sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ALVAR AALTO

*Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie

Alvar Aalto é um arquiteto finlandês, nascido em 1898 e foi um dos principais nomes da arquitetura moderna internacional, assim como Le Corbusier, Mies Van der Rohe e Gropius. Apesar de Aalto ter estudado arquitetura em Helsinque, foi fortemente influenciado pela linguagem da Bauhaus tanto em seus edifícios quanto em seu mobiliário.

Mas não seria correto afirmar que Aalto projetava apenas a partir de um estilo. Sua obra passou pelo Romanticismo Nacional, escola que surgiu a partir de movimentos sociais em reação aos domínios sueco e russo, que buscava referências nacionais de cultura medieval para recuperar uma identidade local finlandesa. 

Também podemos afirmar que a obra de Aalto percorreu por uma estética Racionalista, de superfícies puras e assimétricas. Por fim, a última fase de Aalto teve um desenho bastante Organicista, numa atitude projetual aonde prédio e habitat se relacionam de maneira bastante harmoniosa. Nessa última fase, Aalto foi fortemente influenciado pela obra de Frank Lloyd Wright.

Entre seus projetos mais destacados, estão a Baker House, a Universidade de tecnologia de Helsinque e o Säynätsalo Town Hall. Abaixo, os três projetos apresentam algumas fotos que mostram a habilidade de Aalto em projetar edifícios com o tijolos aparente. No primeiro caso, a planta sinuosa de Aalto lembra muito a planta de um edifício mais conhecido por nós, feito pouco tempo depois. O edifício Copan, em São Paulo. 

No último exemplo, o detalhe mais bonito (minha opinião) fica na escadaria gramada entre os volumens de tijolo, recebendo os visitantes de modo bastante acolhedor. 

Mas é bastante doloroso falar de Aalto por meio de 3 projetos. Definitivamente, como já disse anteriormente, é impossível colocar Aalto dentro de uma escola e categorizá-lo como tal seguidor. Por isso, no final deste texto, selecionei algumas fotos aleatórias de outros edifícios de Aalto para que justiça seja feita. Por último, selecionei dois modelos de poltrona desenhadas por Aalto.

Baker House. Dormitórios do MIT. 1947


Universidade de Tecnologia de Helsinque. 1949.



Säynätsalo Town Hall. Conjunto multifuncional. 1949.






Outros projetos:







quinta-feira, 10 de outubro de 2013

DEDÉ PANDINI

*Artista Plástica e Contadora de Histórias
Olá, pessoal... Que bom está com vocês novamente.
Esta semana gostaria de apresentar para vocês esta minha amiga que, infelizmente não está mais conosco neste plano, mas que, sem dúvida alguma, mora em nossos corações e mentes e, sobretudo, deixando um legado de mulher, esposa, mãe e artista plástica que será perpetuado por muitas gerações. Estou falando da Dedé Pandini.


Odite Geralda Pandini, ou Dedé Pandini, como assinava artisticamente, nasceu em Nipoan/SP. Iniciou estudos em desenho e pintura com Márcia Porto, no ateliê Fare Arte, Araçatuba/SP, em 1991. Em 1998 estudou escultura com Célia Molina. Entre 1994 e 2001 aprofundou-se nos estudos de desenho e pintura com Arnaldo Aparecido Filho e Márcia Porto. Em 200 passou a integrar o grupo de artistas plástico da APLA (Associação de Artistas Plásticos de Araçatuba), da qual é também uma das fundadoras.

Entre as exposições artísticas de que participou destacam-se: Exposições Coletivas Fare Arte, 1993/1994/1997; Bailarinas, Teatro Municipal Floriano Camargo Arruda Brasil, Araçatuba, 1996; Mostra Individual Casa dos Médicos, Araçatuba/SP, 1997; Exposições Coletivas no Araçatuba Shopping, além de integrar o Catálogo "Araçatuba com Arte" e Mostra homônima, idealizado e coordenado pelo escritor e jornalista Antonio Luceni.

Abaixo, alguns dos trabalhos de Dedé Pandini, constantes no catálogo Araçatuba com Arte:




quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Na tela da Sétima Arte: o professor - Parte II

*Professora universitária e mestre em Mídia Digitais
Na semana passada, vimos alguns filmes que mostram  professores que, como protagonistas, tiveram que enfrentar desafios em busca de seus ideais. Falamos sobre professores que queriam mudar a vida de seus alunos. Nesta semana, a conversa ainda continua sobre nossos queridos professores e vamos ver um pouco mais sobre a cinebiografia de superação do professor John Nash em Uma Mente Brilhante, conhecer um pouco sobre o espírito  vencedor do Prof. Melvin Tolson em O Grande Desafio e, lógico, não vamos deixar de fora o clássico professor Mark Thackeray de Ao Mestre, Com Carinho, filme que, com certeza, no mínimo você já ouviu falar.

O filme Uma Mente Brilhante conta fatos da vida real do professor John Nash, um gênio da matemática que, aos 21 anos, provou sua genialidade ao formular um teorema que mudou o cenário da economia mundial. Por seu feito, John foi aclamado no meio em que vivia. Com o passar do tempo, o jovem bonito e arrogante professor vai se tornando um homem sofrido e atormentado, e chega ao ponto de ser diagnosticado como esquizofrênico, iniciando, assim, uma luta de anos para se recuperar. Nessa trajetória, conta com o apoio incondicional de sua esposa e amigos. O diretor acertou em cheio e Russel Crowe arrebentou no papel de Nash. Digno do Oscar que recebeu, o filme é forte e apresenta uma vida real, onde diariamente temos nossos problemas e dificuldades para enfrentá-los. A história nos permite pensar em como reagir diante dos desafios da vida. John escolheu não parar, seguiu em frente e o mundo o reconheceu ao ser laureado com o Prêmio Nobel.

Russel  Crowe como Nash

Em O Grande Desafio, Denzel Washington dá vida ao excelente professor Melvin Tolson. Baseado em fatos reais, a boa história foi muito bem contada em seu roteiro e agradou.  É um filme sobre “vitória” e passa uma mensagem importante ao ensinar sobre as relações humanas em uma época onde o racismo prevaleceu. O filme ainda conta com a direção do próprio Whashington e tem bom roteiro e fotografia. O longa emociona; sua história se passa no Texas (EUA), nos anos 1930, e percorre a trajetória do professor Tolson (que tornou-se poeta, na vida real) da Universidade de Wiley. Disposto a participar do famoso debate entre universidades, o professor forma um grupo de alunos negros e aceita enfrentar uma universidade tradicional, imbatível e frequentada por brancos.  Vale saber o final da história.

O grupo de alunos e seu mestre
E, finalizamos essa semana, com o memorável clássico Ao Mestre, Com Carinho, filme muito assistido e surpreendente para sua época. O professor da trama é Mark Thackeray, um engenheiro que, desempregado, resolve dar aulas em Londres. Até aí, uma história bem parecida com nosso cotidiano, o professor encontra em sua nova realidade a necessidade em aprender a ser professor de alunos brancos e indisciplinados.

Nesse momento, o professor compreende o quanto a realidade social interfere no desempenho do aluno em sala de aula e percebe o quanto os alunos o querem derrotar. Durante o filme percebemos que Mark desenvolve habilidades como: compromisso, seriedade e determinação, indispensáveis para ser um bom educador. Ah, esse filme tem um marco que o consagrou: a trilha sonora; inesquecível e, com certeza, você conhece; se não se lembra, aproveita para rever o filme. Vai ser ótimo.


Nossa... quanto filme bom tem por aí com professores maravilhosos e necessários para os dias de hoje. Em tempos de caos na nossa educação, curtir boas histórias, com bons atores, em bons filmes é uma perfeita combinação para manter a motivação e ânimo a cada dia, nessa amorosa tarefa que escolhemos: ser professor.

Ainda bem que temos o cinema, os filmes, a pipoca e amigos para compor mais um momento de lazer e inspiração sobre temas tão sérios e indispensáveis à sociedade; assim fica mais leve seguir no caminho que idealizamos um dia.

Nesta semana, desejo que todo professor seja feliz e realizado, proponho um brinde a nós! (tim tim)...

Até a próxima semana e não tenha medo de soltar um VIVA o professor!!!!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Pasárgada, Hiperurânio e Nova Jerusalém

*Jornalista e escritor
E viva a vida! Que bom que estamos respirando, não é minha gente? Medo do lado de lá!

Pois é, com esta história de a gente arrumar coisas para se divertir enquanto a vida passa, nesta semana estarei envolvido em mais uma Semana de Arquitetura do Centro Universitário UniToledo – Araçatuba/SP e com o Fórum de Mobilidade Urbana, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo, na PUC/SP.


No UniToledo, o que mais me entusiasma é a palestra “Arquitetura, Cultura e Meio Ambiente”, ministrada pelo Arqto. Rodrigo Mindlin Loeb, neto de José Mindlin - grande bibliófilo brasileiro, um dos responsáveis pela nova biblioteca da USP, Brasiliana, que abriga o acervo do avô, doado ainda em vida por ele à Universidade de São Paulo.


Já no Fórum de Mobilidade Urbana, toda programação está para lá de sedutora. Isso porque serão discutidos temas que pensam a cidade sob vários aspectos, que beneficiam ao coletivo, a um universo maior de pessoas. Além, é claro, da presença de nomes importantes da Arquitetura e Urbanismo no Brasil, como Jaime Lerner, Marcio Kogan, Regina Meyer, Raquel Rolnik, Candido Malta, José Armênio de Brito Cruz, entre outros... Também porque coaduna com a pós-graduação em Arquitetura e Cidade, na qual estou mergulhado, e que contribuirá com meu TCC.

O curso de Arquitetura e Urbanismo era algo com o qual eu sonhava há anos, bem antes de ingressar no magistério. Como fazia parte de um esmagador universo brasileiro, onde os sonhos de educação eram subordinados à precária vida de cidadão pobre, esse sonho somente pôde ser realizado agora. Mas como diz o poeta português Sebastião da Gama, “pelos sonhos é que vamos...”; cá estou, prazerosamente, envolvido nos últimos anos nessa minha saga de me tornar arquiteto e urbanista; de pensar e possibilitar uma cidade melhor para todos nós, na qual o espaço público seja o grande responsável para minimizar os ranços das classes sociais, como preconizado na antiga Grécia.

Talvez, para alguns, isto seja a Pasárgada de Bandeira, o Hiperurânio platônico, a Nova Jerusalém bíblica... Mas se nem tudo é possível de ser feito, também é verdade que é exequível fazer um pouco mais. E é nesse misto de utopia e de pragmatismo a que nos lançamos com ideal e afinco. Afinal, o trabalho do arquiteto e do urbanista também é composto pela utopia e idealismo.

Na próxima semana vou continuar falando sobre isso: as utopias e sonhos na questão da habitação e na busca de uma cidade melhor para todos. Forte abraço e até lá!

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

432 ou 440?

*Professora de música e regente de coral, formada pelo Instituto de Tatuí

Você sabia que a maior parte da música mundial é afinada na frequência de 440Hz vibrações por segundo? No ano de 1936, uma conferência internacional recomendou que o “La” – que se encontra à direita do dó central do piano, fosse afinado a 440 Hz. Esse padrão foi adotado pela Organização Internacional para Padronização. Desde então, todos os instrumentos têm como referência de afinação essa frequência de som.

Mas, nem sempre foi assim. Antes da padronização (440 Hz), a freqüência seguida para a afinação era a de 432 Hz. O A=432 Hz, conhecido como “Lá de Verdi”, era a afinação adotada anteriormente e que é matematicamente consistente com o universo. É sabido que músicas em 432Hz transmitem energia de cura benéfica, porque é um tom puro de matemática fundamental da natureza. Acentua a produção de serotonina e o lado direito do cérebro. É a frequência dos batimentos cardíacos e está de acordo com padrões matemáticos perfeitos.

A frequência em 432 Hz é uma frequência perfeita, harmônica, já que, segundo alguns especialistas, é a mesma frequência do universo. Utiliza a fórmula PHI, conhecida como regra de ouro. Ela produz de forma natural a “espira musical pitagórica”. É a sequência seguida por toda a forma de vida. Os violinos Stradivarius têm a frequência de 432 Hz, que não por acaso soam melhor do que os violinos convencionais. Por estar de acordo com o universo e suas leis, a frequência 432 Hz inspira paz, lógica, harmonia, perfeição e universalidade. 


Ouça a diferença entre 432 Hz e 440 Hz:


Vamos entender como aconteceu a mudança de 432 para 440 Hz:
Através de um decreto, na Europa, em 1939 a afinação de 432 Hz muda para 440 Hz. 

Há uma teoria que diz que a mudança de 432Hz para 440Hz foi ditada pelo ministro de propaganda nazista, Joseph Goebbels. Ele usou-a para fazer com que as pessoas pensassem e sentissem de certa maneira, e para fazê-los prisioneiros de certa consciência. Então, por volta de 1940, os Estados Unidos introduziram mundialmente o 440Hz, e finalmente, em 1953, tornou-se o padrão pela ISO.

Recentes descobertas da vibração - oscilação natural do universo - indicam que essa afinação contemporânea pode gerar um efeito prejudicial à saúde ou um comportamento antissocial na consciência dos seres humanos. 440Hz é o padrão antinatural de afinação, removido da simetria das vibrações sagradas e harmônicos que têm declarado guerra ao subconsciente do homem do ocidental.

O Dr. Leonard Horowitz diz em seu manuscrito “Musical Cult Control” (Controle de culto musical) que “A indústria da música tem essa frequência imposta que é “pastorear” populações para uma maior agressividade, agitação psicossocial e sofrimento emocional que predispõe as pessoas às doenças físicas”.

Nikola Tesla diz o seguinte: “Se você quer encontrar os segredos do universo, pense em termos de energia, frequência e vibração.” 

Hoje em dia, estuda-se o retorno da afinação para 432 Hz tendo como objetivo “harmonizar” o homem com o mundo ao seu redor. Talvez essa seja ainda uma ideia distante do alcance, já que todos os instrumentos musicais e as regras que os decifram caminhem sob a orientação da afinação de 440 Hz. 

Até a próxima semana pessoal. 
Abraço.

domingo, 6 de outubro de 2013

BARRACÃO - BAR TRADICIONAL, MENU ESPECIAL

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria
Hoje, apresentarei a você, leitor, o restaurante Barracão de Araçatuba (SP). Um bar tradicional na cidade que, no entanto, sempre traz novidades em seu menu. Em funcionamento desde 1999, está localizado na Rua Humaitá, 966 - Vila Mendonça, um bairro próximo ao centro, em um antigo casarão que lembra muito um paiol de sítio, rústico e aconchegante, decorado com objetos e utensílios rurais. Talvez daí provenha o nome do estabelecimento.

Para mostrar o ambiente citado, encontrei na internet este vídeo, produzido pela TV Araçatuba, vinculada a um jornal regional, que apresenta bem o clima e a ambiência do local.


Um ambiente externo com uma charmosa e arejada varanda acomoda bem o happy hour ou uma reunião de amigos. Para saborear os deliciosos pratos com a família, a melhor opção é a área interna, com ambiente climatizado, mais intimista para ocasiões especiais, mais reservadas e românticas. Ambos locais possuem música ambiente de bom gosto que embalam sua refeição sem incomodar o momento de estar junto e o bate-papo informal.

O Restaurante Barracão oferece excelentes opções de almoço aos sábados e domingos e jantar, de terça a sábado.  O atendimento é primoroso! O estabelecimento faz opção por manter garçons de uma faixa etária mais velha, que prima por um atendimento de qualidade.

O apetitoso cardápio é variado, com opções que vão de frutos do mar, peixes, carnes à massas, saladas, sanduíches e petiscos de dar água na boca. Para beber, o cardápio traz  uma primordial seleção de vinhos nacionais e importados, cervejas artesanais, os clássicos drinques que não podem faltar e o indispensável chope.

O que torna este restaurante surpreendente são as novidades constantes do cardápio, que atende ocasiões especiais, sazonais, datas comemorativas, especialidades de produtos e a harmonização entre eles. Como por exemplo, a seleção de caldos no cardápio de inverno (beterraba com iorgute, cenoura com gengibre, etc) e a suculenta feijoada que é servida aos sábados.


Outras especialidades do cardápio são: pasta parisiense, canapé de steak tartare, bolinho de bacalhau, sanduiches como o goianinho e o mineirinho, parmegiana executivo, lascas de bacalhau, rabada do Barracão, pintado à baiana, filé à cubana e os menus especiais esporádicos (ceviche de peixe branco de entrada, nhoque de mandioca com carne seca ou frango ao molho curry com legumes de prato principal e de sobremesa mango thai; Mix de folhas com kiwi, carambola e hortelã de entrada, spaguetti a carbonara ou saint peter com molho de capim santo como prato principal e de sobremesa papo de anjo; bruschetta com queijo brie e geleia de tomate de entrada, noix à cavalo com arroz de alho e farofa oi saint peter ao molho pesto de manjericão acompanhado de legumes como prato principal e sobremesa crumble de banana - sobremesa a moda inglesa).




Não posso omitir que o restaurante também promove artistas da região com uma boa seleção de cantores, grupos com um excelente repertório de música ao vivo.

É isso pessoal! Vale a pena conferir este especial restaurante araçatubense. Um forte abraço e até o próximo restaurante!

SERVIÇO: Terça a sábado, das 18h às 24h, e aos sábados e domingos a partir das 11h30. Aceita Reservas. Fone: (18) 3621-8953. e-mail: barracao.ata@gmail.com. Facebook page.

sábado, 5 de outubro de 2013

ESPELHO DA VIDA

*Jornalista e Turismólogo
Se tem uma coisa que me comove é a morte de gente jovem. Não vejo a passagem como final, até mesmo por minha formação religiosa, mas quando nos deparamos com o passamento de uma pessoa jovem, cheia de planos, acabo ficando abalado. Nesta sexta-feira (4), quis o destino que uma moça de 21 anos fosse morar com Deus em um acidente que vitimou quatro pessoas.

Fico pensativo, pois estes fatos me colocam de frente para o espelho do destino. E, nele, vejo a nossa finitude. Gostaria de ser como o doce Ivo Salvini, personagem de “A voz da lua”, de Frederico Fellini. O personagem, interpretado pelo comediante italiano Roberto Benigni, que veio a brilhar depois em “A vida é bela”, ouve a voz da lua no fundo do poço como se fosse a voz do destino.

Adoraria ser como o louco que não se incomoda com as manchetes dos jornais, cada vez mais fúnebres. Ou, pelo menos, gostaria de ser mais um do grande exército de pessoas que se divertem com o ‘quanto pior, melhor’. São as pessoas sem alma que dão audiência à mídia que cada vez mais faz espetáculo com o que há de pior em nossa história social.

A dor da perda ainda me comove e os sonhos ceifados me entristecem. Mas, como bem disse Clarice Lispector, “uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio "apesar de" que nos empurra para a frente”.

Se é assim, então vamos!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CASAS DE 2010

* Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie
Esta é a última postagem da série sobre casas. Já conversamos sobre casas de 1950, 1970, 1990 e, agora, vamos fechar esse tema falando das casas de 2010. Para esta ocasião, decidi fazer algo especial e publicar somente casas de arquitetos brasileiros. Mas antes de apresentar as obras, gostaria de fazer algumas considerações sobre as publicações anteriores e, também, sobre as casas que abrem o século XXI.

É muito difícil dizer que determinadas características estéticas pertencem somente a um período da arquitetura. As aulas de história da arte já nos ensinaram que os períodos e movimentos não têm datas específicas de início e fim. Sabemos, também, que a categorização de determinado movimento é uma atitude posterior; muitas vezes, o próprio arquiteto não consegue identificar sua obra como parte daquele movimento. Por isso, tudo o que foi dito aqui como características do movimento moderno nas casas de 1950 pode ser muito bem aplicado nas casas de 2010.

Ora, eu poderia escolher milhares de perspectivas para falar das casas de 2010, mas, propositadamente, escolherei uma para mostrar como a arquitetura é uma prática cíclica. As referências ao passado são recorrentes, de modo que releituras de intenções estéticas são transformadas em novos conceitos e vontades projetuais. Para mostrar isso, escolhi exemplos de casas neomodernistas. 

Neomodernismo é um estilo arquitetônico que surge como reação à complexidade do pós-modernismo. Geralmente, esses arquitetos optam por projetos simples, sem adornos que, muitas vezes, lembram os edifícios modernos do começo do século. Assim como a arquitetura que era produzida na primeira metade do século, essa arquitetura rejeita a ornamentação e seu desenho enfatiza a funcionalidade, buscando frequentemente uma volumetria monolítica.

Abaixo, eu escolhi três casas bastante representativas de “neomodernos” brasileiros: Casa Sumaré do Isay Weinfeld; Casa 6 do Márcio Kogan e Casa BT do Guilherme Torres.

Na primeira casa, Weinfeld brinca ao colocar uma caixa de concreto pesada flutuando sobre dois pilares soltos na extremidade. Essa é uma habilidade bastante recorrente na arquitetura modernista. O uso do elemento vazado ou “cobogó” (elemento muito utilizado na arquitetura moderna) cria uma textura que contrasta com a aridez do concreto, formando um conjunto bastante acolhedor.

Casa Sumaré - Isay Weinfeld - 2007
Vista interna

Planta

No segundo exemplo, mais uma vez, o volume parece pousar sobre os pilotis. (Le Courbusier pira! rs). Um muro de pedra (referência da arquitetura moderna) atravessa a sala e esconde os pilares posteriores, trazendo uma evidente mensagem de que não existe o lado de dentro e o lado de fora da casa.

Casa 6, Márcio Kogan - 2010
Parte interna
Planta

No terceiro exemplo, de novo, um volume de concreto com um fechamento em madeira pousa sobre parede maciça de pedra. Um desenho simples, que investe na obra monolítica. Mas engana-se quem pensa que a falta de ornamento simplifica a execução da obra. Muito pelo contrário. Quanto mais simples for o desenho, mais os erros cometidos aparecem.

BT House, Guilherme Torres - 2013

Planta

Um abraço e até a próxima semana.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

LOURDES GILBERTI

*Contadora de Histórias e Artista Plástica
Olá meus amigos, tudo bem?

É com grande alegria que, nesta semana, apresento para vocês mais um artista plástico araçatubense. Com isso vamos conhecendo nossa gente e tomando consciência de que temos muitos muitos profissionais atuando em nossa cidade e região.

Hoje, gostaria de dividir com vocês desta que é uma das mais atuantes e pioneiras nas artes plásticas em Araçatuba: Maria de Lourdes Gilberti Vuolo, ou simplesmete Lourdes Gilberti, como é reconhecida profissionalmente.

Ela nasceu em Bento de Abreu, bem próximo de nós. É graduada em Letras pela, então, Faculdades Integradas Toledo, hoje, Centro Universitário Toledo - Unitoledo, em Araçatuba/SP. Em 1982 concluiu o Curso de Design de Interiores no IADE - Instituto de Arte e Decoração, em São Paulo.

Estudou desenho e aquarela com Renata Madeira e História da Arte com Arnaldo Aparecido Filho, entre 1996 e 2001, ambos em Araçatuba/SP. Em 1995, Lourdes Gilberti, juntamente com vários outros artistas plásticos de Araçatuba, ajudou a formar e fundar a Associação dos Artistas Plásticos de Araçatuba, a APLA, desfeita anos depois por conta de desinteresse do grupo.

Em 2000 fundou sua escola e galeria de arte, onde formou ou ampliou o repertório de vários outros artistas, por meio de aulas de desenho e pintura, além de promover cursos livres e palestras com profissionais renomados do circuito artístico. No intuito de maximizar sua processo de produção e visão artística, recebeu orientação de desenho e pintura com os artistas plásticos e críticos de arte Sérgio Fingermann, Osmar Pinheiro, Carlos Fajardo e Marco Gianoti, em São Paulo.

Participou de várias mostras individuais e coletivas, entre as quais, destacam-se: Mapa Cultural Paulista, fase final (1995); XI Salão Paranaense da Paisagem, Maringá/PR; Prêmio Exposição Individual (1996); Galeria Itaú Cultural, Penápolis/SP (1997); XII Sçao de Artes Pláticas Contemporâneo de Presidente Prudente/SP - Prêmios: Melhor Técnica Mista e Aquisição (1995 e 1997); Coletiva Brasil 500, Araçatuba/SP (2000); I Panorama de Artes Visuais de Bauru - Menção Honrosa (2002); Araçatuba com Arte - Mostra Coletiva e Catálogo de Arte, organizado por Antonio Luceni, Araçatuba/SP (2003).

Catálogo comemorativo aos 95 anos de Araçatuba

Por questões operacionais e pessoais, a artista hoje se dedica à pintar individualmente e à arquitetura de interiores.

Forte abraço e até a próxima semana.

Abaixo, algumas produções plásticas de Lourdes Gilberti.








Confira mais trabalhos no site da artista:

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CINEMA E PROFESSOR - PARTE 1

* Professora universitária e mestre em Mídias Digitais

O cinema tem como sua função social mais importante promover o equilíbrio entre o homem e o projetor de filmes (a máquina); melhor dizendo, sobre a forma com que o homem interpreta o que assisti. Os personagens nos ajudam a vislumbrar um espaço de liberdade, já que nos permite criar nossas viagens e aventuras. Por isso, no mês em que comemoramos o dia do professor, vamos homenageá-lo, nesta primeira parte do texto, com a apresentação de dois filmes que destacam a atividade docente, e agradecer a esse maravilhoso profissional por nos levar ao conhecimento do novo mundo, de acordo com cada época.
  
Vamos deixar de lado todas as questões negativas que envolvem os professores, como má remuneração, desvalorização da carreira e más condições de trabalho, para ressaltar os desafios que vencem todos os dias. Estar em uma sala de aula tem seus prazeres, e o cinema, ao longo do tempo, tenta mostrar o quanto é possível superar desafios em nome de um ideal de vida. O professor, no seu mais íntimo, ama ser professor!

E nesse contexto de amar o que faz é que apresento dois filmes que retratam o ensinar de uma maneira especial: o primeiro é Sociedade dos Poetas Mortos (1989): muito conhecido no meio docente e de grande sucesso, o filme tornou-se um modelo quando se pensa no professor que contraria as formas tradicionais da educação. O segundo filme é O Sorriso de Mona Lisa (2003); embora com quatorze anos de diferença entre uma produção e a outra, ambos os filmes possuem roteiros originais, se passam nos EUA, na década de 1950, em instituições tradicionais de ensino, e ambos mostram o conflito de um novo professor, com métodos não tradicionais nessas instituições de ensino.

No filme Sociedade dos Poetas Mortos (1989), o professor Keating  (Robin Willian) é muito bem humorado e valoriza o contato com os alunos, gerando um ótimo relacionamento com a classe. Ilustra suas aulas declamando frases poéticas e, junto com seus alunos, inicia o grupo de poesia “Sociedade dos Poetas Mortos”, que se reúne durante à noite em uma caverna no terreno da escola para ler poesia e discutir assuntos de interesses mútuos. É um filme que merece ser assistido; com ele você poderá conhecer o estilo de educar do professor e rever a sala de aula sob outro olhar. Além disso, vai conhecer a sua famosa frase que marcou o filme na história do cinema: Carpe diem, que quer dizer, "aproveitem o dia!".


O outro filme que destacamos nessa semana é O Sorriso de Mona Lisa (2003), que tem sua trama centrada na professora de História da Arte, Katherine Ann Watson (Julia Roberts); com 30 anos, é independente e solteira. Ela é aceita para dar aulas em Wellesley College, escola feminina, tradicional e elitista.  A história nos apresenta uma professora que, na relação com suas alunas, procura ensinar a enxergar além das aparências, e acaba entrando em conflito com a direção da escola, pois a atitude da professora choca os membros da direção. Sua permanência na escola fica vinculada a restrições em relação as suas atitudes; como não concorda, pede demissão e sai em viagem à Europa para conhecer obras que nunca tinha visto pessoalmente. Utilizando a arte moderna, Katherine passa a questionar valores tradicionais da sociedade, com o intuito de fazer suas alunas pensarem por si mesmas, serem autônomas, independentes e se tornarem mais críticas. O filme é interessante e atual, muito bom e provocativo.


Os professores protagonistas dos filmes que apresentamos utilizam a arte como o caminho para o aprendizado, o conhecimento e conseguem escapar da forma tradicional e pouco atraente de ensinar, buscando formar um aluno reflexivo, com espírito... E conseguem!

Minha sugestão é que assistam a essas produções, sejam professores ou não. Tratam-se de dois filmes que provocam a reflexão enquanto cidadão e ser humano. São filmes que nos acrescentam.

E aos nossos queridos professores, homenageados nestes filmes e em tantos outros, fica nossa gratidão por tudo que vivem e superam em nome do amor por seus alunos.

Parabéns a você, que é mestre, e a você que teve um mestre inesquecível. Somos parte de um todo.

Na próxima semana vou trazer mais um pouquinho de filmes com essa temática. Espero que curtam as sugestões e repassem aos amigos.

Até a próxima semana e carpe diem...

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Tião Carreiro - o Rei do Pagode

*Jornalista e escritor

José Dia Nunes, nome de batismo de Tião Carreiro, nasceu em Minas Gerais e, caso estivesse vivo, completaria, em dezembro, 79 anos. Autodidata em música e na escrita, é o fundador do estilo denominado por Teo Azevedo como “Pagode Caipira”, uma mistura de “Coco Nordestino” com “Calango de Roda”,  e, com seus ponteados, tornaram-no famoso no mundo todo. Compôs centenas de canções que tratam da vida cotidiana, de amores bem e mal resolvidos, de saudades, partidas e chegadas, do povo simples, da vida bucólica do campo, das espertezas e maldades humanas.


Por onde quer que se fale ou entoe música sertaneja raiz, Tião Carreiro é reverenciado. Músicos e duplas sertanejas do passado e do presente têm em Tião Carreiro a grande referência de composição, de arranjos, estilo de tocar e cantar música raiz. Canções como “Pagode em Brasília”, em parceria com Pardinho, seu principal parceiro de composição e cantoria, é tão importante na música raiz quanto o é “Chega de Saudade”, de Tom Jobim, para a Bossa Nova.

Quem não se lembra de “Cabelo loiro”, por exemplo (Cabelo loiro vai lá em casa passear / Vai, vai cabelo loiro vai cabar de me matar); ou de “Bandeira Branca” (Eu nunca vi um goiano por paixão bebê veneno/ nunca vi um fazendeiro andá em cavalo que manca/ pra fecha boca de sogra não vi chave não via tranca/ Pra terminá o meu pagode, vou falar botando banca/ Quero ver meus inimigos levantar bandeira branca!), ou ainda “Chora Viola” (Eu não caio do cavalo nem do burro e nem do galho/ Ganho dinheiro cantando a viola é meu trabalho/ No lugar onde tem seca eu de sede lá não caio/ Levanto de madrugada e bebo pingo de orvalho), ou “Felicidade” (Felicidade, oh! Felicidade/ Tão pouco tempo você durô/ Eu vivo agora curtindo a saudade/ Veio a tristeza e comigo ficô)?

Araçatuba teve o privilégio de acolher este filho do Brasil a partir de sua juventude, e também foi em nossa cidade que Tião Carreiro encontrou seu grande amor, Nair Avanço, e teve sua única filha, Alex Marli Dias, as quais tive o privilégio de conhecer, quando da realização da 1ª Semana Tião Carreiro, que ajudei a formatar e a realizar, ainda enquanto Diretor do Departamento de Cultura de Araçatuba. Também foi em nossa gestão frente à Secretaria Municipal de Cultura que criamos o Museu Tião Carreiro, traduzindo, de vez, a relevância e respeito que temos por tal figura do cancioneiro nacional.

O carinho de Tião Carreiro por nossa terra se mistura à sua produção musical, como facilmente pode ser observado na canção “Filho de Araçatuba” (A sina de um cantedô/ É somente Deus quem dá/ Não adianta forçá o peito/ Quem não nasceu pra cantá/ Eu canto sem fazer força/ Minha vois é naturá/ Sou filho de Araçatuba/ Quero ver quem me derrubá/ No torneio que eu entrá).

De hoje até dia 6, a Prefeitura de Araçatuba, por meio da Secretaria de Cultura, realiza a 7ª Semana Tião Carreiro, com uma programação diversificada, com dança catira, apresentação duplas de música raiz, cavalgada e queima do alho. Vamos todos comemorar este que é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes nomes da Música Popular Brasileira.

Link com entrevista com D. Nair Avanço e lançamento do Museu Tião Carreiro em Araçatuba: