sábado, 18 de dezembro de 2010

1º ENCONTRO DE ESCRITORES EM ARAÇATUBA GRANDEMENTE PRESTIGIADO



O auditório do SENAC ficou cheio de pessoas que prestigiaram o 1º Encontro de Escritores Independentes de Araçatuba e Região – ENESIAR, ocorrido na manhã chuvosa de sábado do dia 18 de dezembro de 2010 e promovido pelo Núcleo da União Brasileira de Escritores – UBE Araçatuba e Região.
Na plateia estavam diferentes representantes da sociedade: escritores, jornalistas, blogueiros, diretoras de escola, coordenadoras pedagógicas, estudantes universitários, e comunidade em geral de mais de dez municípios da região de Araçatuba.
Como convidados de honra estavam os escritores Joaquim Maria Botelho, Presidente Nacional da UBE, e o Diretor de Integração Nacional, escritor Menalton Braff, que também lançou o romance “Bolero de Ravel”, Editora Global.
Para o Presidente da União Brasileira de Escritores, Joaquim Maria Botelho, a abertura do Núcleo na região de Araçatuba é motivo de grande alegria.


“Estamos certos de que o Núcleo da UBE na região de Araçatuba trará uma grande contribuição no campo da literatura e da formação de leitores. Precisamos de gente nova, de sangue novo para fazer com que as ações de nossa Instituição penetrem na sociedade. Nesse sentido cremos que o Núcleo atende às nossas expectativas. Começa aqui uma forte história da UBE com a região noroeste paulista”, finalizou.

Já para o Coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e Região, o escritor Antonio Luceni, a implantação do Núcleo, além de alegria, traz também uma forte responsabilidade: a de dar continuidade ao trabalho realizado pela UBE nacional há mais de 50 anos.


“Estamos muito felizes, eu e minhas parceiras Lula, Duxtei e Wanilda, com a instalação da UBE em nossa região. Mas ao mesmo tempo, imbuídos de forte responsabilidade por levar adiante o trabalho sério e significativo de tão importante e conceituada instituição que é a União Brasileira de Escritores. O legado deixado por escritores como Mário de Andrade, Sérgio Milliet Paulo Duarte, Afonso Schmidt, Fábio Lucas e, atualmente, pelos confrades Lygia Fagundes Telles, Frei Beto, Lia Luft, Antonio Candido, entre tantos outros precisa ser extensivo em nossa região, e isto não é tarefa fácil, mas que estamos dispostos a cumpri-la”, enfatiza o escritor.

Pela relevância da Instituição e sensibilidade das autoridades locais para com o Encontro, não faltaram personalidades de destaque na cidade. Entre as quais o prefeito de Araçatuba, Aparecido Sério da Silva.




“Araçatuba recebe a partir de hoje mais uma forte colaboradora no incentivo e divulgação do livro, da literatura e da leitura: a União Brasileira de Escritores. Estamos certos de que a atuação da UBE, por meio de seu Núcleo, será das mais promissoras em nossa cidade e região e fará, somara esforços, sem dúvida alguma, para ajudar-nos a construir uma cidade leitora. Sejam muito bem-vindos e contem conosco para o que precisarem”, destacou o prefeito.

O legislativo municipal foi representado por meio da Vereadora Durvalina Garcia que destacou o papel dos vereadores na criação e indicação de projetos e leis de incentivo ao escritor e ao livro.


“Nós já temos em nossa cidade (Araçatuba), uma lei que beneficia as gráficas na compra de papel, com dedução de impostos. Mas isso é pouco, precisamos beneficiar toda cadeia produtiva do livro, desde sua concepção até a sua publicação e distribuição. Para isso, nos comprometemos, na Câmara, e já estamos fazendo isso, em sondar leis existentes em outros municípios e até em esferas superiores à nossa, de forma a trazer essas experiências para nossa cidade e região. A UBE pode contar conosco para aquilo que pudermos realizar e que estiver ao alcance do legislativo”, comprometeu-se a vereadora.

Grande parceiro do Encontro desde o início, o jornal Folha da Região marcou presença em um dos momentos dos trabalhos, por meio da Gráfica e Editora Somos. Para a Editora-Chefe do jornal, Maria Antonia Dario, é muito bom ter a UBE em nossa região.


“A Folha da Região tem o compromisso de qualidade com a informação e com a palavra escrita. Por essa razão, sentimo-nos duplamente honrados da parceria que fizemos com o Núcleo UBE Araçatuba e Região desde o começo, pois acreditamos que é com ações sérias e voltadas para formação de leitores competentes e críticos que podemos formar uma sociedade mais justa e fraterna. Tanto a Folha quanto a UBE têm por meta formar esse cidadão. Não poderíamos ficar de fora desse momento singular na história de nossa região”, destacou.

E também deu uma notícia que pegou todos os presentes de surpresa.

“Gostaríamos de presentear o Núcleo UBE Araçatuba e Região e todos seus associados, com um espaço permanente no Caderno Vida, numa coluna semanal, para que publiquem seus textos, sob coordenação do Antonio Luceni”.

O Presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho fez questão de se levantar e abraçar a representante da Folha, como forma de gratidão pelo gesto na cessão do espaço no jornal.

Por último, a chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação, Patrícia Cardoso Soares, representante da Secretária Beatriz Soares Nogueira, marcou presença no Encontro.


“Essa administração municipal tem uma forte preocupação pelo livro e pela leitura. Exemplo disso foi a distribuição gratuita de livros para todas as quinze mil crianças de nosso Sistema Municipal de Ensino. A presença da UBE em nosso município e região só vem contribuir com nosso desejo de formar uma sociedade leitora. O Antonio Luceni é nosso parceiro e responsável na Rede pelos projetos de Leitura. Temos certeza de que todo o dinamismo e profissionalismo que ele exerce em nossas escolas será extensivo, agora, em sua atuação junto ao Núcleo Regional da UBE”.

Na mesma ocasião foi dada posse aos membros fundadores do Núcleo UBE Araçatuba e região.


Na imagem acima, da esquerda para direita, Antonio Luceni (Coordenador do Núcleo), Joaquim Maria Botelho (Presidente Nacional da UBE), Menalton Braff (Diretor de Integração Nacional), Wanilda Maria Meira Costa Borghi, Marilurdes Martins Campezi (Lula) e Duxtei Vinhas Ítavo, responsáveis pelo Núcleo.

 A manhã foi curta para uma programação tão rica nas áreas da literatura, da leitura e do livro. Na imagem abaixo, momento de descontração e divulgação das publicações da Editora Somos/Folha da Região. (Da esquerda para direita): Arnon Gomes (Folha), Antonio Luceni (UBE) e Flávio Borges (Somos):



Gostaríamos de agradecer vivamente todos que se empenharam para que o Encontro tivesse o sucesso que teve e, ao mesmo tempo, convidar os escritores interessados em se filiarem à União Nacional de Escritores – UBE que o façam por meio do site: ww.ube.org.br, e contribuam e se engajem nas ações do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

Obrigado ao Presidente, Joaquim Maria Botelho, e ao Diretor de Integração Nacional, Menalton Braff, pela doação de seu tempo e agenda, no lançamento do Núcleo UBE em nossa região.





FILIE-SE À UBE: www.ube.org.br. VAMOS, JUNTOS, CONSTRUIR UMA REGIÃO LEITORA.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

FOLHA DA REGIÃO APOIA ENCONTRO DE ESCRITORES


Matéria publicada no Caderno Vida de 10/12/2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

VAMOS ACORDAR, MINHA GENTE!

Antonio Luceni


Nero é que tinha essa mania de querer botar fogo em todo mundo. Diz a história que os jardins de seu palácio eram iluminados com cristãos pegando fogo, presos em colunas. Coisa triste de se pensar e, sobretudo, vivenciar. Ficou famoso por atear fogo em Roma.
Na semana passada escrevi nestas linhas justamente sobre intolerância. Nesta semana voltamos a vivenciar – agora mais de perto – outro caso de desrespeito: um cidadão (até encontrarem nome mais adequado e que possa ser utilizado em jornal de família) que por conta de quereres e vaidades pessoais (qualquer “motivo” irá soar como desculpa, mesmo, não tem jeito) fez a ex-mulher como refém por quase vinte e quatro horas na semana passada, em Araçatuba.
Agora, imaginem a situação: Uma pessoa trabalhando, de repente entra um louco com um revólver, manda todos saírem da sala, joga gasolina sobre a ex e fica por mais de vinte horas torturando-a psicologicamente e ameaçando-a fisicamente.
Vem polícia, vem família, vem juiz e delegada, vem até grupo especial de São Paulo e o cara nada. Ventilou-se uma conversa de que havia alugado um filme para inspirar a ação, cortado cabelo e feito a barba, tudo como manda o “figurino” para realizar a ação.
Em que mundo estamos? Aonde é que vamos parar? Sobre estas coisas que estou questionando. Num momento é intolerância porque a pessoa é negra, noutro porque é homossexual, naquele porque é nordestino, neste “porque”... Há razões para a violência? Há motivos, por mais “honestos e válidos” que sejam para que alguém se dê o direito de sair matando, estuprando, violentando o que quer que seja.
Se ao menos isso acontecesse (e isso pode parecer chocante ou mesmo politicamente incorreto) com quem merece, ou seja, traficante, estuprador, político corrupto, assassino, ladrão, vá lá, mas com gente de bem, trabalhadora, ah, não! Como diria o outro, assim não pode, assim não dá.
Até quando vamos ficar apenas como espectadores assistindo a essas e outras barbáries que acabam virando rotina em nosso meio? Qual é o prazo para que nos indignemos e nos coloquemos às ruas reclamando e exigindo ações mais enérgicas por parte das autoridades, de nossos legisladores, do Estado como um todo para que o cidadão de bem – o que os Direitos Humanos deveriam zelar – possa caminhar em paz pelas ruas, no horário que quisesse voltar para sua casa? Até quando...?
Ainda sou daqueles otimistas que acreditam num final melhor, que unidos podemos mais, que o que vale a pena deve ser validado e estimulado e o que não é tão legal assim não merece ter espaço em nosso meio.
Vamos acordar, minha gente.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

domingo, 28 de novembro de 2010

INTOLERÂNCIA


Antonio Luceni

Três episódios chamaram minha atenção nas duas últimas semanas. O primeiro foi o caso dos jovens agredidos em plena luz do dia por membros de gangues na Avenida Paulista, em São Paulo. O segundo da menina morta pelos próprios pais porque estava namorando numa praça. E o terceiro, a guerra que foi instalada no Rio de Janeiro. Nos três casos a palavra-chave é INTOLERÂNCIA.
No primeiro episódio, algo que acontece de montão nos diferentes municípios brasileiros e que não tem tanta repercussão na mídia: a intolerância contra homossexuais. E o “motivo” foi esse: os adolescentes agredidos eram gays. Até quando a sociedade vai querer fazer vistas grossas para este tema e, guardadas as proporções, assim como Hitler, querer acabar com o diferente, com aquilo que não é considerado viável por alguns. Ainda por cima tive que ouvir a mãe de um dos agressores dizendo que fizeram aquilo porque “eram crianças”. Brincadeira de criança mimada e mal educada.
O segundo episódio é algo ainda mais chocante, em minha opinião. E por dois motivos: primeiro porque os agressores eram pais da vítima, ou seja, aqueles que tinham missão de protegê-la foram seus algozes; segundo, e mais grave, porque resultou na morte da adolescente.
Nos dois casos anteriores intolerância perversa, má, repugnante... Em pleno século 21, com todo o avanço que tivemos na ciência, na educação, na tecnologia ainda assistimos atônitos episódios que nos envergonham como seres humanos, já que nem os chamados animais irracionais cometem tais crueldades contra seus pares se não for para autodefesa. O sexo ainda é um tabu que precisa ser superado. E isso tem que acontecer dentro da família, na escola, na igreja e onde quer que haja aglomeração humana.
Entretanto, houve também uma intolerância boa: a da luta contra as drogas, começada no Rio de Janeiro. Não quero aqui ficar como criança vislumbrada quando acaba de ganhar um doce. Mas é bem verdade que o primeiro passo foi dado.
É preciso, sim, que a caminhada continue agora. Que sejam revistas as questões de fronteiras por onde entram a maior quantidade de drogas e armas que movimentam o crime organizado, é preciso rever os valores familiares e o live revivals do uso indiscriminado de drogas e tudo o mais... (boa parte de quem sobe os morros ou arranca os espelhos dos banheiros de festas são jovens da classe média e ricos), além de equipar e pagar adequadamente os profissionais que arriscam suas vidas por nós.
Mais tolerância para quem precisa de tolerância: livre expressão, às raças, às religiões, às orientações sexuais... Intolerância zero para o tráfico, para o preconceito, para o desrespeito de qualquer natureza, para os que promovem a discórdia e agridem seus semelhantes.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

sábado, 20 de novembro de 2010

OLIMPÍADA DE LÍNGUA PORTUGUESA


Questão de opinião
Antonio Luceni


Na última semana estive envolvido no processo de seleção das produções de texto da 2ª Edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, promovida pelo Ministério da Educação em parceria com o CENPEC e o Instituto Itaú Social.
Foram dias de intenso trabalho e de alegria também.
Trabalho porque realizamos muitas leituras que eram iniciadas às oito da manhã e só concluídas no final da tarde, com curto espaço de tempo para o almoço, o que gerava certo desgaste físico e mental. Alegria porque foi emocionante ler e ouvir tantas experiências das cinco regiões brasileiras e de tantos colegas que dedicam suas vidas à causa da Educação.
Também era muito prazeroso ver adolescentes e jovens no Hotel Transamérica - um dos mais belos de São Paulo - encantados com tudo aquilo. Certamente sempre que se referirem mais adiante aos seus percursos escolares aquele momento será citado como um dos mais importantes. E tudo isso por causa de um texto!
Pois é, desde cedo estes alunos estão percebendo e vivenciando o poder das palavras. Desde cedo podem usufruir um pouco do que o pensamento crítico e reflexivo (uma vez que trabalharam com o gênero Artigo de Opinião) nos proporciona. O quanto interagir de forma engajadora com o meio em que vivemos é importante, o quanto não se deixar manipular pelo o que quer que seja é vigoroso: antes, tomar decisões a partir de razões favoráveis à coletividade.
E tudo era muito mágico: os cafés da manhã e almoços, os passeios pela cidade de São Paulo, as gravações e entrevistas para programas da internet e televisivos, como para o canal Futura, até a premiação no SESC Pinheiros, teatro Paulo Autran.
Ao tomar o elevador num dos dias ouvi o seguinte comentário de uma das alunas presentes: "Está tudo tão gostoso que não queria voltar pra aquela terra cheia de poeira e para uma casa tão feia.". É, muita coisa precisa ser mudada nesse Brasil brasileiro. E a partir da escrita já é um bom começo!
Gostaria de parabenizar a todos os envolvidos no processo (MEC, CENPEC, ITAÚ SOCIAL e demais colaboradores) e agradecer ao pessoal do CENPEC pela possibilidade que me possibilitaram no convite para integrar a Comissão Julgadora de textos e às colegas de trabalho: Ana Cláudia (Tocantins), Rozeli, Zezé e Estela (São Paulo) e à amiga Maria Lúcia Terra que, comigo, contribuiram na seleção dos textos.
A próxima fase, a final, será em Brasília/DF, ocasião em que serão anunciados os finalistas e em que receberão das mãos do Presidente Lula e do Ministro Fernando Haddad a premiação final. Certamente será outro momento emocionante para tantas crianças, adolescentes e adultos.
E que bom que os alunos e professores estejam sempre envolvidos e entusiasmados com as coisas da Educação. E que bom que ações como essa não sejam privilégio de um ou de outro, mas que a rotina em nossas escolas em todo o Brasil seja sempre cheia de boas e significativas experiências.
E que venham as próximas edições.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e Região.


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ENESIAR


PARTICIPE E AJUDE NA DIVULGAÇAO.
O CARTAZ E A LOGOMARCA DA UBE ARAÇATUBA E REGIAO FORAM FEITOS PELO TALENTOSO CARTUNISTA ORLANDELI, DE RIO PRETO.

sábado, 13 de novembro de 2010

ABAIXO A DITADURA


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com


Há algumas semanas acompanho uma polêmica criada em Araçatuba a partir de algo bastante simples, no meu modo de pensar: uma pintura em grafite num dos muros do I.E. (Instituto Educacional Manoel Bento da Cruz).
Tomei conhecimento das discussões por meio do jornal que dedicou vasto espaço em suas páginas a fim de problematizar o irrelevante. E foi acompanhado por promotor, professores, artistas e tudo o mais.
Uns se posicionaram contra: “Onde já se viu, pintar um muro com folhas de maconha?”, “Isso não deveria estar pintado no muro de uma escola, onde é que nós vamos parar?”...
Outros refutaram a polêmica: “Todos temos direito de dizer, tocar, dançar e pintar o que quer que seja, estamos em um país livre”, “Querem nos fazer calar, mas não vão conseguir.”...
E os próprios grafiteiros, depois de terem sua obra violada, não deixaram por menos: “O graffiti nasceu sem algemas, não é você quem irá colocá-las”, respondendo ao promotor de justiça que agora acompanha o caso.
Dias depois conversava com um diretor de uma outra escola estadual da cidade e não entramos num acordo com relação ao acontecido. Ele insistia que a pintura não deveria estar num muro de escola porque era forte propaganda e incitação para os jovens. Tentei argumentar dizendo que todos os assuntos e temas são, por natureza, de interesse da escola. Afinal, se não tivermos liberdade de pensamento e reflexão na escola, onde mais os teremos?
Achei adequada a preocupação do promotor e da direção da escola de quererem privar a integridade dos adolescentes e jovens daquela instituição. É verdade que isso deve ser a meta de todos que se relacionam com a infância e a juventude... com o ser humano. Mas fiquei pensando numa frase proferida pelo grande artista Pablo Picasso quando foi interpelado por um General em uma de suas exposições em que o conhecido painel “Guernica” era exibido. Com tom de desdém o general lhe perguntou, referindo-se à obra: “Quem fez isso?”, e na mesma intensidade de ironia Picasso respondeu: “Vocês!”.
E não estava respondendo a verdade? Picasso não fez guerra nenhuma. Não tinha autonomia para iniciá-la. O que ele fez foi simplesmente retratá-la e, a partir do momento em que a obra ficou pronta, provocando ideias tantas a despeito dos horrores que a guerra provoca e tudo mais.
Quando os grafiteiros – ou quaisquer outros artistas – colocam em suas obras os horrores sociais (entre os quais as drogas) será que estão produzindo-os ou apenas REproduzindo-os? A discussão do uso e do estímulo ao uso das drogas atravessam outras questões bem mais intensas e nocivas do que uma linda e provocativa pintura: entram questões de controle de fronteiras, por onde as drogas entram; pela questão de segurança social, equipando, treinando e pagando policiais para que prestem um serviço de qualidade; pelo controle do capitalismo desenfreado, uma vez que a indústria do álcool e do tabagismo ainda impera em nosso meio levando adolescentes, jovens e adultos cada vez mais cedo para o vício de tais drogas; passa pelo exemplo – certamente alguns dos que criticaram e apagaram o grafite feito no muro da escola fumam e bebem na frente de filhos e alunos: será que isso não é estímulo pior e mais direto?
Se há problemas com a falta de exemplo nas escolas brasileiras, há que se começar dentro dos muros e depois ir para fora deles. Se há preocupação verdadeira com adolescentes e jovens araçatubenses, então que se revejam sua presença nos faróis da cidade (que a cada dia estão mais cheios), no alto da Avenida Brasília, com adolescentes e jovens se prostituindo, nas bocadas de muitos bairros periféricos de nossas cidades que intoxicam crianças, adolescentes e jovens no percurso de casa para a escola, chegando drogados nas instituições para que o professor “se vire” com eles.
Vamos cuidar da raiz do problema, para que a árvore possa dar frutos.


Antonio Luceni é escritor e professor. Diretor de Cultura de Araçatuba entre os anos 2005 e 2008.

domingo, 7 de novembro de 2010

Monteiro Lobato: um provocador


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Monteiro Lobato sempre foi um grande provocador, e no melhor dos sentidos. De personalidade forte, não media palavras quando tinha que expor aquilo que pensava ou achava do que quer que fosse.
Sempre com posturas arrojadas, foi pioneiro em dizer sobre a presença de petróleo em terras brasileiras, em combater o militarismo, em propor a independência de pensamento, de ideais, da conquista do humanismo contra a coisificação de massas e do capitalismo desenfreado. Pagou preço caro por isso.
Há algumas semanas, discutíamos num grupo de estudo em leitura sobre a presença de racismo em sua obra, inclusive sendo citados trechos de um de seus livros em que fazia uso de palavras fortes ao se referir ao negro, por um dos participantes.
Propus a reflexão:
Quem, das personagens lobateanas, representa o próprio Lobato? Emília, é claro. Quem foi que fez a Emília? Tia Nastácia. Uma negra, não é mesmo? Pois é, Monteiro Lobato escolhe uma negra para que crie a personagem a partir da qual irá ser sua porta-voz. E onde está o preconceito, então?
Além da Tia Nastácia há outros tantos personagens negros em suas histórias: Tio Barnabé e o Saci, por exemplo. Aliás, este último foi objeto de um grande concurso e pesquisa promovidos por ele à frente de um grande jornal da época.
Nesta semana publicou-se uma série de matérias sobre a possível censura de um de seus livros por acharem elementos de preconceito racial nele. Não se deram conta de que quando fala por meio de seus personagens não é o próprio Lobato quem está falando. Também não foi levado em consideração que, ao dar a voz a uma personagem – sobretudo à Emília, subversiva e reacionária, – está, de certo modo, nos provocando. Afinal, será que o preconceito racial, entre tantos outros, ainda não sobrevive em nosso meio, ainda que de forma velada?
Pois é, o que Monteiro Lobato faz é colocar na boca de Emília aquilo que nós (e coloco no plural como forma de representar um pensamento coletivo e não por concordar com isso) gostaríamos de falar e, por hipocrisia, não falamos. Sendo assim, mesmo em também ele não comungando com tais ideias, lança luzes sobre o tema e nos provoca a discussão. Até nisso foi visionário. Enxerga “petróleo” onde ninguém acha que tem, mas existe, sob quilômetros de profundidade, mas é só escavar pra ver.
Se haverá censura para Lobato, então que peguemos todos os livros, incluindo os mais sagrados e queridos, e verifiquemos se há neles preconceito contra mulheres, contra crianças, contra os negros, contra os homossexuais, contra os judeus, os evangélicos, os umbandistas, contra o que quer que seja e saiamos a colocar tarjas sobre eles: PROIBIDO, RESTRITO A..., INADEQUADO PARA...
E ainda dizem que vivemos num País democrático.


Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

MIGUEL, UM FORTE GUERREIRO


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Miguel é mencionado na Bíblia como um arcanjo, líder de exércitos de anjos. No livro de Judas, no versículo 9, luta contra o próprio diabo, vencendo-o. Não à toa o significado de Miguel é “igual a Deus”.
Nós também temos nosso Miguel em nossa família. Assim como o bíblico é um forte guerreiro. Apressado como muitos na família, veio ao mundo dois meses antes do previsto e, por isso, teve que ficar lutando pela vida por mais de um mês. E venceu.
Quem olha para ele nem acha que nasceu prematuro. Pelo contrário, forte como muitas crianças de período certo é vivo, de olhos cativantes e um grito que pode ser ouvido a metros de distância.
Veio fazer companhia para a irmãzinha Júlia que, do ciúme inicial, é a cuidadora do caçula.
Com Miguel, agora somam seis sobrinhos lindos. A primeira leva já moços: Rafael, Daniel e Felipe. Nessa última, os bebês da família: Júlia, Letícia e Miguel.
Se as crianças são o reino do céu, nossa casa já está praticamente o Paraíso!
Aí me veio o acróstico:


Muitas bênçãos para você, meu sobrinho.
Iluminado desde o nascimento, veio para dar mais alegria a todos nós.
Grandes coisas o Senhor tem para sua vida e de sua família.
Um caminho lindo está por vir para você.
Estejamos todos prontos para abençoar sua vida e acolhê-lo.
Lindalva, Marcelo e Júlia: cuidem bem de nosso Miguel.

sábado, 30 de outubro de 2010

AMIGA DAS ALMAS


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

E vagava triste pelo mundo... Já estava enfadada, quase enjoada mesmo, no convívio com
aquela carcaça que lhe prendia. Na infância era mais gostoso. Sim, porque vivia para lá e para cá, como filha do vento. Subia em mangueiras e goiabeiras, fazia guerra de lama quando a chuva acabava, dormia e se esquecia dos problemas da vida... Aliás, os problemas não a incomodavam. Se a barriga estivesse cheia e houvesse um canto quente para se deitar, os problemas não existiam.
Na juventude também corria para lá e para cá, mas era uma corrida estranha, sem muita lógica, com horários pré-determinados pra tudo. Na verdade, esse tipo de corrida não tinha muita graça. A barriga quase sempre estava vazia (o almoço muitas vezes era substituído por um lanche rápido ao pé da mesa do trabalho ou num canto qualquer de um barzinho) e dormir era um luxo permitido somente em feriados prolongados ou aos domingos (isso quando não tinha que concluir trabalhos em casa).
A velhice chegou. As companhias costumeiras já não eram tão constantes assim. Ao contrário, passou a se relacionar diariamente com pessoas com as quais nunca tinha convivido e, certamente, não teria tempo para conviver. A barriga agora era cheia, não de comidas – até porque lhes tinham proibido quase tudo –, mas de remédios; se fosse seguir a dieta do médico tinha que comer vento e beber água de sobremesa.
Começou a flertar com ela. Começou a se relacionar transversalmente com ela porque não tinha coragem de lhe encarar no rosto, de lhe fitar nos olhos... Como dois namorados tímidos, trocaram insinuações, desejos proibidos, murmúrios solitários... E todos à sua volta percebendo algo estranho: “Pare com essas conversas bobas, mamãe... onde já se viu falar uma coisa dessas?”.
E a velha nem aí. Fazia-se de doida – a idade já lhe permitia dessas mazelas – e esboçava um quase-sorriso no canto da boca, olhando para o nada, para o vazio... (ou a estaria flertando novamente?).
Certa noite, combinaram algo: dormiriam juntinhas, uma afagando a outra. Trocariam segredos, diriam coisas tolas, as últimas palavras. Não fariam escândalo para não chamar a atenção de ninguém e assim também não dariam vazão para que interferissem nesse plano. Quando todos acordassem pela manhã, tudo já teria acontecido. Tudo estaria consumado.
Desse jeito foi feito. Passaram a noite se divertindo, uma despedida de solteiro (é certo que seria uma despedida; de solteiro, talvez não, mas até acharmos um nome adequado para o fato seria delongado demais... quem ficar por aqui que se dê o trabalho de achar um; há coisas mais importantes para fazer agora).
Não precisou amanhecer o dia para que a viagem acontecesse. Numa fração de segundo lá estava ela: solta, livre, correndo para cá e para lá novamente. Deixou para trás a armadura pesada e enferrujada que a prendia e estava a correr de novo pelos campos, a trepar em árvores, a chupar mangas e jabuticabas, a colher flores pelo caminho. Já não tinha mais preocupações, problemas não existiam, conseguira novamente ser quem realmente era.
No final do dia (o dia não acaba nunca lá!) estava de barriga cheia e até tinha um cantinho quente caso quisesse dormir, mas não queria. Queria mesmo era continuar brincando e correndo para lá e para cá, com o vento penteando os pelos de sua face.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

ENTREVISTA CONCEDIDA PARA FOLHA DA REGIÃO

domingo, 24 de outubro de 2010

O seminário de leitura foi um sucesso


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Na semana passada anunciei nesta coluna o cronograma de palestras do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”.
Hoje, deixo resumo das atividades da semana, a saber:
Dia 19/10, à tarde: O primeiro momento foi uma visita do escritor e palestrante de abertura do evento, Ricardo Azevedo, à EMEB Fausto Perri, no bairro Umuarama.
Havia meses os alunos daquela escola, sob orientação da diretora Maísa Bichir e seus colaboradores, estavam lendo e desenvolvendo atividades a partir das obras do escritor.
A culminância aconteceu com a visita dele, momento em que os alunos apresentaram pecinhas de teatro, declamaram poemas, teatro de fantoches e muito mais. Também tiveram oportunidade de ouvir, direto da fonte, algumas histórias e a própria história do escritor Ricardo Azevedo.
Dia 19/10, à noite: O escritor procurou estabelecer um contraste entre os textos técnicos (que disse terem a devida importância) e o texto estético, privilegiando o segundo como forte instrumento e HUMANIZAÇÃO. Buscou ainda, discutir sobre a falta de espaço que há nas escolas brasileiras para os textos de ficção e poesia. Problematizou o fato de cada vez mais os textos técnicos e pedagógicos terem espaço nos bancos escolares, COISIFICANDO o ser humano, justamente por serem (os textos técnicos e pedagógicos) dogmáticos, buscarem uma única e voz comum, por terem um fim específico etc. Propos que reolhássemos os textos literários e suas contribuições como elemento do inexplicável, da imaginação, da fantasia, do universal, da democracia e pluralidade de vozes etc.
Dia 20/10: Mesa de discussão com integrantes do Grupo de Estudo em leitura e literatura infantil e juvenil da Secretaria Municipal da Educação. Cada um dos membros da mesa fez uma abordagem de um aspecto diferente da leitura e da literatura, sendo: Maria Lúcia Terra, Patrícia Cardoso Soares, Nara Leda Franco, Cristiane Magalhães Bissaco e Marister Vasques Falleiros.
Dia 21/10: Cantando, contando, discorrendo sobre projetos que implantou por esse Brasil a fora, Francisco Gregório Filho agradou gregos e troianos! Coisa difícil de acontecer, mas foi exatamente isso. Os comentários foram dos mais diversos, mas todos eles convergindo num ponto: o encontro foi apaixonante. Gregório demonstrou na prática o que significa se relacionar com literatura e poesia.
Dia 22/10: Numa sexta-feira, sete e meia da noite, Ezequiel Theodoro da Silva seduziu a todos com suas piadas, suas canções e, principalmente, com o seu saber com sabor. Foi um momento bastante rico em que foram retomadas desde a importância da presença do professor na sala de aula como alguém com sentimento, com vida, com emoções e que, por esse motivo, também precisa trabalhar (e só um ser humano faz isso) com a diversidade presente em nossas escolas.
Dia 23/10: O quinto e último dia do Seminário contou com dois importantes momentos: A palestra da professora doutora Renata Junqueira de Souza da Unesp de Presidente Prudente e com as Oficinas Pedagógicas, ministradas pelos profissionais do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba. Em ambos os casos os participantes teceram muitos elogios pelas abordagens feitas e pelo encaminhamento dos mesmos.
Gostaria de agradecer vivamente todo apoio dado pelo prefeito Cido Sério e pela Secretária da Educação, Beatriz Soares Nogueira. Agradeço também a todos os membros da Comissão Organizadora, bem como os demais colaboradores da Secretaria que contribuíram para o sucesso deste evento. A ausência de nomes é na tentativa de não ser injusto com ninguém. Portanto, todos se considerem abraçados por mim.
E que venha o próximo Seminário de Leitura!

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região, Coordenador Geral do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”.

Renata Junqueira de Souza e oficinas pedagógicas


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

O quinto e último dia do 1º Seminário da Leitura e Literatura Infantil e Juvenil contou com dois importantes momentos: A palestra da professora doutora Renata Junqueira de Souza da Unesp de Presidente Prudente e com as Oficinas Pedagógicas, ministradas pelos profissionais do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba, coordenadas pela professora Luciane Pavan, membro da Comissão Organizadora do Seminário.
Na palestra, a professora Renata Junqueira fez algumas abordagens sobre Estratégias de Leitura nas séries iniciais (Ensino Infantil e Fundamental), a partir da pesquisa de pós-doutorado dela nos Estados Unidos e na experiência de aplicação da referida proposta com cidades dos Estados Unidos, Presidente Prudente e Minho, em Portugal.
A pesquisa que foi publicada no livro: Ler e escrever, estratégias de leitura, Mercado de Letras, foi o objeto da palestra e teve seu lançamento no final dela.
Uma discussão bastante rica e interativa em que os professores e demais profissionais da educação que lá estiveram presentes puderam tirar dúvidas, tomarem consciências das mais atuais propostas no campo da leitura e da literatura em países desenvolvidos e nas principais colocações do PISA (programa internacional ligado à UNESCO que avalia diferentes países do mundo, entre as quais, na área da leitura).
Como não poderia ser diferente, também algo bastante significativo para Rede.
Com relação às oficinas pedagógicas, um primor. Os profissionais da nossa Rede deram um show na discussão e, principalmente, aplicação de propostas e sugestões de trabalho com o texto literário infantil. Não houve quem não saísse das oficinas entusiasmado e falando bem do que tinha aprendido nelas.
Gostaria de agradecer o empenho de todos que doaram parte de seu tempo na construção, tão rica, desse momento. Parabéns à Luciane Pavan e seus colaboradores que também se empenharam muito para que essa etapa tivesse o sucesso que teve.
Saio desse seminário como quem lava as mãos: alguns resíduos ainda estão nelas, o frescor é tão presente e marcante, a leveza e a suavidade do cheiro bem são satisfatórios.
Obrigado, Beatriz, por ter-me concedido essa oportunidade; obrigado Patrícia, Ana e equipe, Custódio e equipe, Maria Lúcia Terra e equipe, Raquel e equipe, Claudinha Sato, enfim, a todos que direta ou indiretamente contribuíram para que esse Seminário tivesse o êxito que teve.
Meu muito obrigado....

Ezequiel Theodoro da Silva


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

Quando o conheci, na pós-graduação da Unesp de Presidente Prudente, a primeira impressão que tive foi de um cara carrancudo, inacessível, que só estava alí "cumprindo tabela".
Ainda bem que me enganei.
O Ezequiel não é muito de sorrir, não. Ao menos em sala de aula. Mas isso não quer dizer que seja uma pessoa triste ou amargurada. Ele tem aquele humor seco e irônico dos intelectuais.
Parece mesmo um mineirinho, que quietinho e com seu jeitinho vai conquistando a todos. E foi exatamente assim que aconteceu na palestra do dia 22/10. Numa sexta-feira, sete e meia da noite ele seduziu a todos com suas piadas, com suas canções e, principalmente, com o seu saber com sabor.
Foi um momento bastante rico em que foram retomadas desde a importância da presença do professor na sala de aula como alguém com sentimento, com vida, com emoções e que, por esse motivo, também precisa trabalhar (e só um ser humano faz isso) com a diversidade presente em nossas escolas.
Propôs a leitura como algo emancipador, que nos tira do lugar comum e os faz ver o mundo à nossa volta com criticidade, com um olhar mais refinado. A leitura DESvela, DEScobre, DESnuda as coisas para que possamos enxergá-la além do trivial, além do que os olhos e a maioria das pessoas veem.
Foi muito bom tê-lo conosco, Ezequiel. Volte sempre.

Na imagem acima, da esquerda para direita: Raquel Pozelato, Ana Cláudia Vasconcelos, Patrícia Cardoso, Maria Lúcia Terra, Ezequiel Theodoro da Silva, Antonio Luceni e Cláudia Sato.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Entrevista para Folha da Região - Seminário de Leitura

O ENCANTADOR DE HISTÓRIAS


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

A terceira noite do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil de Juvenil "Araçatuba Leitora" foi uma celebração à vida!
Conheci Francisco Gregório Filho num congresso internacional de leitura e literatura infantil e juvenil em Porto Alegre/RS. Foi paixão à primeira vista. Com seu entusiasmo explícito e sabedoria contida, cativou a todos os presentes com seu jeito aglutinador de ser, com sua voz mansa e tranquila e com muita, muita história para contar...
Ontem foi a vez de Araçatuba conhecê-lo. Cantando, contando, discorrendo sobre projetos que ele implantou por esse Brasil a fora, agradou gregos e troianos! Coisa difícil de acontecer, mas foi exatamente isso.
Os comentários foram dos mais diversos, mas todos eles convergindo num ponto: o encontro foi apaixonante.
Gregório demonstrou na prática o que significa se relacionar com literatura e poesia. No discurso envolvente personagens de nosso folclore, a mistura de raças e credos, a valorização da própria história, as muitas possibilidades de mergulhar num texto... Tudo estava lá, dito, posto e proposto...
E que venham os outros dias do Seminário.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mesa de discussão em leitura e literatura infantil e juvenil


Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

20/10/10 - Mesa de discussão em leitura e literatura infantil e juvenil.

Palestrantes:
Profa. Dra. Cristiane Magalhães Bissaco
Profa. Ma. Patrícia Cardoso Soares
Prof. Me. Antonio Luceni
Profa. Esp. Maria Lúcia Terra
Profa. Ma. Marister Vasques Falleiros
Prof. Ma. Nara Leda Franco

Título da palestra: Rapsódia literária: aspectos da leitura e da literatura infantil, com o Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal de Educação de Araçatuba.

Comentário: Pela característica da mesa de discussão, as apresentações feitas tiveram o tempo individual de 20 minutos cada uma em que os comunicadores abordaram um aspecto específico da leitura ou da literatura infantil. A professora doutora Cristiane Magalhães Bissaco expôs uma experiência feita em duas escolas municipais com crianças do Maternal sobre estímulos para ler, resultado de um estudo de caso feito a partir de discussões e propostas suscitadas no Grupo de Estudo; a professora mestra Nara Leda Franco discutiu sobre a presença da metáfora na obra de Chapeuzinho Vermelho como elemento colaborador para a manutenção do referido conto; a professora mestra Marister Vasques Falleiros fez várias abordagens sobre os objetivos e formas de leitura, as contribuições trazidas por métodos e formas adequados no ato da leitura e produção de textos; a professora mestra Patrícia Cardoso Soares discutiu sobre a presença do professor coordenador pedagógico como importante mediador na discussão, elaboração e construção de momentos e espaços que privilegiem a leitura e a literatura nas emebs do Sistema Municipal de Ensino, dando exemplos a partir de experiências da própria Rede; a professora especialista e diretora da equipe de supervisão, Maria Lúcia Terra, fez uma análise comparativa da presença da personagem "bruxa" ao longo da história da literatura infantil no mundo, discutindo a presença de arquétipos nessa personagem como forma de contribuição na formação intelectual e de caráter dos seus leitores. A mediação dos trabalhos da mesa foi feita por mim.

Palestra com Ricardo Azevedo


19/10/10 - Palestra de abertura do 1º Seminário de leitura e literatura infantil e juvenil.
Palestrante: Ricardo Azebedo: escritor e ilustrador paulista, é autor de mais cem livros para crianças e jovens, entre eles Um homem no sótão (Ática), Lúcio vira bicho (Cia. das Letras), Aula de carnaval e outros poemas (Ática), A hora do cachorro louco (Ática)e o Livro dos pontos de vista (Ática). Ganhou quatro vezes o prêmio Jabuti com os livros Alguma coisa (FTD), Maria Gomes (Scipione), Dezenove poemas desengonçados (Ática) e A outra enciclopédia canina (Companhia das Letrinhas), o APCA e outros. Tem livros publicados na Alemanha, Portugal, México, França e Holanda. Bacharel em Comunicação Visual pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo. Pesquisador na área de cultura popular. Professor convidado em cursos de especialização em Arte-Educação e Literatura. Tem dado palestras e escrito artigos, publicados em livros e revistas, abordando problemas do uso da literatura de ficção na escola.

Título da palestra: Sistema Cultural dominante, didatismo e literatura

Comentário: O escritor procurou estabelecer um contraste entre os textos técnicos (que disse terem a devida importância) e o texto estético, privilegiando o segundo como forte instrumento e HUMANIZAÇÃO. Buscou ainda, discutir sobre a falta de espaço que há nas escolas brasileiras para os textos de ficção e poesia. Problematizou o fato de cada vez mais os textos técnicos e pedagógicos terem espaço nos bancos escolares, COISIFICANDO o ser humano, justamente por serem (os textos técnicos e pedagógicos) dogmáticos, buscarem uma única e voz comum, por terem um fim específico etc. Propos que reolhássemos os textos literários e suas contribuições como elemento do inexplicável, da imaginação, da fantasia, do universal, da democracia e pluralidade de vozes etc.

IMAGEM: O escritor ladeado por este blogueiro e a professora Doutora Renata Junqueira de Souza, do CELLIJ/UNESP de Presidente Prudente, que veio daquela cidade para prestigiar o escritor.

ABERTURA DO 1º SEMINÁRIO DE LEITURA E LITERATURA INFANTIL E JUVENIL



"Deus quer, o homem sonha e a obra nasce", bem disse Fernando Pessoa.
Há tempos vínhamos gestando um espaço que privilegiasse a discussão da leitura literária em nosso Sistema Municipal de Ensino, em Araçatuba. E não era um sonho doido, desligado da realidade. Era o desejo de uma necessidade em discutir e propor ações que contribuissem para que o livro literário e a poesia tivessem o olhar que mereciam.
Pois é, a obra nasceu! Desde o dia 19 de outubro estamos envolvidos neste sonho. O primeiro momento foi uma visita do escritor e palestrante de abertura do evento, Ricardo Azevedo, à EMEB Fausto Perri, no bairro Umuarama.
Havia meses os alunos daquela escola, sob orientação da diretora Maísa Bichir e seus colaboradores, estavam lendo e desenvolvendo atividades a partir das obras do escritor.
A culminância aconteceu com a visita dele, momento em que os alunos apresentaram pecinhas de teatro, declamaram poemas, teatro de fantoches e muito mais. Também tiveram oportunidade de ouvir, direto da fonte, algumas histórias e a própria história do escritor Ricardo Azevedo.
A Secretária da Educação, Beatriz Soares Nogueira, e grande parte de sua equipe compareceram ao evento para prestigiar e mostrar de perto para o escritor parte do grande projeto para formar Araçatuba como uma cidade leitora.
Foi um momento bastante rico, particularmente para as crianças daquela escola, já que tinham a ideia de escritor como uma entidade quase inexistente.
Valeu, Ricardo!!!

domingo, 17 de outubro de 2010

ARAÇATUBA LEITORA


“Ler é muito mais do que decifrar palavras...”. É assim que começa o poema “Aula de leitura” do escritor Ricardo Azevedo.
Paulo Freire, renomado e importante educador brasileiro, também fez essa reflexão por meio de vários textos, sugerindo que somente lemos quando nossa leitura é algo maior, é a “leitura de mundo”.
Todos os dias e em todos os momentos estamos submetidos a ler. Procure observar tudo que está à sua volta: as pessoas, as coisas, as propagandas, os livros, a internet, o céu (será que vai chover?)... Verifique como seu marido, mulher, filho, pai ou mãe chegam do serviço ou da escola. Será que é hora de pedir alguma coisa pra ele ou ela? Ou é melhor deixar para mais tarde?
É por essa razão que a leitura e tão importante em nossas vidas. É por meio dela que nos relacionamos com as demais pessoas. É partir dela que entramos em contato com conhecimentos e vivências que certamente seria muito difícil (em alguns casos, impossível) não fosse pela leitura.
Hoje é o primeiro dia de outros quatro que se seguem do 1º Seminário de Leitura e Literatura Infantil e Juvenil “Araçatuba Leitora”, organizado pela Secretaria Municipal da Educação e sob minha coordenação.
Serão dias de importantes discussões e reflexões (que virarão ações nas práticas das centenas de profissionais de nosso Sistema de Ensino) com o que há de melhor nessas áreas.
A palestra de logo mais à noite, na UNIP, é com o escritor Ricardo Azevedo, doutor pela USP e ganhador de diversos prêmios importantes de literatura, entre os quais vários Jabutis.
Amanhã é a vez do Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal da Educação de Araçatuba, representado pelas professoras Maria Lúcia Terra, Cristiane Bissaro, Marister Falleiros, Patrícia Cardoso Soares, Nara Leda Franco e por mim, no auditório do SENAC, a partir das 19h30min.
Na quinta-feira é a vez do escritor, contador de histórias e Secretário da Leitura (imaginem só, já há no Brasil uma Secretaria da Leitura) de Nova Friburgo/RJ. Uma figuraça que tive o privilégio de conhecer num congresso internacional de leitura em Porto Alegre. Certamente, assim como eu, quem estiver presente vai se encantar com ele.
Na sexta-feira é a vez do professor doutor, e também escritor, Ezequiel Theodoro da Silva, da Unicamp. Um dos fundadores do COLE (Congresso de Leitura da Unicamp) que já está em sua 18ª edição. Também na UNIP, à noite.
Para encerrar o Seminário, no sábado pela manhã, UNIP, a professora doutora Renata Junqueira de Souza do Centro de Pesquisa em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Unesp/Presidente Prudente ministrará uma palestra que discutirá a leitura e a literatura no Ensino Infantil e Fundamental, além das oficinas pedagógicas que serão realizadas por profissionais da Rede.
Gostaria de agradecer publicamente ao prefeito Cido Sério e à Secretária de Educação, Beatriz Soares Nogueira, por serem sensíveis ao tema e proporcionado esse momento tão rico e importante para os profissionais do Sistema Municipal de Ensino.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE, e diretor do Núcleo UBE Araçatuba e região.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A beleza de ser um eterno aprendiz...


A vida é uma grande escola, e todos nós sabemos disso: há lições que são aprendidas de modo mais prazeroso, causando-nos entusiasmo no aprender, no refletir às questões propostas por elas; outras, ácidas, áridas, desconfortantes...
Assim como na escola, há também na escola da vida a seriação: algumas pessoas estão mais adiantas (evoluídas?!) que as outras; outras, ainda estão no be-a-bá.
Assim como na escola, há os que ficam de recuperação em algumas matérias (solidariedade, respeito, fraternidade...), mesmo sendo aprovados em outras.
A verdade é que estamos todos nós aprendendo, ou, como diria Rosa, "de repente" aprendendo.
Minha vocação para ser professor estava no sangue. Minha mãe foi (e continua sendo) minha grande mestra. No interior do Ceará, no sítio da Pitombeira, ela já reunia vizinhos, irmãos e até o filho mais velho (meu irmão Lúcio) para, voluntariamente, encaminhar-lhes pelas primeiras letras. Quando veio para São Paulo, o ofício foi abandonado por falta de diploma. Entretanto, continua ensinando a todos nós.
Desde muito cedo (não vou falar pequeno porque ainda continuo a sê-lo) lembro-me sonhando com uma sala de aula, onde crianças, jovens e adultos ouviam com atenção aquilo que eu dizia. Quando terminei o 1º grau não tive dúvidas: "Vou fazer magistério".
Foi no CEFAM que iniciei nessa carreira que até hoje me sustenta física e intelectualmente. Também foi lá que tive contato com grandes mestres: Cleonice Guedes Pavan, Adilson Henriques, Kátia Nascimbeni, Giovanni e Ivone Baldan, Milka, Nilce, Bete, Zilda, Marquinhos, Osmarina, Júlia... só para citar alguns (e os outros que me perdoem).
O curso de Letras na Toledo, a pós-graduação na Unesp e o mestrado na UFMS renderam boas amizades e muito conhecimento. Desses lugares trago a amizade e o respeito pelos mestres Tito Damazo, Roseli Ibernom, Ester Mian, Patrícia Bertoli, Valdir Mendonça, Renata Junqueira, Ricardo Azevedo, Ezequiel Theodoro da Silva, Luís Camargo, José Batista de Sales, Belon, Sheila Maciel, Edgar Nolasco, Carlos Fantinati...
Gostaria de agradecer a todos meus mestres (os aqui lembrados e os que não citei) pelo tempo que dedicaram a mim e a meus colegas na comunhão do sabe(o)r das letras. Grande parte do que sou hoje (mesmo não sendo grande coisa) devo a vocês. Eternamente serão lembrados por mim com a reverência, respeito e admiração com que merecem ser.
Feliz dia dos professores.

Do discípulo,

Antonio Luceni

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vinde a mim...


Dia 12 dia das crianças... E qual dia não o é, não é mesmo?!
Só quem tem criança em casa para se dar conta de que todo dia é dia delas. Se são recém-nascidas o choro não nos deixa esquecê-las por um minuto: num momento é cólica; noutro, fome; num outro, sono; num terceiro, cocô ou xixi incomodando-as.
Depois elas vão crescendo e aí você pensa que vai tudo ficar bem. Ledo engano: quando elas começam andar o desespero aumenta. Haja pernas para acompanhar aquelas perninhas que não param um só minuto no lugar. E, parece, sempre os piores lugares elas buscam para se enfiar. São verdadeiros suicidas (inocentes, é bem verdade, mas não o deixam de ser!).
Aí vem a adolescência: fase dos cabelos coloridos e esquisitos, aquelas roupas cheias de fluflu, a primeira paixão, os primeiros campeonatos e acampamentos fora de casa. As preocupações são redobradas.
Depois vem a faculdade, os estágios e, mesmo depois de formados, aqueles marmanjões dando despesas em casa e achando que ainda são crianças. Mas às vezes acho que são mesmo. Continuam sendo para os pais aqueles meninos e meninas dependentes (e a gente acaba nem achando tão ruim assim; basta estalarem os dedos que a gente está lá, prontos para socorrê-los).
Como diria Vinicius de Moraes: “Filhos, melhor não tê-los, mas se não tê-los como sabê-los”. A gente acaba sendo imortal neles, sabe. Talvez por isso os acolhamos sempre, nos importemos com eles... De certa forma é um egoísmo sacrossanto querer a perpetuação da nossa própria vida por meio da continuidade deles.
A verdade é uma só: onde tem criança há alegria, há energia, há graça, sinceridade, honestidade, verdade... Onde tem uma criança, mesmo as caras mais carrancudas se derretem, os corações mais angustiados encontram um momento – por mais efêmero que seja – de paz.
Não à toa Jesus pediu para que não impedissem de as crianças se aproximarem dele. Na própria visão do Mestre, as crianças eram – e portanto ainda são – a metáfora para quem quer chegar no céu.
Monteiro Lobato, também cansado das hipocrisias e discrepâncias dos adultos, encontra na imagem das crianças o lugar da esperança e é para elas que irá propor os seus diálogos, esperando na formação crítico-reflexiva de sua obra jovens e adultos mais adequados para transformar o mundo num lugar bom de se viver.
Que cada criança que há em nós seja cultivada diariamente e que a esperança sempre nos encontre de braços abertos para o que der e vier.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e região.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Yeda Pazian - uma artista



Primeiro me veio a educadora: Diretora da Rede Municipal de Ensino de Araçatuba, na EMEB Enoy Chaves, no bairro Panorama. Uma escola de Educação Infantil pra cima, alegre, colorida, com excelentes profissionais e com um jardim que é uma beleza.
Em seguida me veio a colega de trabalho: A partir do início do Grupo de Estudo em Leitura e Literatura Infantil e Juvenil da Secretaria Municipal da Educação passamos a nos relacionar profissionalmente nas discussões do grupo, nas propostas e ações de leitura voltadas para as séries iniciais...
Por último, me veio a artista: Uma artista de mão cheia, ou melhor, de tela cheia. Cheia de cores, cheia de vida, cheia de alegria. Acho que um pouco (ou muito) da energia dessa artista, do olhar sensível e observador dela passam para as suas telas, para o seu trabalho.
Há em suas telas flores de todos os tipos (orquídeas, tulipas, strelízias, copos de leite...), tucanos, frutas, naturezas-mortas, paisagens... Tentam traduzir a vida, ou melhor, como diria, Van Gogh “a arte é o homem adicionado à natureza.”
Sua pintura não se propõe a ser um retrato fiel e literal da realidade. Não busca flertar com os academicismos prepotentes e aristocráticos; não há mais tempo para isso. Antes, vai na trilha das sensações, dos sentimentos, dos verdadeiros valores a que se propõem as artes de modo geral: sensibilizar as pessoas.
E quantas sensações são evocadas nas texturas de suas telas, nas pinceladas precisas, nas escolhas dos temas, nas dimensões das obras – quase próximas de painéis – na combinação de tons e matizes que, unidos, formam um conjunto harmônico e bom de se ver.
Como todo bom artista que se preocupara com a vida que está à sua volta, ela registra o Brasil de diferentes maneiras: nas paisagens litorâneas com barcos, encostas, peixes e pescadores; nas frutas várias e tropicais com todas as cores e texturas imagináveis: bananas, morangos, maçãs...; o campo está representado em seu acervo com cavalos, morros e riachos..; o experimental também tem vez: note-se aí uma provocação como o quadro “O pecado”, em que a silhueta de uma maçã é suporte para a discussão a que se quer despertar.
Yeda Pazian: a educadora, a mulher, a artista. Assim, vale a pena lembrar Joseph Beuys quando cita que "a criatividade não é monopólio das artes. (...) Quando eu digo que toda a gente é artista eu quero dizer que cada um pode concentrar a sua vida nessa perspectiva: pode cultivar a artisticidade tanto na pintura como na música, na técnica, na cura de doenças, na economia ou em qualquer outro domínio... A nossa ideia cultural é muitas vezes redutora. O dilema dos museus e das instituições culturais é que limitam o campo da arte, isolando-a numa torre de marfim (...). O nosso conceito de arte deve ser universal, terá que ter uma natureza interdisciplinar com um conceito novo de arte e ciência".
Certamente Yeda Pazian enquadra-se nessa perspectiva artística. E que venham outras telas.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região. (aluceni@hotmail.com)