luta contra o próprio diabo, vencendo-o. Não à toa o significado de Miguel é “igual a Deus”.
Nós também temos nosso Miguel em nossa família. Assim como o bíblico é um forte guerreiro. Apressado como muitos na família, veio ao mundo dois meses antes do previsto e, por isso, teve que ficar lutando pela vida por mais de um mês. E venceu.
Quem olha para ele nem acha que nasceu prematuro. Pelo contrário, forte como muitas crianças de período certo é vivo, de olhos cativantes e um grito que pode ser ouvido a metros de distância.
Veio fazer companhia para a irmãzinha Júlia que, do ciúme inicial, é a cuidadora do caçula.
Com Miguel, agora somam seis sobrinhos lindos. A primeira leva já moços: Rafael, Daniel e Felipe. Nessa última, os bebês da família: Júlia, Letícia e Miguel.
Se as crianças são o reino do céu, nossa casa já está praticamente o Paraíso!
Aí me veio o acróstico:


Muitas bênçãos para você, meu sobrinho.
Iluminado desde o nascimento, veio para dar mais alegria a todos nós.
Grandes coisas o Senhor tem para sua vida e de sua família.
Um caminho lindo está por vir para você.
Estejamos todos prontos para abençoar sua vida e acolhê-lo.
Lindalva, Marcelo e Júlia: cuidem bem de nosso Miguel.

sábado, 30 de outubro de 2010

AMIGA DAS ALMAS


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

E vagava triste pelo mundo... Já estava enfadada, quase enjoada mesmo, no convívio com
aquela carcaça que lhe prendia. Na infância era mais gostoso. Sim, porque vivia para lá e para cá, como filha do vento. Subia em mangueiras e goiabeiras, fazia guerra de lama quando a chuva acabava, dormia e se esquecia dos problemas da vida... Aliás, os problemas não a incomodavam. Se a barriga estivesse cheia e houvesse um canto quente para se deitar, os problemas não existiam.
Na juventude também corria para lá e para cá, mas era uma corrida estranha, sem muita lógica, com horários pré-determinados pra tudo. Na verdade, esse tipo de corrida não tinha muita graça. A barriga quase sempre estava vazia (o almoço muitas vezes era substituído por um lanche rápido ao pé da mesa do trabalho ou num canto qualquer de um barzinho) e dormir era um luxo permitido somente em feriados prolongados ou aos domingos (isso quando não tinha que concluir trabalhos em casa).
A velhice chegou. As companhias costumeiras já não eram tão constantes assim. Ao contrário, passou a se relacionar diariamente com pessoas com as quais nunca tinha convivido e, certamente, não teria tempo para conviver. A barriga agora era cheia, não de comidas – até porque lhes tinham proibido quase tudo –, mas de remédios; se fosse seguir a dieta do médico tinha que comer vento e beber água de sobremesa.
Começou a flertar com ela. Começou a se relacionar transversalmente com ela porque não tinha coragem de lhe encarar no rosto, de lhe fitar nos olhos... Como dois namorados tímidos, trocaram insinuações, desejos proibidos, murmúrios solitários... E todos à sua volta percebendo algo estranho: “Pare com essas conversas bobas, mamãe... onde já se viu falar uma coisa dessas?”.
E a velha nem aí. Fazia-se de doida – a idade já lhe permitia dessas mazelas – e esboçava um quase-sorriso no canto da boca, olhando para o nada, para o vazio... (ou a estaria flertando novamente?).
Certa noite, combinaram algo: dormiriam juntinhas, uma afagando a outra. Trocariam segredos, diriam coisas tolas, as últimas palavras. Não fariam escândalo para não chamar a atenção de ninguém e assim também não dariam vazão para que interferissem nesse plano. Quando todos acordassem pela manhã, tudo já teria acontecido. Tudo estaria consumado.
Desse jeito foi feito. Passaram a noite se divertindo, uma despedida de solteiro (é certo que seria uma despedida; de solteiro, talvez não, mas até acharmos um nome adequado para o fato seria delongado demais... quem ficar por aqui que se dê o trabalho de achar um; há coisas mais importantes para fazer agora).
Não precisou amanhecer o dia para que a viagem acontecesse. Numa fração de segundo lá estava ela: solta, livre, correndo para cá e para lá novamente. Deixou para trás a armadura pesada e enferrujada que a prendia e estava a correr de novo pelos campos, a trepar em árvores, a chupar mangas e jabuticabas, a colher flores pelo caminho. Já não tinha mais preocupações, problemas não existiam, conseguira novamente ser quem realmente era.
No final do dia (o dia não acaba nunca lá!) estava de barriga cheia e até tinha um cantinho quente caso quisesse dormir, mas não queria. Queria mesmo era continuar brincando e correndo para lá e para cá, com o vento penteando os pelos de sua face.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

ENTREVISTA CONCEDIDA PARA FOLHA DA REGIÃO

domingo, 24 de outubro de 2010

O seminário de leitura foi um sucesso


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Na semana passada anunciei nesta coluna o cronograma de palestras do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”.
Hoje, deixo resumo das atividades da semana, a saber:
Dia 19/10, à tarde: O primeiro momento foi uma visita do escritor e palestrante de abertura do evento, Ricardo Azevedo, à EMEB Fausto Perri, no bairro Umuarama.
Havia meses os alunos daquela escola, sob orientação da diretora Maísa Bichir e seus colaboradores, estavam lendo e desenvolvendo atividades a partir das obras do escritor.
A culminância aconteceu com a visita dele, momento em que os alunos apresentaram pecinhas de teatro, declamaram poemas, teatro de fantoches e muito mais. Também tiveram oportunidade de ouvir, direto da fonte, algumas histórias e a própria história do escritor Ricardo Azevedo.
Dia 19/10, à noite: O escritor procurou estabelecer um contraste entre os textos técnicos (que disse terem a devida importância) e o texto estético, privilegiando o segundo como forte instrumento e HUMANIZAÇÃO. Buscou ainda, discutir sobre a falta de espaço que há nas escolas brasileiras para os textos de ficção e poesia. Problematizou o fato de cada vez mais os textos técnicos e pedagógicos terem espaço nos bancos escolares, COISIFICANDO o ser humano, justamente por serem (os textos técnicos e pedagógicos) dogmáticos, buscarem uma única e voz comum, por terem um fim específico etc. Propos que reolhássemos os textos literários e suas contribuições como elemento do inexplicável, da imaginação, da fantasia, do universal, da democracia e pluralidade de vozes etc.
Dia 20/10: Mesa de discussão com integrantes do Grupo de Estudo em leitura e literatura infantil e juvenil da Secretaria Municipal da Educação. Cada um dos membros da mesa fez uma abordagem de um aspecto diferente da leitura e da literatura, sendo: Maria Lúcia Terra, Patrícia Cardoso Soares, Nara Leda Franco, Cristiane Magalhães Bissaco e Marister Vasques Falleiros.
Dia 21/10: Cantando, contando, discorrendo sobre projetos que implantou por esse Brasil a fora, Francisco Gregório Filho agradou gregos e troianos! Coisa difícil de acontecer, mas foi exatamente isso. Os comentários foram dos mais diversos, mas todos eles convergindo num ponto: o encontro foi apaixonante. Gregório demonstrou na prática o que significa se relacionar com literatura e poesia.
Dia 22/10: Numa sexta-feira, sete e meia da noite, Ezequiel Theodoro da Silva seduziu a todos com suas piadas, suas canções e, principalmente, com o seu saber com sabor. Foi um momento bastante rico em que foram retomadas desde a importância da presença do professor na sala de aula como alguém com sentimento, com vida, com emoções e que, por esse motivo, também precisa trabalhar (e só um ser humano faz isso) com a diversidade presente em nossas escolas.
Dia 23/10: O quinto e último dia do Seminário contou com dois importantes momentos: A palestra da professora doutora Renata Junqueira de Souza da Unesp de Presidente Prudente e com as Oficinas Pedagógicas, ministradas pelos profissionais do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba. Em ambos os casos os participantes teceram muitos elogios pelas abordagens feitas e pelo encaminhamento dos mesmos.
Gostaria de agradecer vivamente todo apoio dado pelo prefeito Cido Sério e pela Secretária da Educação, Beatriz Soares Nogueira. Agradeço também a todos os membros da Comissão Organizadora, bem como os demais colaboradores da Secretaria que contribuíram para o sucesso deste evento. A ausência de nomes é na tentativa de não ser injusto com ninguém. Portanto, todos se considerem abraçados por mim.
E que venha o próximo Seminário de Leitura!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região, Coordenador Geral do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”.

Renata Junqueira de Souza e oficinas pedagógicas


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

O quinto e último dia do 1º Seminário da Leitura e Literatura Infantil e Juvenil contou com dois importantes momentos: A palestra da professora doutora Renata Junqueira de Souza da Unesp de Presidente Prudente e com as Oficinas Pedagógicas, ministradas pelos profissionais do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba, coordenadas pela professora Luciane Pavan, membro da Comissão Organizadora do Seminário.
Na palestra, a professora Renata Junqueira fez algumas abordagens sobre Estratégias de Leitura nas séries iniciais (Ensino Infantil e Fundamental), a partir da pesquisa de pós-doutorado dela nos Estados Unidos e na experiência de aplicação da referida proposta com cidades dos Estados Unidos, Presidente Prudente e Minho, em Portugal.
A pesquisa que foi publicada no livro: Ler e escrever, estratégias de leitura, Mercado de Letras, foi o objeto da palestra e teve seu lançamento no final dela.
Uma discussão bastante rica e interativa em que os professores e demais profissionais da educação que lá estiveram presentes puderam tirar dúvidas, tomarem consciências das mais atuais propostas no campo da leitura e da literatura em países desenvolvidos e nas principais colocações do PISA (programa internacional ligado à UNESCO que avalia diferentes países do mundo, entre as quais, na área da leitura).
Como não poderia ser diferente, também algo bastante significativo para Rede.
Com relação às oficinas pedagógicas, um primor. Os profissionais da nossa Rede deram um show na discussão e, principalmente, aplicação de propostas e sugestões de trabalho com o texto literário infantil. Não houve quem não saísse das oficinas entusiasmado e falando bem do que tinha aprendido nelas.
Gostaria de agradecer o empenho de todos que doaram parte de seu tempo na construção, tão rica, desse momento. Parabéns à Luciane Pavan e seus colaboradores que também se empenharam muito para que essa etapa tivesse o sucesso que teve.
Saio desse seminário como quem lava as mãos: alguns resíduos ainda estão nelas, o frescor é tão presente e marcante, a leveza e a suavidade do cheiro bem são satisfatórios.
Obrigado, Beatriz, por ter-me concedido essa oportunidade; obrigado Patrícia, Ana e equipe, Custódio e equipe, Maria Lúcia Terra e equipe, Raquel e equipe, Claudinha Sato, enfim, a todos que direta ou indiretamente contribuíram para que esse Seminário tivesse o êxito que teve.
Meu muito obrigado....

Ezequiel Theodoro da Silva


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Quando o conheci, na pós-graduação da Unesp de Presidente Prudente, a primeira impressão que tive foi de um cara carrancudo, inacessível, que só estava alí "cumprindo tabela".
Ainda bem que me enganei.
O Ezequiel não é muito de sorrir, não. Ao menos em sala de aula. Mas isso não quer dizer que seja uma pessoa triste ou amargurada. Ele tem aquele humor seco e irônico dos intelectuais.
Parece mesmo um mineirinho, que quietinho e com seu jeitinho vai conquistando a todos. E foi exatamente assim que aconteceu na palestra do dia 22/10. Numa sexta-feira, sete e meia da noite ele seduziu a todos com suas piadas, com suas canções e, principalmente, com o seu saber com sabor.
Foi um momento bastante rico em que foram retomadas desde a importância da presença do professor na sala de aula como alguém com sentimento, com vida, com emoções e que, por esse motivo, também precisa trabalhar (e só um ser humano faz isso) com a diversidade presente em nossas escolas.
Propôs a leitura como algo emancipador, que nos tira do lugar comum e os faz ver o mundo à nossa volta com criticidade, com um olhar mais refinado. A leitura DESvela, DEScobre, DESnuda as coisas para que possamos enxergá-la além do trivial, além do que os olhos e a maioria das pessoas veem.
Foi muito bom tê-lo conosco, Ezequiel. Volte sempre.

Na imagem acima, da esquerda para direita: Raquel Pozelato, Ana Cláudia Vasconcelos, Patrícia Cardoso, Maria Lúcia Terra, Ezequiel Theodoro da Silva, Antonio Luceni e Cláudia Sato.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Entrevista para Folha da Região - Seminário de Leitura

O ENCANTADOR DE HISTÓRIAS


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

A terceira noite do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil de Juvenil "Araçatuba Leitora" foi uma celebração à vida!
Conheci Francisco Gregório Filho num congresso internacional de leitura e literatura infantil e juvenil em Porto Alegre/RS. Foi paixão à primeira vista. Com seu entusiasmo explícito e sabedoria contida, cativou a todos os presentes com seu jeito aglutinador de ser, com sua voz mansa e tranquila e com muita, muita história para contar...
Ontem foi a vez de Araçatuba conhecê-lo. Cantando, contando, discorrendo sobre projetos que ele implantou por esse Brasil a fora, agradou gregos e troianos! Coisa difícil de acontecer, mas foi exatamente isso.
Os comentários foram dos mais diversos, mas todos eles convergindo num ponto: o encontro foi apaixonante.
Gregório demonstrou na prática o que significa se relacionar com literatura e poesia. No discurso envolvente personagens de nosso folclore, a mistura de raças e credos, a valorização da própria história, as muitas possibilidades de mergulhar num texto... Tudo estava lá, dito, posto e proposto...
E que venham os outros dias do Seminário.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mesa de discussão em leitura e literatura infantil e juvenil


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

20/10/10 - Mesa de discussão em leitura e literatura infantil e juvenil.

Palestrantes:
Profa. Dra. Cristiane Magalhães Bissaco
Profa. Ma. Patrícia Cardoso Soares
Prof. Me. Antonio Luceni
Profa. Esp. Maria Lúcia Terra
Profa. Ma. Marister Vasques Falleiros
Prof. Ma. Nara Leda Franco

Título da palestra: Rapsódia literária: aspectos da leitura e da literatura infantil, com o Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba.

Comentário: Pela característica da mesa de discussão, as apresentações feitas tiveram o tempo individual de 20 minutos cada uma em que os comunicadores abordaram um aspecto específico da leitura ou da literatura infantil. A professora doutora Cristiane Magalhães Bissaco expôs uma experiência feita em duas escolas municipais com crianças do Maternal sobre estímulos para ler, resultado de um estudo de caso feito a partir de discussões e propostas suscitadas no Grupo de Estudo; a professora mestra Nara Leda Franco discutiu sobre a presença da metáfora na obra de Chapeuzinho Vermelho como elemento colaborador para a manutenção do referido conto; a professora mestra Marister Vasques Falleiros fez várias abordagens sobre os objetivos e formas de leitura, as contribuições trazidas por métodos e formas adequados no ato da leitura e produção de textos; a professora mestra Patrícia Cardoso Soares discutiu sobre a presença do professor coordenador pedagógico como importante mediador na discussão, elaboração e construção de momentos e espaços que privilegiem a leitura e a literatura nas emebs do Sistema Municipal de Ensino, dando exemplos a partir de experiências da própria Rede; a professora especialista e diretora da equipe de supervisão, Maria Lúcia Terra, fez uma análise comparativa da presença da personagem "bruxa" ao longo da história da literatura infantil no mundo, discutindo a presença de arquétipos nessa personagem como forma de contribuição na formação intelectual e de caráter dos seus leitores. A mediação dos trabalhos da mesa foi feita por mim.

Palestra com Ricardo Azevedo


19/10/10 - Palestra de abertura do 1º Seminário de leitura e literatura infantil e juvenil.
Palestrante: Ricardo Azebedo: escritor e ilustrador paulista, é autor de mais cem livros para crianças e jovens, entre eles Um homem no sótão (Ática), Lúcio vira bicho (Cia. das Letras), Aula de carnaval e outros poemas (Ática), A hora do cachorro louco (Ática)e o Livro dos pontos de vista (Ática). Ganhou quatro vezes o prêmio Jabuti com os livros Alguma coisa (FTD), Maria Gomes (Scipione), Dezenove poemas desengonçados (Ática) e A outra enciclopédia canina (Companhia das Letrinhas), o APCA e outros. Tem livros publicados na Alemanha, Portugal, México, França e Holanda. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Pesquisador na área de cultura popular. Professor convidado em cursos de especialização em Arte-Educação e Literatura. Tem dado palestras e escrito artigos, publicados em livros e revistas, abordando problemas do uso da literatura de ficção na escola.

Título da palestra: Sistema Cultural dominante, didatismo e literatura

Comentário: O escritor procurou estabelecer um contraste entre os textos técnicos (que disse terem a devida importância) e o texto estético, privilegiando o segundo como forte instrumento e HUMANIZAÇÃO. Buscou ainda, discutir sobre a falta de espaço que há nas escolas brasileiras para os textos de ficção e poesia. Problematizou o fato de cada vez mais os textos técnicos e pedagógicos terem espaço nos bancos escolares, COISIFICANDO o ser humano, justamente por serem (os textos técnicos e pedagógicos) dogmáticos, buscarem uma única e voz comum, por terem um fim específico etc. Propos que reolhássemos os textos literários e suas contribuições como elemento do inexplicável, da imaginação, da fantasia, do universal, da democracia e pluralidade de vozes etc.

IMAGEM: O escritor ladeado por este blogueiro e a professora Doutora Renata Junqueira de Souza, do CELLIJ/UNESP de Presidente Prudente, que veio daquela cidade para prestigiar o escritor.

ABERTURA DO 1º SEMINÁRIO DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL



"Deus quer, o homem sonha e a obra nasce", bem disse Fernando Pessoa.
Há tempos vínhamos gestando um espaço que privilegiasse a discussão da leitura literária em nosso Sistema Municipal de Ensino, em Araçatuba. E não era um sonho doido, desligado da realidade. Era o desejo de uma necessidade em discutir e propor ações que contribuissem para que o livro literário e a poesia tivessem o olhar que mereciam.
Pois é, a obra nasceu! Desde o dia 19 de outubro estamos envolvidos neste sonho. O primeiro momento foi uma visita do escritor e palestrante de abertura do evento, Ricardo Azevedo, à EMEB Fausto Perri, no bairro Umuarama.
Havia meses os alunos daquela escola, sob orientação da diretora Maísa Bichir e seus colaboradores, estavam lendo e desenvolvendo atividades a partir das obras do escritor.
A culminância aconteceu com a visita dele, momento em que os alunos apresentaram pecinhas de teatro, declamaram poemas, teatro de fantoches e muito mais. Também tiveram oportunidade de ouvir, direto da fonte, algumas histórias e a própria história do escritor Ricardo Azevedo.
A Secretária da Educação, Beatriz Soares Nogueira, e grande parte de sua equipe compareceram ao evento para prestigiar e mostrar de perto para o escritor parte do grande projeto para formar Araçatuba como uma cidade leitora.
Foi um momento bastante rico, particularmente para as crianças daquela escola, já que tinham a ideia de escritor como uma entidade quase inexistente.
Valeu, Ricardo!!!

domingo, 17 de outubro de 2010

ARAÇATUBA LEITORA


“Ler é muito mais do que decifrar palavras...”. É assim que começa o poema “Aula de leitura” do escritor Ricardo Azevedo.
Paulo Freire, renomado e importante educador brasileiro, também fez essa reflexão por meio de vários textos, sugerindo que somente lemos quando nossa leitura é algo maior, é a “leitura de mundo”.
Todos os dias e em todos os momentos estamos submetidos a ler. Procure observar tudo que está à sua volta: as pessoas, as coisas, as propagandas, os livros, a internet, o céu (será que vai chover?)... Verifique como seu marido, mulher, filho, pai ou mãe chegam do serviço ou da escola. Será que é hora de pedir alguma coisa pra ele ou ela? Ou é melhor deixar para mais tarde?
É por essa razão que a leitura e tão importante em nossas vidas. É por meio dela que nos relacionamos com as demais pessoas. É partir dela que entramos em contato com conhecimentos e vivências que certamente seria muito difícil (em alguns casos, impossível) não fosse pela leitura.
Hoje é o primeiro dia de outros quatro que se seguem do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”, organizado pela Secretaria Municipal da Educação e sob minha coordenação.
Serão dias de importantes discussões e reflexões (que virarão ações nas práticas das centenas de profissionais de nosso Sistema de Ensino) com o que há de melhor nessas áreas.
A palestra de logo mais à noite, na UNIP, é com o escritor Ricardo Azevedo, doutor pela USP e ganhador de diversos prêmios importantes de literatura, entre os quais vários Jabutis.
Amanhã é a vez do Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal da Educação de Araçatuba, representado pelas professoras Maria Lúcia Terra, Cristiane Bissaro, Marister Falleiros, Patrícia Cardoso Soares, Nara Leda Franco e por mim, no auditório do SENAC, a partir das 19h30min.
Na quinta-feira é a vez do escritor, contador de histórias e Secretário da Leitura (imaginem só, já há no Brasil uma Secretaria da Leitura) de Nova Friburgo/RJ. Uma figuraça que tive o privilégio de conhecer num congresso internacional de leitura em Porto Alegre. Certamente, assim como eu, quem estiver presente vai se encantar com ele.
Na sexta-feira é a vez do professor doutor, e também escritor, Ezequiel Theodoro da Silva, da Unicamp. Um dos fundadores do COLE (Congresso de Leitura da Unicamp) que já está em sua 18ª edição. Também na UNIP, à noite.
Para encerrar o Seminário, no sábado pela manhã, UNIP, a professora doutora Renata Junqueira de Souza do Centro de Pesquisa em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Unesp/Presidente Prudente ministrará uma palestra que discutirá a leitura e a literatura no Ensino Infantil e Fundamental, além das oficinas pedagógicas que serão realizadas por profissionais da Rede.
Gostaria de agradecer publicamente ao prefeito Cido Sério e à Secretária de Educação, Beatriz Soares Nogueira, por serem sensíveis ao tema e proporcionado esse momento tão rico e importante para os profissionais do Sistema Municipal de Ensino.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A beleza de ser um eterno aprendiz...


A vida é uma grande escola, e todos nós sabemos disso: há lições que são aprendidas de modo mais prazeroso, causando-nos entusiasmo no aprender, no refletir às questões propostas por elas; outras, ácidas, áridas, desconfortantes...
Assim como na escola, há também na escola da vida a seriação: algumas pessoas estão mais adiantas (evoluídas?!) que as outras; outras, ainda estão no be-a-bá.
Assim como na escola, há os que ficam de recuperação em algumas matérias (solidariedade, respeito, fraternidade...), mesmo sendo aprovados em outras.
A verdade é que estamos todos nós aprendendo, ou, como diria Rosa, "de repente" aprendendo.
Minha vocação para ser professor estava no sangue. Minha mãe foi (e continua sendo) minha grande mestra. No interior do Ceará, no sítio da Pitombeira, ela já reunia vizinhos, irmãos e até o filho mais velho (meu irmão Lúcio) para, voluntariamente, encaminhar-lhes pelas primeiras letras. Quando veio para São Paulo, o ofício foi abandonado por falta de diploma. Entretanto, continua ensinando a todos nós.
Desde muito cedo (não vou falar pequeno porque ainda continuo a sê-lo) lembro-me sonhando com uma sala de aula, onde crianças, jovens e adultos ouviam com atenção aquilo que eu dizia. Quando terminei o 1º grau não tive dúvidas: "Vou fazer magistério".
Foi no CEFAM que iniciei nessa carreira que até hoje me sustenta física e intelectualmente. Também foi lá que tive contato com grandes mestres: Cleonice Guedes Pavan, Adilson Henriques, Kátia Nascimbeni, Giovanni e Ivone Baldan, Milka, Nilce, Bete, Zilda, Marquinhos, Osmarina, Júlia... só para citar alguns (e os outros que me perdoem).
O curso de Letras na Toledo, a pós-graduação na Unesp e o mestrado na UFMS renderam boas amizades e muito conhecimento. Desses lugares trago a amizade e o respeito pelos mestres Tito Damazo, Roseli Ibernom, Ester Mian, Patrícia Bertoli, Valdir Mendonça, Renata Junqueira, Ricardo Azevedo, Ezequiel Theodoro da Silva, Luís Camargo, José Batista de Sales, Belon, Sheila Maciel, Edgar Nolasco, Carlos Fantinati...
Gostaria de agradecer a todos meus mestres (os aqui lembrados e os que não citei) pelo tempo que dedicaram a mim e a meus colegas na comunhão do sabe(o)r das letras. Grande parte do que sou hoje (mesmo não sendo grande coisa) devo a vocês. Eternamente serão lembrados por mim com a reverência, respeito e admiração com que merecem ser.
Feliz dia dos professores.

Do discípulo,

Antonio Luceni

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vinde a mim...


Dia 12 dia das crianças... E qual dia não o é, não é mesmo?!
Só quem tem criança em casa para se dar conta de que todo dia é dia delas. Se são recém-nascidas o choro não nos deixa esquecê-las por um minuto: num momento é cólica; noutro, fome; num outro, sono; num terceiro, cocô ou xixi incomodando-as.
Depois elas vão crescendo e aí você pensa que vai tudo ficar bem. Ledo engano: quando elas começam andar o desespero aumenta. Haja pernas para acompanhar aquelas perninhas que não param um só minuto no lugar. E, parece, sempre os piores lugares elas buscam para se enfiar. São verdadeiros suicidas (inocentes, é bem verdade, mas não o deixam de ser!).
Aí vem a adolescência: fase dos cabelos coloridos e esquisitos, aquelas roupas cheias de fluflu, a primeira paixão, os primeiros campeonatos e acampamentos fora de casa. As preocupações são redobradas.
Depois vem a faculdade, os estágios e, mesmo depois de formados, aqueles marmanjões dando despesas em casa e achando que ainda são crianças. Mas às vezes acho que são mesmo. Continuam sendo para os pais aqueles meninos e meninas dependentes (e a gente acaba nem achando tão ruim assim; basta estalarem os dedos que a gente está lá, prontos para socorrê-los).
Como diria Vinicius de Moraes: “Filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-los”. A gente acaba sendo imortal neles, sabe. Talvez por isso os acolhamos sempre, nos importemos com eles... De certa forma é um egoísmo sacrossanto querer a perpetuação da nossa própria vida por meio da continuidade deles.
A verdade é uma só: onde tem criança há alegria, há energia, há graça, sinceridade, honestidade, verdade... Onde tem uma criança, mesmo as caras mais carrancudas se derretem, os corações mais angustiados encontram um momento – por mais efêmero que seja – de paz.
Não à toa Jesus pediu para que não impedissem de as crianças se aproximarem dele. Na própria visão do Mestre, as crianças eram – e portanto ainda são – a metáfora para quem quer chegar no céu.
Monteiro Lobato, também cansado das hipocrisias e discrepâncias dos adultos, encontra na imagem das crianças o lugar da esperança e é para elas que irá propor os seus diálogos, esperando na formação crítico-reflexiva de sua obra jovens e adultos mais adequados para transformar o mundo num lugar bom de se viver.
Que cada criança que há em nós seja cultivada diariamente e que a esperança sempre nos encontre de braços abertos para o que der e vier.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Yeda Pazian - uma artista



Primeiro me veio a educadora: Diretora da Rede Municipal de Ensino de Araçatuba, na EMEB Enoy Chaves, no bairro Panorama. Uma escola de Educação Infantil pra cima, alegre, colorida, com excelentes profissionais e com um jardim que é uma beleza.
Em seguida me veio a colega de trabalho: A partir do início do Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal da Educação passamos a nos relacionar profissionalmente nas discussões do grupo, nas propostas e ações de leitura voltadas para as séries iniciais...
Por último, me veio a artista: Uma artista de mão cheia, ou melhor, de tela cheia. Cheia de cores, cheia de vida, cheia de alegria. Acho que um pouco (ou muito) da energia dessa artista, do olhar sensível e observador dela passam para as suas telas, para o seu trabalho.
Há em suas telas flores de todos os tipos (orquídeas, tulipas, strelízias, copos de leite...), tucanos, frutas, naturezas-mortas, paisagens... Tentam traduzir a vida, ou melhor, como diria, Van Gogh “a arte é o homem adicionado à natureza.”
Sua pintura não se propõe a ser um retrato fiel e literal da realidade. Não busca flertar com os academicismos prepotentes e aristocráticos; não há mais tempo para isso. Antes, vai na trilha das sensações, dos sentimentos, dos verdadeiros valores a que se propõem as artes de modo geral: sensibilizar as pessoas.
E quantas sensações são evocadas nas texturas de suas telas, nas pinceladas precisas, nas escolhas dos temas, nas dimensões das obras – quase próximas de painéis – na combinação de tons e matizes que, unidos, formam um conjunto harmônico e bom de se ver.
Como todo bom artista que se preocupara com a vida que está à sua volta, ela registra o Brasil de diferentes maneiras: nas paisagens litorâneas com barcos, encostas, peixes e pescadores; nas frutas várias e tropicais com todas as cores e texturas imagináveis: bananas, morangos, maçãs...; o campo está representado em seu acervo com cavalos, morros e riachos..; o experimental também tem vez: note-se aí uma provocação como o quadro “O pecado”, em que a silhueta de uma maçã é suporte para a discussão a que se quer despertar.
Yeda Pazian: a educadora, a mulher, a artista. Assim, vale a pena lembrar Joseph Beuys quando cita que "a criatividade não é monopólio das artes. (...) Quando eu digo que toda a gente é artista eu quero dizer que cada um pode concentrar a sua vida nessa perspectiva: pode cultivar a artisticidade tanto na pintura como na música, na técnica, na cura de doenças, na economia ou em qualquer outro domínio... A nossa ideia cultural é muitas vezes redutora. O dilema dos museus e das instituições culturais é que limitam o campo da arte, isolando-a numa torre de marfim (...). O nosso conceito de arte deve ser universal, terá que ter uma natureza interdisciplinar com um conceito novo de arte e ciência".
Certamente Yeda Pazian enquadra-se nessa perspectiva artística. E que venham outras telas.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região. (aluceni@hotmail.com)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Araçatuba chora seus filhos


Disse-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente.” João 11. 25 e 26

Lembro-me de uma situação da infância que até hoje é muito marcante para mim. Final de tarde, minha mãe sentada à sala, fazendo alguma coisa com as mãos (se não me falha a memória, remendando alguma roupa velha para o trabalho diário) quando respondeu ao meu irmão mais velho: ─ Já vou. E, ao chegar no portão, não havia ninguém.
Naquele exato momento o Lúcio tinha caído de uma mangueira muito alta e estava sendo hospitalizado para ficar por lá, em estado grave, durante algum tempo. Foi um momento difícil para todos nós e, particularmente, para minha mãe. Ela já antecipava o ocorrido com seus ouvidos de mãe, antenados e 24 horas por dia ligados aos filhos e à família de modo geral.
Há tempos esperamos pela chuva. Estávamos numa situação difícil: crianças e idosos com graves dificuldades respiratórias, a boca seca, nos bairros sem asfalto aquela poeira danada entupindo e sujando tudo.
Quando a chuva veio, ficamos aliviados, respiramos melhor e até foi mais gostoso para dormir e comer.
Mas não foi uma chuva comum, não. A primeira chuva depois da longa seca a que estávamos submetidos foram lágrimas antecipadas de Araçatuba pela perda de seus filhos na Castelo Branco. Como mãe que é de todos nós, antecipava a triste notícia que nos cobriu de luto e que, certamente, ficará gravada em nossa memória.
Assim como minha mãe ouviu o grito de meu irmão antes mesmo que alguém desse a notícia, também Araçatuba já chorava seus filhos assim que a triste história se consumava.
Tal qual minha mãe, apreensiva e angustiada em saber notícias, também nossa cidade ficou inquieta em querer saber o que aconteceu, como foi que o acidente se deu, acolher os familiares, estar solidariamente presente...
Agradecemos a Deus (e Araçatuba fica feliz) pelos sobreviventes, pela catástrofe não ter sido maior ainda. Mas não deixaremos de chorar nossos mortos e não serão substituídos jamais.
Vão com Deus, descansem em paz!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Olimpíada de Língua Portuguesa - Premiação Municipal


O período da tarde de quinta-feira (23) foi muito especial para 26 alunos das escolas municipais de Ensino Fundamental de Araçatuba. Afinal, não é todo dia que estudantes são premiados em uma olimpíada que não exige esforço físico, mas que aprofunda conhecimentos sobre a Língua Portuguesa. A olimpíada teve como público alunos da 4ª série, em que o desafio foi escrever poesias com o tema “O lugar onde eu vivo”.

Os alunos surpreenderam, pois muitos falaram com orgulho do bairro onde moram e descreveram Araçatuba como uma cidade maravilhosa para se viver. Dentre os assuntos citados nas poesias, eles destacaram o Rio Tietê, a produção da cana, a exposição agropecuária e o título de “Terra do Boi Gordo”, devido à força da pecuária na cidade. Os vencedores receberam a premiação no Teatro Municipal Paulo Alcides Jorge e os professores também foram homenageados.

O objetivo da premiação foi prestigiar o trabalho realizado nas escolas municipais durante os últimos meses, explica o coordenador da olimpíada Antônio Luceni. “Nós gostaríamos de homenagear as crianças pelo belíssimo trabalho, as professoras pelo apoio que deram aos alunos e as diretoras e coordenadoras por confiarem no nosso trabalho e apoiarem a ideia. Araçatuba foi uma das poucas cidades que aderiu em cem por cento. A nossa cidade foi citada como exemplo, o que nos enche de orgulho”, diz o professor.

A Olimpíada de Língua Portuguesa acontece em quatro fases (escolar, municipal, estadual e regional). Na fase nacional, 120 textos de todo o Brasil concorrerão. Em Araçatuba, quatro alunas foram classificadas para a fase estadual: Juliana Gonçalves Coluce, da EMEB Professor Lauro Bittencourt; Jéssica Gabriela da Rocha Vicente, da EMEB Fernando Gomes de Castro; Nikole dos Santos Garcia, da EMEB Professor Joaquim Dibo; e Paula Emanuelle Paixão Ferrarri, da EMEB Floriano Camargo Brasil.

“Nós precisamos comemorar, pois nossas crianças estão provando que são capazes. Nosso próximo passo é chegar à etapa nacional e nós acreditamos em nossos alunos”, afirma a secretária municipal de Educação Beatriz Soares Nogueira, que representou o prefeito Cido Sério. Além dela, estiveram presentes a secretária municipal de Esporte, Lazer e Recreação Cláudia Crepaldi; a chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação Patrícia Cardoso; a diretora do Departamento de Educação Municipal Ana Cláudia Vasconcellos; a diretora Ana Cláudia Marangon Donatoni, representando as diretoras da Rede Municipal; a coordenadora Marisa Matos, representante das coordenadoras; e a aluna Paula Emanuelle Paixão Ferrari, que representou os alunos participantes.


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Secretaria Municipal de Comunicação Social (SMCS)
Prefeitura Municipal de Araçatuba
(18) 3607-6603
www.aracatuba.sp.gov.br

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

60 anos da tevê aberta brasileira



Este ano a tevê aberta brasileira completa 60 anos. Tenho metade da idade dela, mas nesses últimos trinta anos já deu pra conhecê-la um pouquinho.
Nossa primeira televisão (no singular mesmo, porque só tínhamos uma) foi uma Philips preto e branco, acho que pouco mais de vinte polegadas. Imaginem só, uma família de sete pessoas defronte a uma tevê de vinte e poucas polegadas. Sentia-me como se fosse uma vaca (dizem que os bovinos enxergam em preto e branco). Anos depois, apareceu um vendedor daqueles que passam de casa em casa vendendo quinquilharias e meu pai comprou uma tela de acrílico em que tinha três cores: na parte superior o vermelho, na parte inferior o verde e, entre estas duas cores, uma faixa amarela que se fundia e sugeria o alaranjado em alguns momentos. Ficávamos com a “sensação” de víamos as imagens coloridas (tal qual eram realmente).
A disputa para ver esse ou aquele programa era outra comédia em casa. Os desenhos animados eram dirigidos para nós, crianças; já a hora das novelas era para minha mãe, e disso ela não abria mão. Tentávamos convencê-la de tudo quanto era forma para deixar no “Sítio do Picapau Amarelo”, mas nada. Por isso acabamos assistindo a “Roque Santeiro”, “Sassaricando”, “Amor com amor se paga”, entre outras das décadas de 1980 e 90.
É verdade que em todos os momentos da trajetória de nossa tevê aberta existiram programas idiotas e inúteis. Também é verdadeiro que nunca tivemos maiores opções de cultura, de educação, de entretenimento nas tevês públicas do Brasil, mas como hoje em dia, acho difícil.
Quanta baboseira, quanta bunda, meu Deus!, quanto sangue e violência nos programas de hoje. Salvam-se alguns poucos canais (bem poucos, acho que um ou dois) que têm em sua programação documentários interessantes, programas jornalísticos apartidários, programas infantis não-infantilizados, entrevistas e debates que fazem a gente crescer no final deles.
As tevês públicas são concessões que deveriam exigir logo de cara qualidade em suas produções. O brasileiro já é privado de tanta coisa que ao menos os programas televisivos – um dos poucos momentos de lazer a que o pobre tem acesso – deveriam ser de qualidade, voltados para esclarecer, instruir, orientar e divertir as pessoas de forma digna.
Do jeito que está aí não vale a pena nem gastar energia elétrica com o que passa na tevê. De pão e circo já estamos cheio. Queremos coisa mais encorpada, coisa mais saudável, coisa que valha a pena digerir.
É isso!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

domingo, 12 de setembro de 2010

Mandinga pra chuva chegar


Sabe aquela história do “poder da atração”, da “conspiração a favor”, do “chama que vem”? Pois é, fiquei pensando nisso esse final de semana e resolvi fazer a “mandinga pra chuva chegar”.
O negócio é simples: a gente vai mentalizar algumas coisas que lembrem a chuva ou que a tenham como tema e repeti-las como um mantra? Não sabe o que é mantra? Não tem importância, fique pensando no barulho da chuva, cante músicas de chuva, faça a famosa dança da chuva... tudo isso repetidamente. Quem sabe não funcione? Porque o negócio tá brabo, não é mesmo? Que tempinho ruim! Como diria Maria Bethania: “Tinha que respirar, todo dia”.
Pra te dar uma ajudinha, aí vão algumas dicas:
Um clássico: “Chuva de prata que cai sem parar...”
Outro clássico (dá pra confundir com “jurássico” também!): “Chuva traga o meu benzinho...”.
Um gospel: “Faz chover a chuva serôdia sobre nós, faz chover a chuva temporã...”.
Outro gospel: “A chuva desce lá do céu como se fosse véu, de água corre o chão...”.
Vai de axé: “Quando a chuva passar...”.
Vai de romântica: “Cai a chuva que molha o meu amor...”.
Mais um amorzinho aí: “O amor não é como paixão que vai e vem feito chuva de verão...”.
Tem até pra criançada ajudar: “Chove, mas como chove: chuva, chuvisco, chuvarada, por que chove tanto assim?”.
E para os mais ligadinhos, tem até internacionais:
“I’m only happy when it rains...”.
“Singing in the rain…”.
“Rainy days and Mondays…”.
“I only want to see you laughing in the purple rain…”.
“Rain! Feet it on my finges tips, hear it on my window pane…”.
“If the rain comes theys run and hide thein heads…”
E: “It’s raining men, alleluia!...” Ops! Esta não tem muito a ver, não, mas não resisti!
Bom, é isso! Escolha uma e fique repetindo-a como se fosse um mantra, pensando positivo e, quem sabe, a chuva não vem e acaba com essa nossa agonia.
Mas, se de tudo, der errado, pegue uma mangueira e tome uma ducha... Assim, certamente, refrescará o seu calor!
Eu vou, mas semana que vem eu volto!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pátria amada...


Mais um 7 de setembro. Data festiva?
É verdade que o Brasil é privilegiado sob muitos aspectos. Vivemos num País continental que “em se plantando tudo dá”. Mas também, como disse o outro, há “pouca saúde e muita saúva".
É verdade que não temos guerras – ao menos do ponto de vista genérico, porque temos também nossos mortos diários em guerras que acontecem nas ruas, nos morros e favelas, na violência que corrói famílias inteiras por meio das drogas.
É verdade, também, que a natureza foi generosa conosco: não temos furacões, terremotos, tornados, vulcões e tantas outras catástrofes que acabam por assolar várias partes do mundo.
É verdade que por conta da nossa miscigenação somos mais receptivos e solidários. Nossa fama de hospitaleiros não é por acaso – apesar de, internamente, não tolerarmos as várias “espécies” humanas.
Mas precisamos de outras independências.
Independência financeira: não é possível que num País como o nosso, com as mais altas taxas de juros e arrecadações bilionárias, professores, policiais, servidores públicos (principalmente municipais e estaduais) sobrevivam – depois de três turnos de trabalho – com um salário que qualquer cidadão na informalidade e sem nenhum preparo em nível superior produz.
Independência da auto-estima: não dá pra sorrir feliz faltando dentes na boca, não é possível voltar para casa alegre e de bem com a vida depois de um dia de trabalho sob o sol, com as mãos calejadas e com um ovo (quando é possível tê-lo) na marmita (enquanto outros ociosos estão numa cela com cardápio cuidado por uma nutricionista e sempre variado durante a semana. Verdadeira inversão de valores).
Independência escolar: Por que as universidades públicas estão cheias de ricos abastados? Por que um pobre tem que ralar a vida toda numa escola pública, com ventiladores quebrados, sol atravessando as janelas e “rachando o coco” de crianças e adolescentes e, quando chega a hora de cursar uma universidade pública, não há vagas para eles?
Independência intelectual: Por que todos acham que a agente necessita de migalhas, esmolas e assistencialismo? Por que somos submetidos diariamente a quereres e a vontades escusas? Por que riem da nossa cara e acham que estão nos convencendo sobre isso ou aquilo?
Independência civil: Estamos em pleno movimento eleitoral, por que somos obrigados a votar se vivemos num País livre e democrático? Por que as propagandas eleitorais não são uniformes, afinal de contas, iremos escolher pessoas importantes para representarem nossas vidas em nível de estado e federação?
Ó Pátria amada, tão castigada, salve-nos, salve-nos?
Ó Brasil, celeiro da América, entre outras mil é a ti que amamos!
Independência? Morte!
Independência! Morte!
Independência.
Morte a tudo que não é para o crescimento do Brasil!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e Coodenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

domingo, 29 de agosto de 2010

Vida, mina a ser explorada


Sempre tive pavor de lugares fechados. Não permiti que se instalasse em mim a claustrofobia, mas me incomoda muito a ideia de ficar fechado em qualquer lugar que seja: elevador, sala de escritório, sala de espera ou coisa assim.
Evitei por anos andar de avião. Esse negócio de coisa fechada, quinze mil metros de altura e mais de oitocentos quilômetros por hora é para super-heroi de histórias em quadrinhos.
Sempre que ouvia o nome do mais conhecido livro de Júlio Verne, Vinte mil léguas submarinas, ficava imaginando a cena. Aliás, a bem pouco tempo tivemos notícia de um submarino que teve problemas mecânicos e, infelizmente, levou à morte toda tripulação.
Dias atrás nos deparamos com a notícia dos trabalhadores de uma mina de ouro no Chile que se encontram na mesma situação. Presos numa profundidade de 700 metros – todos bem, graças a Deus – ficarão por lá por até 4 meses.
Que situação...
Enterrados vivos, buscam pela vida. Como no mito clássico de Platão, estão sob treva e desejam ver a luz. Noite? Dia? Não sabem... Mas o período é grande e devem restabelecer rotinas, driblar o medo, a angústia, a expectativa... Terão que tolerar uns aos outros. Unidos deverão permanecer para que, no apoio mútuo, consigam superar todas as intempéries.
As famílias, acampadas, esperam por notícias. Também em união dividem a dor da separação, tentam, mesmo fora e distantes dos entes queridos, transmitir energia, força, ânimo... Também tiveram que mudar suas rotinas. Tiveram que se adaptar à nova cena que lhes foi imposta.
Quanta coisa a aprender, não?
Quantas vezes não estamos afundados, também, em problemas e nas dificuldades diárias e precisamos nos apoiar uns nos outros para conseguirmos continuar caminhando? Quantos momentos estamos na escuridão e precisamos de uma ponta de luz, por menor que seja, mas que traga um pouco de esperança? Quantas famílias estão irmanadas por compartilharem dor semelhante?
Noutra ponta, o que é preciso acontecer para que nos juntemos para um bem comum? Quando tiraremos nosso traseiro da cadeira e nos colocaremos sob vigília para que alcancemos objetivos bons para a coletividade? O que será capaz de nos tirar da situação de comodismo e morbidez e nos encaminhar para acampamentos de solidariedade, fraternidade e justiça? O que será preciso acontecer para que valorizemos as pessoas que estão à nossa volta e que, às vezes, passam como transparentes por nós?
A vida é ouro. Mina a ser explorada cotidianamente.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

domingo, 22 de agosto de 2010

Eleição na floresta


Este ano é ano de eleição na floresta. Momento importante para todos definirem quem irá comandar o grupo nos próximos quatro anos. Uma assembleia foi convocada pelo Leão. E quem foi dar a notícia foi a D. Tartaruga, mas com ordens severas: apenas para alguns bichos, já que, por conta da lerdeza de D. Tartaruga “não daria” para convidar a todos.
Bichos reunidos, O Rei Leão passou a fala aos candidatos.
Quem primeiro se apresentou foi o Curupira. E não quis saber de brincadeira, não. Já saiu entoando bem alto o seu slogan para que todos o gravassem bem:
 Para a floresta continuar andando pra frente, Curupira presidente!
E todos aplaudiam, e todos festejavam... O candidato falava bem, era popular entre os habitantes da floresta. Mas alguém, lá no meio do povo, observou um detalhe: a natureza do Curupira era a de andar para trás. Por que estava dizendo aquelas coisas, então? E por que os outros bichos não prestavam atenção no que o candidato dizia e se levavam apenas pelo falatório?
Em seguida, veio uma candidata. Era novidade na floresta. Por muitos anos somente bichos do sexo masculino reinavam por ali. Ela tinha pressa, já que não podia ficar por muito tempo fora d’água.
 Vocês já me conhecem porque quem me ouve nunca mais me esquece. Um grito daqui, outro de lá, não adianta resistir porque eu vou te pegar! Meu canto é doce, minha boca também, Iara é meu nome, quero ser teu bem!
Uma voz sedutora, um canto sedutor. Assim, a Mulher-Iara já estava arrancando os corações dos marmanjões, quando o Saci se intrometeu.
 Vamos parar de ladainha, vamos parar de blá, blá, blá... nosso objetivo neste dia é escolher em quem melhor votar. Esse canto é lindo demais, eu também quase caio nele, mas como moleque levado que sou, não caio em qualquer converseiro.
Cheio de rimas para poder provocar, o Moleque Saci saiu a argumentar.
 Seu Curupira, não me leve a mal, mas essa sua conversa é tão mole que já tá fazendo o boi dormir. Onde já se viu? Querer o bem do Brasil não é somente falar, tem que mostrar serviço. Há tantos anos no poder, e o que o senhor fez? Sua única responsabilidade era proteger a floresta. E olha aí? Tá quase toda desmatada. Fiquei sabendo que o senhor anda de conversa com uns tais grileiros...
 E você, Mulher-Iara? Sei que é boa de conversa (e de outras coisinhas mais!), mas na hora do vamu vê, pula do barco e deixa a gente a ver navios.
E a assembléia começou a pegar fogo com a chegada do Saci. Sua fama de bagunceiro e arruaçador estava mais do que comprovada. Era réplica daqui, era tréplica de lá e ninguém queria saber de parar... Até que se ouviu um uivado no meio da floresta. Todos pararam e ficaram escutando. Quando de repente...
 Vamos parar com essa bagunça aqui. Quem é o mais corajoso da floresta? Quem é que deixa caçador e grileiro com os cabelos em pé? Quem é que se mistura com os humanos e passa despercebido e, à noite, à meia-noite, volta para colocar as coisas em ordem? Eu, é claro!
O Lobisomem não deixou por menos.
Depois, veio o Boitatá, que de cara foi chamado de mentiroso pelo grupo, já que de boi não tinha nada, era uma cobra! A Cuca quis se pronunciar, mas não teve a menor chance. Disseram que o lugar dela era no Sítio do Pica pau amarelo.
Depois de muita discussão, decidiram: a floresta era um lugar democrático, por isso todos podiam ser candidatos.
E a primeira a votar foi a Mula-sem-cabeça. Disseram que ela votou num determinado candidato só porque ele tinha lhe prometido um chapéu. É mole?!
Mas que ela vai ganhar um chapéu, ela vai! Ah, vai!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

domingo, 15 de agosto de 2010

21ª Bienal Internacional do Livro – um marco em minha vida



De 12 a 22 de agosto, em São Paulo, acontece a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro, uma das mais importantes do mundo. O evento é integrado por diferentes ações, que vão desde palestras, mesa de discussão, apresentações culturais, lançamentos e compra de livros, além de contato com livreiros, editoras, escritores, ilustradores e muito mais.
Há espaços e atividades para os mais diferentes públicos: crianças, jovens, adultos, idosos, professores, gestores escolares, intelectuais das mais variadas áreas e gente simples, que curte uma boa leitura.
Sábado, dia catorze, estive com um grupo de colegas da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba e alunos dos cursos de Pedagogia e Artes Visuais da Faculdade Uniesp, Birigui. A maior parte presente pela primeira vez numa Bienal de Livros. No final, perguntei se gostaram, mas não era nem preciso perguntar. Todos estavam com sacolas cheias de livros e muitas histórias para contar.
Na ocasião, também, lancei dois de meus livros e, junto com as escritoras Marilurdes Martins Campezi (Lula) e a Wanilda Borghi (representada), tomamos posse do Núcleo da União Brasileira de Escritores – UBE em Araçatuba e região.
Foi um momento particularmente especial para mim. Eu que há muitos anos venho acompanhando a Bienal de Livros como visitante estive presente neste ano como colaborador do evento. Receber o crachá de escritor e ser empossado coordenador do Núcleo UBE em Araçatuba foi um dos melhores presentes que recebi até hoje.
Ficava feliz sendo acotovelado e “atropelado” nos corredores do Anhembi e nos estandes das editoras. Causava-me emoção ver tanta gente sentada, debruçada num balcão, em filas enormes de caixas para folhear, ler e comprar livros.
Fico feliz de verdade quando vejo tanta gente se alimentado de arte, se humanizando por meio da literatura, da música, do teatro, do cinema, da pintura... Isso significa que quanto mais acesso pudermos dar às pessoas para que usufruam de bens culturais, tão mais mergulharão nesse prazer.
“É no mundo possível da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.”
É com as palavras do escritor Bartolomeu Campos de Queirós em seu “Manifesto por um Brasil literário” que gostaria de encerrar este artigo. Também na esperança de que TODOS e TODAS que trabalham com Educação, com Arte, com formação de pessoas entendam e deem valor ao trabalho com as artes de modo geral e, mais particularmente, com a literatura, isto é, a arte da palavra. Afinal, somos todos PALAVRAS.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores - UBE e Diretor do Núcleo UBE – Araçatuba e região.

domingo, 8 de agosto de 2010

Eu pratico leitura


Entre os dias 4 e 8 deste mês tivemos mais uma edição da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP, no Rio de Janeiro. Desde 2003, a FLIP tem recebido importantes nomes das literaturas brasileira e internacional para lançar livros, discutir ideias, propor situações diversas sobre os mais diferentes temas e interesses culturais, sociais, intelectuais e outros “ais”...
O nome já algo atraente, não é mesmo, estimado leitor? Perceber o contato com a literatura como uma “festa” – que de fato é! – traz uma série de outros pensamentos: antes da festa há que se organizar tudo: o cardápio, os convidados, o local para acomodar todo mundo, as cores, os sabores e os sons de tudo que vai estar na festa e, de forma mais objetiva, a festa, propriamente.
Ainda não tive oportunidade de participar de nenhuma edição da FLIP. Sempre que penso em estar lá, acabo envolvido com algum outro compromisso que me impede. (Coisas de escola). Fico como aquele cara ou menina que tá doido(a) pra se aproximar de uma paquera, mas só fica de longe, espiando... Uma hora o “beijo” acontece.
A partir do dia 12 e até 22 de agosto teremos a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Dá uma alegria danada dizer este número, sabia? Ainda por cima sobre algo relacionado ao livro (impresso, principalmente).
Contrariando os catastrofistas e apocalípticos de plantão, o velho e gostoso livro impresso continua a fazer adeptos e a encher (do verbo fazer pensar diferente e melhor) nossos corações e mentes das mais fantásticas e inebriantes sensações... Rompendo fronteiras, quebrando tabus, intercambias culturas e pensares, propiciando encontros...
Da Bienal de São Paulo sou freguês antigo e comigo levo todos os anos amigos, alunos... Em muitos casos, pela primeira vez. E sabe o que acontece? Se encantam também. (E olhe que nem precisa de 25 de março no roteiro, hein?!).
Eu sonho (e parafraseando Mário Sérgio Cortella, não deliro) com livros invadindo as vidas das pessoas em todos os espaços por onde circulam: escolas, igrejas, praças, shoppings, centros comunitários... Eu sonho que, no lugar de uma arma ou cigarro de maconha e pedra de craque, nossas crianças e adolescentes carreguem livros sob os braços, que em cada semáforo, ao invés de pedirem esmolas, participem de campanhas voluntárias de distribuição de livros de literatura para os que ainda não tiveram acesso a eles. Eu sonho que o entusiasmo das ideias – e quantas delas estão nas páginas brancas ou coloridas de livros – possa substituir a maquinação e planejamento do mal (sequestros, assaltos, desvios de dinheiro público etc. etc. etc.).
E não só sonho, faço minha parte nas aulas que ministro, nas palestras que profiro, nos artigos que escrevo, como estou fazendo aqui. Espero, também, prezado leitor, que você pratique o verbo “ajudar alguém a se interessar por leitura”.
Caminhemos...

domingo, 25 de julho de 2010

Vó Janoca e Vô Neuzim


Amanhã é dia dos avós. Aproveitando o embalo da data, decidi dedicar o espaço de hoje aos nossos queridos velhinhos. Parabéns àqueles que contribuíram para com nossa vinda ao mundo. Sintam-se abraçados por mim.
Quero falar, também, da minha relação com meus avós. Vó Júlia e vô Mocim são os pais de meu pai. Com a vó Júlia, eu e meus irmãos, tivemos algum contato. Bem pouco. Éramos muito crianças e o máximo que fizemos foi atormentá-la, coitada, com diabrices. Na ocasião, estava em São Paulo para cirurgia de catarata. Já o vô Mocim, quase não nos relacionamos. Só meu irmão mais velho, o Lúcio, construiu uma afetividade mais profunda com ele. Os dois, hoje, descansam em paz.
Já os pais de minha mãe são nossos segundos pais. Desde que nos entendemos por gente temos contato com eles. Já chegamos a morar um tempo na mesma casa, na saudosa Chácara Piloto, no Jardim TV. Que tempo bom foi aquele. Trepar em mangueiras, goiabeiras e comer fruta do pé. Moer e tomar caldo de cana escondido. Chupar jabuticaba e comer caquis geladinhos, guardados por minha vó.
A vó Janoca e o vô Neuzim sempre estiveram presentes em nossas vidas, nos abençoando e contribuindo com nossa formação. Quantos apertos passamos na infância e esses velhinhos lá, nos ajudando. Criamos uma relação bastante forte. Acho que vamos continuar ligados sempre. Não vai ter nada que nos separe.
Adoro ouvir meu avô contando os causos dele. São história lindas que, se tiver oportunidade, irei escrevê-las um dia. Minha avó, sempre ali do ladinho dele, interrompendo-o para corrigir-lhe um nome ou data equivocada (não sei como ela guarda tanta informação e de modo tão preciso).
Já carregaram tantas coisas nas costas... lenha, lata d’água, trouxas de roupas ora para mudanças repentinas arrumadas pelo meu avô, ora para um açude ou poço próximo para serem lavadas, quaradas e estendidas em alguma cerca de pau sob o sol escaldante que rapidamente secava tudo.
Mas carregaram outras coisas também. Uma família inteira. Até hoje dão guarida para este ou aquele filho que precisar. Casa de fartura, sempre que alguém chega já lhe é oferecido um café, uma bolacha, um pão...
Já disse antes e não canso de repetir: amo vocês, vó Janoca e vô Neuzim. Deus os abençoe sempre.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE.