segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Plágio ou inspiração?

*Educadora musical e regente de coral, formada pelo Instituto Tatuí
Tanto na música, como nas demais artes, temos uma pergunta frequente: O que é realmente criação "pura"e o que é uma criação “inspirada”? Será que toda a criação está isenta de algum tipo de referência?

Enquanto conversamos vamos ouvir um concerto para piano de Sergei Rachmaninov - Concerto nº 2 in C minor, op.18. - II [Adagio sostenuto] = ao piano: Hélène Grimaud  sob a regência de Claudio Abbado: 


Há quem diga que não há como criar nada a partir de nada, e há os defensores da ideia de que a mente criativa é sim, capaz de criar coisas novas somente de sua imaginação. Será mesmo?

A verdade é que a nossa vida é construída a partir de referências!

Somos influenciados por pessoas, situações e experiências. A construção da nossa história é permeada de exemplos indicando intervenções em algum momento.

É impossível dizer que não somos afetados pelas coisas e pessoas que nos cercam. Nossa maneira de nos vestir, falar, escrever...  Nossas posições políticas, sociais...

Mesmo aquilo que nós criamos somente a partir de nossa imaginação é influenciada por uma série de fatores ligados à nossa cultura, experiência e sensibilidade. 

Os relacionamentos também são uma forte fonte de influência em nossas “criações”.  

Portanto, mesmo uma criação que seja inédita é também revestida de algum tipo de inspiração, mesmo que muito subjetiva. 

Um exemplo é o concerto que ouvimos acima, ou que você ainda está a ouvir enquanto lê  esse texto. 

Acredito que ao ouvi-lo você lembrou de “All by Myself” , uma conhecida balada de Eric Carmen de 1975, que teve várias regravações por outros artistas. A última a cantar foi Celine Dion.  

Celine Dion - All By Myself :


Você conseguiu identificar o concerto de Rachmaninov na “criação” de Eric Carmen? 

Pois é, todos os grandes e pequenos artistas: músicos, fotógrafos, artistas plásticos, poetas, escritores, bem como os demais artistas de uma maneira geral, dizem se inspirar nas mais diversas fontes existentes: em filmes, ilustrações, na natureza, em outros artistas etc.

Além das influencias já relacionadas, somos impactados com o contato visual do dia-a-dia.  Tudo aquilo que captamos é registrado em nossa mente e de alguma maneira interfere em nossa visão de mundo e conseqüentemente afetam as nossas “criações”. São inspirações, tanto negativas como positivas que em algum momento serão retratadas por nós durante nossa história. 

Há um vídeo que trabalha esse assunto, que não é novo: “All Creative Work is Derivative” (Todo trabalho criativo é derivado).  Esse vídeo mostra que há milhares de anos a inspiração vem sendo utilizada para criação de verdadeiras obras-primas.


Então, qual o limite da inspiração? A partir de que momento ela deixa de ser inspiração para se tornar um plagio, uma cópia literal? 

Com a internet, a consulta em busca de referências acontece por toda a parte do mundo. Houve um aumento do numero de plágios, não somente pelo maior volume de informações, mas pela maior facilidade em descobri-los. Por isso vemos tanta polêmica judicial por causa de plagio. 

Vocês se lembram do caso ocorrido com a cantora Rihanna e o fotógrafo de moda David LaChapelle? O fotógrafo acusava Rihanna de utilizar os conceitos de suas fotografias em um clipe.

À esquerda, imagens do clip de Rihanna e, à direita, as fotografias de La Chapelle
Temos também o caso de Bob Dylan em sua atuação como “pintor” e que plagiou fotografias:

Foto de Léon Busy de 1915              Tela "Opium!", de Bob Dylan

Plágio é quando a cópia vira crime. Wilson Mizner, cronista e dramaturgo, criticou uma vez: “Copiar de um autor é plágio; copiar de vários é pesquisa”.

Outro caso é do dramaturgo inglês Willian Shakespeare que foi acusado d éter plagiado Romeu e Julieta de outro autor. Na época havia cinco versões diferentes do drama com pequenas alterações e personagens diferentes. 

Um importante escritor espanhol, Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, que chegou a escrever ao rei da Espanha contra cópias e versões que sua obra sofria.

Em nossa música temos inúmeros casos de processos judiciais envolvendo artistas e músicos famosos e nem o “rei” Roberto Carlos passou ileso dessa acusação.

Roberto Carlos foi acusado de plagio em uma canção sua e de Erasmo Carlos da jovem guarda. A música era “O Careta” que repetia os dez primeiros compassos da canção “Loucura de Amor”, obra do compositor Sebastião Braga. 

Veja esse vídeo do youtube em que mostra músicas supostamente plagiadas pelo “rei”. Vamos ver o que você acha.


Bem, fico por aqui hoje.

Uma ótima semana pra todos vocês, meus queridos. Ótimas inspirações para todos! 

domingo, 10 de novembro de 2013

Philomena: a casa do cordeiro em Araçatuba

* Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria
A carne de cordeiro tem local certo em Araçatuba (SP), um restaurante localizado na Rua General Glicério, 1093 esquina com a Rua Cussy de Almeida, chamado Philomena - Bar e Restaurante, que tenho o prazer de lhes apresentar neste domingo.

Sua história é bastante curiosa! A ideia surgiu a partir da experiência de anos sucessivos no restaurante “Ponto do Cordeiro” na exposição agropecuária da cidade. A Grand Expo Araçatuba é uma das principais feiras agropecuárias do Brasil e anualmente acontece no Recinto de Exposições Clibas de Almeida Prado. O evento remonta a década de 30 quando criadores de gado promoviam o concurso do “Boi Gordo” que por muitos anos deu título e fama à cidade.

Com o passar dos anos a pecuária local abriu espaço para outros criadores, dentre eles os pecuaristas da ovinocultura, há quem diga ser uma nova tendência e vocação regional. A carne dos ovinos destaca-se pela textura macia, sabor suave e por seu alto valor nutritivo. O termo ovino compreende o cordeiro (quando filhote) recém-desmamado ou em período de aleitamento, a ovelha e o carneiro (animais adultos). Trata-se de uma carne delicada, palatável, sem gordura saturada, de digestão facilitada, saborosa, suculenta e versátil, ocupando um posto destacado na Gastronomia mundial. É consumida em diversos países e considerada um sinônimo de sofisticação quando servida em ocasiões festivas especiais.

Em 6 de abril de 2010 foi inaugurado o Philomena, cujo nome é uma homenagem a avó materna dos sócios. A casa de esquina foi adaptada para o serviço de bar e restaurante e o ambiente acolhedor com decoração rustica, iluminação de arandelas em cestaria oferece aos clientes um lugar aconchegante, produtos diferenciados, de elevada qualidade e bom preço. Especializado em servir carne de cordeiro não se restringiu somente a ela, servindo também outras carnes e porções especiais num cardápio diferenciado com sabores inusitados.


O cardápio é dividido nas seguintes seções: Especialidades de cordeiro; Balcão de petiscos frios; Variedades na brasa; Risotos; Porções do Phimomena; Saladas; Lanches; Sobremesas e Bebidas. Das especialidades de cordeiro os destaques são: o Kibe com ervas; Isca de filé ao molho negro; Escondidinho Philomena; Linguiça acebolada; Kafta; Mini burguer; Cortes de pernil e paleta na brasa acompanha de mandioca cozida, molho de cebola, farofa e vinagrete ou costelinha, carré francês, T-Bone, Paleta inteira na tábua; trilogia de cordeiro composto de costelinha, linguiça e carré francês.


No balcão de petiscos são servidos os frios e porções variadas de queijos, conservas e embutidos a sua disposição. Entre as variedades na brasa o Brochete, cubos de fraldinha, tomate e cebola; bife de tira, corte especial de picanha; Prime Rib Steak, corte especial do contra-filé; Panceta suína; coxa e sobrecoxa de frango desossado. O risoto de tomates com pesto de manjericão ou de aspargos frescos sugeridos como acompanhamento.


Um bom bar pede diferenciadas porções e as do phimomena são realmente diferenciadas: queijo mineiro na chapa servido com pimenta biquinho; bolinha de queijo; palitinhos crocantes de queijo; pétala de cebola; pastelzinho de angu; carpaccio tradicional; mini espetinhos de filé a milanesa; costelinha de porco com mandioca frita; disco de linguiça; dedo de moça crocante recheada com linguiça ou queijo (exclusividade da casa); frango a passarinho; bacalhau philomena; escondidinho de bacalhau; batata, mandioca, torresminho; amendoim salgado e japonês.

Nas opções de Saladas é servido o carpaccio; salada de palmito; toamte seco e a salada a tradicional salada da casa. Dos Lanches do philomena destacamos o mini burguer de cordeiro; de picanha; misto; linguiche; paulistinha e canastrinha.
As sobremesas lembram a casa da avó! O brigadeiro ou doce de leite servidos na colher e deliciosa torta alemã. A carta de bebidas não dispensa as convencionais e as cervejas importadas, os drinks, caipirinhas e carta de vinhos.

Estando em Araçatuba venha conferir o cordeiro do Philomena e quem sabe nos encontraremos por lá... Bom domingo a todos!!!

SERVIÇO: segunda à quinta das 17h30min às 24h, sexta das 17h30min à 1h e aos sábados das 11h30 à 1h. Fone: (18) 3305-8116. Home: http://www.philomenabar.com.br. facebook.com/PhilomenaBar.

sábado, 9 de novembro de 2013

Criar um texto - mais que escrever, é um gesto.

*Professora de Língua Portuguesa e escritora
Estive relendo um belo e esclarecedor livro, indicado por minha guia das artes, Renata Madeira. De autoria da iluminada de Cecília Almeida Salles, foi editado pelaAnnablume Editora-Comunicação (esta, 3ª edição, de 2007). O título do Livro, já nos informa muito sobre o processo de criação artística: GESTO INACABADO. Assim será meu gesto ao passar informações sobre a obra para você, que lê o pouco que escrevo, já que o livro é tão denso que não poderia informar tudo sobre ele. Também não é este nosso propósito, pois como percebem, a chamada deste artigo é para que você o tenha em suas mãos e se delicie com as considerações importantes da autora.

Ela fala sobre o processo criativo em geral, mas percorre os caminhos da criação dos cineastas, dos escritores, dos artistas plásticos de maneira mais intensiva.

Quero destacar aqui um ponto que me tocou profundamente, levando-me a refletir sobre você, leitor: o movimento da criação sob o ponto de vista da comunicação, quando pensamos: “Quem serão meus leitores”? O trecho a que me refiro fala sobre o receptor.Nele, a autora cita uma fala de Borges (1987) sobre o leitor da obra: ”O texto é o resultado da estreita colaboração entre um autor e um leitor. Se é certo que não existe texto sem autor, não é menos certo (e tautológico) que não existe autor sem leitor”. 

Ela ainda cita outro autor que disse algo sobre o assunto:Duchamp (1986). Não vou apresentar essa fala aqui, porque o importante desses pensamentos é a mensagem de uma verdade à qual todo escritor ou artista deve estar atento: toda obra de arte necessita de um receptor, e se estamos falando do processo criativo como ato comunicativo, não podemos fazer concessões, de modo que a urgência do mercado afete nossas produções. Não podemos deixar que interesses outros violem o direito de nos expressarmos de acordo com nossa capacidade criativa, interferindo em nosso processo de criação.

Disse alguém que “escrever é um ato solitário”. Mas se nos colocarmos diante de um escrito que vai ser lido por outro, poderemos perceber sua presença conosco durante o ato da criação de um texto. Isso não significa que ao escrevermos, temos um leitor em nossa mente, mas sim que é como um companheiro solidário, cuja presença se manifestará em algum momento futuro.

Fica, porém, uma pergunta: porque Gesto Inacabado?

A resposta é simples: todo texto produzido só estará terminado, completo, finalizado quando for lido por alguém. É o leitor que vai terminar seu texto! 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SESC POMPEIA, DE LINA BO BARDI

*Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie
Pouco tempo antes, Paris acabava de inaugurar o Centro Georges Pompidou. O mundo começava a acreditar em alternativas para a arquitetura moderna. E aqui no Brasil, Lina Bo Bardi apresentava o SESC POMPEIA. Estranho, custoso, frio, aconchegante, bruto, fora de escala, delicado e estranhamente familiar. Sem dúvidas, um choque! 

Instalado em uma antiga fábrica de tambor, o Sesc tem uma linguagem pastante particular. Um desenho que se adapta à uma pré-existência industrial, mudanças bruscas de escala, cores, etc...Mas talvez o que mais impressione, sejam as paredes que foram desveladas por Lina, após descobrir que a velha fábrica possuia uma estrutura moldada por um dos pioneiros do concreto armado no início do século XX, o francês François Hennebique. Essa descoberta/revelação dá ao conjunto um valor especial. 

A principal entrada, é uma rua aberta que conduz o pedestre de forma natural para dentro do centro cultural. Lá a gente pode encontrar o restaurante público com mesas coletivas, as atividades a céu aberto, o deck de madeira, os sofás públicos, a choperia, o teatro, piscinas e quadras. Um verdadeiro oásis em maio à barbárie de desconforto urbano da sofrida São Paulo. 

O bloco esportivo abriga quadras e piscinas. Duas torres de concreto aparente, uma com “buracos de caverna” ao invés de janelas, outra com janelas quadradas distribuidas “aleatoriamente” pelas fachadas. Ao lado, uma terceira torre cilíndrica de 70 metros de altura, também em concreto aparente. Ligando as duas torres, entre os vestiários e as quadras, 8 passarelas de concreto protendido vencem vãos de até 25 metros.

A choperia instalada nos antigos galpões, tem um desenho simples mas bastante aconchegante. Se por um lado, a sequência de pilares atrapalha a vista de quem está sentado nas mesas laterias ao palco, a pista de dança logo em frente ao palco dá toda liberdade para os mais corajosos “caírem” na dança. O desenho dessas mesas de concreto e madeira tem um aspecto bastante rígido, mas nem por isso, desconfortáveis. 

O teatro é uma experiência a parte e assim como a choperia, este foi instalado nos galpões antigos da fábrica. A mistura do tijolo aparente, confreto bruto, cobogós e madeira cria um ambiente bastante simples. O desenho é claro e objetivo. Dentro do auditório, as cadeiras de madeira são confortáveis, apesar do espaço entre cada fileira ser bastante estreito. Mas o charme especial fica por conta da configuração da platéia, que é dividida pelo palco central. 

Uma experiência única. Morar ou visitar São Paulo e não conhecer o Sesc Pompéia é  perder a chance conhecer sobre a história da cidade e história da Arquitetura Paulistana. Nesse projeto, Lina celebra o respeito ao antigo e a força do novo.

Antiga fábrica da Pompeia
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Entrada pela rua principal
Bloco esportivo
Choperia
Foyer do teatro
Teatro
Área de exposições

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

MÔNICA CARLI

*Artista Plástica e Contadora de Histórias
Foto: Alexandre Souza
Olá meus amigos e amigas. Que alegria estar com vocês mais esta semana.

Já prestaram atenção há quantas semanas estamos trazendo artistas de Araçatuba para este blog? Isso para mostrar que tem muita gente produzindo arte e cultura em nossa cidade que, ao menos, sabemos que existem. E não é qualquer produção, não. Arte da mais alta qualidade.

Hoje, gostaria de apresentar para vocês esta artista que admiro muito e com a qual tive o privilégio de participar de alguns trabalhos juntos: Mônica Carli.

Nascida em Araçatuba, a artista sempre esteve envolvida com arte: cursou violão, ballet e flauta e, aos 8 anos, iniciou seus estudos em arte com a também artista, falecida recentemente, Mildred Paciti Rocha. Mônica atribui essa relação com as artes ao pai, que sempre a incentivou a participar de atividades artísticas.

Para a artista, que também é professora de pintura, o produto final de seu trabalho, bem como o de seus alunos, têm relação direta com o que a pessoa vivencia em seu dia a dia. A verdadeira obra de arte, a produção mais genuína e sincera está relacionada diretamente às vivências que a pessoa tem.

Mônica já experimentou de tudo em pintura: cerâmica, vidro, tecido, tela, painéis etc..., mas se aprofunda mesmo com pintura a óleo, sua grande paixão. Gosta da linguagem figurativa, mas com algumas influências modernas. Pinta nus, paisagens, naturezas mortas etc...

Assim como outros artistas, combate a ideia de que a arte esteja atrelada à decoração, mesmo que muito procurem seus trabalhos para isso. “Ainda que apareçam como um elemento decorativo, há que se dizer algo, há que se sentir algo da obra de arte que mexa com as sensações e as emoções dos fruidores dela”, enfatiza.

Bom, espero que vocês tenham gostado de conhecer esta artista, assim como eu. Abaixo, algumas de suas obras. Forte abraço e até a próxima semana.






quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Especial: beldades do cinema

*Professora universitária e mestre em Mídias Digitais
E o mês de novembro chegou! Para esse mês escolhi falar sobre beleza e vou começar pelas mulheres belas. E olha que foi difícil escolher no meio de tanta mulher bonita e talentosa quais citar, mas estão aí algumas das beldades aclamadas pela mídia e pelo público. A ordem não segue uma regra, e comecemos pela minha preferida: Sophia Loren.


A maravilhosa Sophia Loren é considerada, até hoje, uma das mais belas atrizes italianas de todos os tempos. De curvas poderosas, lindos olhos verdes, olhar marcante, talentosa e sensual, é a diva dos italianos. E vamos combinar que foi uma beldade essa mulher, né? Ela nasceu em 1934 e trabalhou com vários diretores como Vittorio de Sica, Federico Fellini, Ettore Scolla, entre outros. Em 1962, recebeu o Oscar e também foi premiada em Cannes por seu papel no filme “Duas Mulheres”. Diferente da maioria das divas do cinema, Sophia ficou casada por 50 anos, até que se tornasse viúva de Ponti, com quem teve dois filhos e um casamento feliz. Sua beleza lendária provoca a curiosidade de milhões de pessoas. Com quase 80 anos, arrasta multidões de fãs e jornalistas em cada aparição. 


E o mundo das beldades ainda tem Audrey Hepburn. De origem belga, foi modelo, atriz, humanista e considerada a atriz mais bonita na história de Hollywood. Nascida em 04 de maio de 1929, suas principais atuações foram em “Bonequinha de Luxo”e “A Princesa e o Plebeu”, papel esse que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz. Em 1993, teve o diagnóstico de câncer do apêndice que a levou a morte no mesmo ano. Audrey faz parte da lista de ícones lendários do cinema mundial. Envolvida em ações sociais, na década de 1980 tornou-se Embaixadora Especial para o fundo UNICEF das Nações Unidas de Ajuda às Crianças, tendo participado de missões em vários países. Com certeza, mesmo que não tenha assistido a algum filme com ela, você reconhece a bela Audrey.


Gracy Kelly, atriz norte-americana, nasceu em 1929, na Filadélfia e morreu com 52 anos. Com uma carreira curta, atuou em vários filmes, entre eles nos filmes de Alfred Hitchcok “Janela Indiscreta” e “Disque M para Matar”; foi com sua atuação no filme “Amar é Sofrer”, do diretor George Seaton, que conquistou o Oscar. Foi durante a filmagem de "Ladrão de Casaca", na Riviera Francesa, que conheceu o príncipe Rainier, com quem se casou em 1956, no Palácio Mônaco. Renunciou sua carreira para tornar-se a Princesa de Mônaco. O casal teve três filhos, Caroline de Mônaco, Albert II e Stephane de Mônaco. Grace de Mônaco morreu em setembro de 1982, num acidente de carro, em Monte Carlo. Uma carreira curta, mas marcante ao mundo do cinema.


O furacão de Holywood foi Marilyn Monroe, atriz norte-americana, uma das estrelas mais famosas do cinema em todos os tempos, nasceu em 1926 e nos deixou na manhã de 5 de agosto de 1962, aos 36 anos de idade, por ingerir uma overdose de calmantes. Suas principais atuações foram em “O Pecado Mora ao Lado” e “Quanto Mais Quente Melhor”, ambos dirigidos por Billy Wilder. Suas pernas torneadas foram reveladas ao gravar a cena do vestido branco esvoaçante que jamais o mundo esqueceu. Casou-se muito cedo e divorciou-se também cedo.  Como tudo foi muito precoce em sua vida, Marilyn muito nova tornou-se modelo, tingiu seu cabelo de loiro claríssimo e assumiu o sobrenome Monroe de sua avó materna. Viveu intensamente, mas com muita tristeza permeando seus dias. Em 1999, foi escolhida pela Revista People como a mulher mais sexy do século XX.


Brigitte Bardot, cantora e atriz, a bela francesa considerada o símbolo sexual nos anos 1950/60 nasceu em 1934, atuou nos filmes “O Desprezo” do diretor Jean-Luc Godard e “Vida Privada” de Louis Malle. Em 1964, no verão de Búzios, Brigitte mudou a história da pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro, ao hospedar-se durante sua visita ao Brasil. A pequena Búzios tornou-se um ponto turístico sofisticado e muito procurado no verão Brasileiro. Brigitte, durante sua vida pública, causou histeria com seu estilo natural que misturava o seu lado menina e mulher fatal. Uma das poucas atrizes não americana a receber grande atenção da imprensa nos EUA, na sua época foi homenageada pela mídia com o termo Bardot mania, que retratava a adoração do público por ela.

Nossa, a lista é grande! Mas vale conhecer um pouco mais sobre as estrelas que há tempos constroem a história tão linda do nosso cinema. Elas foram guerreiras que desbravaram um mundo de glamour e beleza, o mundo das câmeras e claquetes e algumas pagaram um preço muito alto por viver essa magia da arte. No fundo, sabemos que a beleza maior delas vinha de dentro, da vontade de fazer algo diferente que ajudasse o mundo a mudar através das telas. E, com certeza, conseguiram!

E qual é a sua diva cinematográfica? Escolha a sua e veja suas melhores atuações, mesmo que as produções não atendam aos efeitos especiais a que hoje estamos acostumados, vai encontrar uma sensação incomparável ao assisti-las na tela. Experimente...

Até a próxima semana, com mais beleza da Sétima Arte.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

É PROIBIDO PROIBIR!

* Jornalista e escritor

Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan perderam um pouco do brilho que tinham, para mim, ao se envolverem com a trupe do “Procure Saber”, grupo de artistas articulador da censura prévia a biografias. Roberto e Erasmo Carlos, não; continuam na mesma; nunca fui muito ligado a eles.

“E eu digo não/ E eu digo não ao não/ Eu digo: É!/ Proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir/ É proibido proibir...”, grita Caetano em alto e bom som em uma de suas canções. Chico Buarque e Gil são incisivos quando pedem: “Pai, afasta de mim esse cálice/ Pai, afasta de mim esse cálice/ Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”. Já no caso do “rei”, ele próprio dá a dica pra essa situação toda: “Toda pedra no caminho/ Você pode retirar/ Numa flor que tem espinhos/ Você pode se arranhar/ Se o bem e o mal existem/ Você pode escolher/ É preciso saber viver...”, mas quem é a pedra nesse caso? E assim nós poderíamos listar tantas outras canções e seus respectivos compositores e intérpretes, que tanto lutaram contra todo tipo de censura e intimidação, mas que, agora, integram um grupo castrador.

Ao se posicionarem contra as biografias não autorizadas, ao se unirem para insistir numa lei esdrúxula, que inibe previamente a publicação de textos biográficos que não convirjam com os quereres e anseios de seus biografados (ou herdeiros destes), invertem a posição de “promotores da liberdade e do livre pensamento” – como o percurso da maior parte deles, respeitavelmente, mostra – para integrarem o time dos que querem calar a quem quer que seja, como fizeram com eles próprios na ditadura.

Tentam justificar o injustificável, buscam se cercar, diante do público, com argumentos de “preservação da intimidade”, “proteção familiar” etc., mas não o convencem. E não convencem porque, quando chegam à questão de “direitos autorais”, insistem na ideia de que é o artista dono de sua própria história; sendo assim, somente ele teria condições de ganhar com ela.

Aí, a meu ver, é que pega. Se fossem mais claros e dissessem: “Sim, a questão é financeira. Sim, nós queremos parte do saldo das vendas das biografias. Sim, nossos filhos e netos precisam continuar vivendo de nosso produto cultural”. Ainda que tenhamos “poréns” para isso, seria mais honesto essa situação.

Agora, ficam na defensiva com esse jogo nebuloso, com esse disque-disque, sem dizer nada; aí não dá. Vivemos numa democracia, que eles próprios ajudaram construir; não precisam mais usar de metáforas ou quaisquer outras figuras de linguagem para dizerem o que pensam. Que sejam diretos.

É claro que vou continuar a ouvi-los. É claro que suas canções continuarão em meus aparelhos de som. É claro que não tem como não gostar da música de qualidade que, ao menos a maior parte deles, produz. Mas também não precisariam macular a própria biografia com esse tipo de atitude. Pior pra eles: certamente a lei da não censura será aprovada nas casas de leis do país, sancionada pela presidente da república e respaldada no judiciário como o caminho viável para produção desse tipo de literatura. E eles? Terão que ler em suas próprias biografias que insurgiram contra a liberdade de expressão em pleno século XXI.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Músicos Compositores Eruditos Brasileiros

* Educadora Musical e Regente de Coral, com formação pelo Conservatório de Tatuí
Olá amigos!
Iniciamos na semana passada nossa conversa sobre Música Erudita Brasileira, e Heitor Villa-Lobos foi nosso anfitrião desse papo. Hoje, eu quero destacar outros grandes nomes de nossa história musical erudita:

CARLOS GOMES Antonio Carlos Gomes - Nasceu em Campinas em julho de 1836 e morreu em Belém, em setembro de 1896. Foi o mais importante compositor de ópera brasileiro. Teve destaque na Europa por conta de seu estilo surrealista. Foi o primeiro brasileiro a apresentar suas obras no Teatro Alla Scala. Sua ópera mais conhecida é “O Guarani”. Começou compor aos seus 15 anos de idade: valsas, quadrilhas e polcas. Com 18 anos compôs a primeira Missa (peça Erudita Sacra). Lecionava piano e canto, ainda moço, aos 23 anos. Sua preferência por Verdi era notória. Uma obra de Carlos Gomes muito conhecida além da ópera “O Guarani”, é “Quem Sabe?”, poesia de Bittencourt Sampaio com  música de Carlos Gomes.

Carlos Gomes é autor de inúmeras obras de sucesso, vamos ouvir as duas obras citadas acima. Aqui, a ópera “O Guarani”, na íntegra para quem quiser assistir. Vale muito conhecer as criações do nosso povo:

Carlos Gomes - Il Guarany (O Guarani) - Ópera encenada no Festival Internacional de Ópera da Amazônia no Theatro da Paz em agosto de 2007:


Uma curiosidade sobre Carlos Gomes: Pietro Mascagni (autor de Cavalleria Rusticana), que era amigo de Carlos Gomes, em uma visita a São Paulo ficou intrigado com o monumento da Praça Ramos de Azevedo erguido em homenagem a Carlos Gomes: "Admirei o conjunto, mas não reconheci a fisionomia do maestro esculpida no bronze", conta. "Soube depois que se tratava do busto do General José Gomes Pinheiro Machado. Não me contive e fui procurar o Sr. Washington Luís, que a princípio se mostrou incrédulo, só se convencendo com provas. O governo mandou retirar o busto e substituí-lo pelo verdadeiro". Graças a Mascagni, a estátua que vemos junto ao Theatro Municipal hoje tem a cabeça certa.” 

Vamos ouvir a “Quem Sabe” (Carlos Gomes e F.L. Bittencourt Sampaio), interpretada pela soprano brasileira Maria Lúcia Godoy - Ano de 1979:


Por todo o mundo os compositores eruditos buscam inspiração para suas obras nas tradições populares de seus países. Em nosso país, o folclore foi e ainda é inspiração para muitos compositores. De Alberto Nepomuceno a Edmundo Villani, temos inúmeras obras com essa temática.

Houve um tempo em que a música erudita era considerada por muitos como cafona, e em muitas casas, inclusive renomados conservatórios vimos a música erudita brasileira, especialmente a cantada, ser deixada de lado, até que grandes nomes de nossa música popular brasileira passaram a cantar peças desses compositores maravilhosos.

Um exemplo dessa reviravolta, retomando através de uma releitura, a nossa belíssima musica brasileira é a gravação de um trabalho de Ney Matogrosso, Wagner Tiso e João Carlos Assis Brasil “As Flores - com composições de Heitor Villa Lobos: Aqui você pode ouvir as faixas desse Cd:

http://www.radio.uol.com.br/#/album/joao-carlos-assis-brasil-ney-matogrosso-e-wagner-tiso/a-floresta-do-amazonas-de-villa-lobos/18696

Na semana passada ouvimos “O Trenzinho do Caipira” de Villa-Lobos interpretado pelo Grupo de Referencia do Projeto Guri. Ney Matogrosso também o interpreta e coloca o toque da música popular brasileira nos arranjos de guitarra, contrabaixo e bateria:


Quem não conhece Chiquinha Gonzaga?

CHIQUINHA GONZAGA Francisca Edwiges Neves Gonzaga, mais conhecida como “Chiquinha Gonzaga” nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1847 fevereiro de 1935. Foi compositora, regente e pianista brasileira, sendo a primeira pianista de “choro”. Ela foi autora da primeira marchinha de carnaval: “Ô Abre Alas, 1899) e também foi a primeira mulher a reger uma orquestra brasileira. Ela enfrentou muitos preconceitos para que sua música fosse vista com respeito. Filha de pai general do Exercito Imperial Brasileiro e de mãe negra, muito humilde.

Chiquinha tinha a rigidez aristocrática da família de seu pai de um lado e as rodas de lundu da herança cultural de sua mãe do outro. Essa mistura cultural lhe trouxe a técnica que os estudos lhe proporcionaram através de seu pai e a incrível percepção para a música que surgiu das tradições do povo brasileiro que sua mãe trazia.

Ela freqUentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África desde cedo.  Ela buscava nesses encontros a sua identificação musical com os ritmos populares vindos das rodas dos escravos. Como dissemos na semana passada, a maior parte de nossa musica erudita brasileira está baseada no folclore e historia da escravidão indígena e negra.

Tivemos uma minissérie sobre a Chiquinha. Na minissérie tivemos as três fases da vida de Chiquinha Gonzaga, interpretadas pelas atrizes Gabriela Duarte e sua mãe Regina Duarte. Quero mostrar a vocês um exemplo da obra de Chiquinha. Marina Bethania canta Lua Branca de forma comovente:  MARIA BETHÂNIA - LUA BRANCA - HSBC Brasil - São Paulo - 30.03.2013:


Ouçam que linda interpretação das “As Choronas” de Atraente/Corta Jaca  = Choronas - Atraente / Corta Jaca (Chiquinha Gonzaga) - Instrumental SESC Brasil - 28/11/2011:


Demos somente mais dois exemplos entre tantos que temos de nossos músicos eruditos maravilhosos. 

Vale a pena dar uma olhada na Lista de compositores eruditos brasileiros:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Compositores_eruditos_do_Brasil – e buscar suas obras no youtube. 

Tenho certeza que você vai reconhecer músicas que antes ouvia, mas não podia imaginar se de um músico erudito de nossa terra!

Boa pesquisa para todos! Até a próxima semana.

domingo, 3 de novembro de 2013

Hi! Sushi - um sonho oriental

* Professor universitário e mestre em Hotelaria e Turismo

Cada vez mais apreciada pelos gourmets a culinária japonesa encontra seu lugar e diferencial dentre os vários tipos de serviços e restaurantes especializados nesta gastronomia. Na cidade de Araçatuba recomendo o Hi! um Sushi Bar inspirado nos tradicionais Izakayas, típico bar japonês frequentado por executivos após o trabalho para aguardar o termino da "rush hour".

O Hi Sushi está localizado na Rua Cristiano Olsen, 2155 – Higienópolis. Foi idealizado por Renato Borges e seu primo Leandro Lemos. Ainda enquanto estudantes universitários começaram a apreciar a culinária japonesa, e como a maioria dos brasileiros, não era este o prato predileto deles, porém aos poucos foram apreciando cada vez mais esta culinária. Em um encontro de família Leandro comentou com o primo sobre o seu interesse em cursar gastronomia e logo sonharam com um restaurante japonês em Araçatuba.

Para colocar a ideia na pratica o Chef Leandro Lemos e o primo, empreenderam uma estratégia muito interessante e inusitada, a pesquisa de mercado do tão sonhado restaurante se deu pela sondagem dos amigos de ambos, por meio de festas realizadas em suas casas, o que proporcionou conhecer melhor os paladares do publico local e ao mesmo tempo gerar entre eles e seus relacionamentos uma propaganda boca-a-boca. Assim, foram construindo um espaço apropriado para o funcionamento do restaurante e aos poucos inaugurando o próprio negócio, “soft opem”.


Sua logomarca foi criada a partir do número 7, o da perfeição, com 5 traços que formam a palavra Hi (cumprimento oriental para diferentes ocasiões) e dois losangos representando os pingos do “i” e do sinal de exclamação “!”, na cor vermelha, amplamente usada no Japão, simboliza a cor do poder que governa direcionado à Luz, indicativa de força, luminosidade e gerador de lealdade, virtude, prosperidade, e boa sorte.

O cardápio é subdividido nas seguintes sessões: especialidades, entradas, temaki (cone de nori “alga” recheados), hot roll (rolinhos de sushi empanados em massa exclusiva crocante e fritos), uramaki (enrolado ao contrário - o Nori para dentro), sashimi (peixe cru), niguiri (bolinhos de arroz com fatias de sashimi sobrepostos), djô (sushi envolto com sashimi ou acelga), hossomaki (enrolado fino de sushi), pratos combinados, pratos quentes, sobremesas, bebidas e uma apresentável carta de saquês.


As especialidades da casa buscam na gastronomia contemporânea e fusion um equilíbrio de sabores, cores e texturas que encantam os paladares mais excêntricos. As exclusividades são: o Sushi Hi, envolto em sashimi de salmão, recheado com shimeji na manteiga com cream cheese Philadelphia ao molho tarê; Fire Hi, djô especial de salmão e atum servido em chamas; Ebi Hi, envolto em sashimi de salmão, recheado com camarão, shimeji na manteiga com cream cheese ao molho tarê; uramaki camarão spicy, recheado de camarão empanado e cream cheese coberto com sashimi de salmão molho tarê e pimenta; Djô Pokémon, envolto em acelga cobertura especial de doritos ao molho de limão. Djô Miguelito, enrolado em acelga e cobertura de inspiração mexicana.

Também merecem destaque o uramaki Alcapone, com rúcula, tomate seco e cream cheese; avocado, com salmão, abacate, cream cheese, doritos ao molho de limão picante; Sashimi Orange ball, fatias de sashimi de salmão ao molho de laranja sevido em um ball artesanal da casca da laranja; sashimi de toro de salmão servidas com molho cítrico levemente picante (o toro é a parte nobre do salmão, o sabor acentuado proporcionado pela gordura do peixe exige o acompanhamento de um molho marcante). Os peixes aqui servidos são frescos e de excelente qualidade, para tanto há uma seleção de fornecedores e o recebimento ocorre duas vezes na semana, para quem é apreciador de sashimi vale a pena experimentar!

Do cardápio de bebidas destacamos além das convencionais e tradicionais caipirinhas e doses de destilados, a cerveja Duff (a preferida do personagem Homer Simpson) e a Petra Weiss Bier (de trigo em alta fermentação, aroma frutado e sabor diferenciado que harmoniza perfeitamente com a culinária ali servida). O saquê no Hi! é servido nos copos quadrados e achatados, conhecidos no Japão como “massu”, que na verdade, são próprios dos cerimoniais tradicionais e também usados como padrão de medida.

Como sobremesa a sugestão do chef é o tempurá de sorvete de creme (empanada em cereais e frita), o harumaki de chocolate (primavera recheado com chocolate acompanhado de sorvete de creme) além dos sushis doces: Djô morango, com geleia Queensberry de damasco; Hot Nutella, roll de morango recheado e coberto com Nutella.

Assim como a culinária japonesa valoriza a riqueza cultural a simbologia espiritual em seus pratos, “usufrua o amor e a culinária com abandono total”, frase de Dalai Lama citada no cardápio desejando prosperidade, amor, solicitude, desapego e a arte aos fregueses deste harmonioso e receptivo “Hi” restaurante.
Um grande abraço e até mais um restaurante araçatubense da série!

SERVIÇO: segunda a domingo das 19h às 24h (exceto terças-feiras). Aceita encomendas. Fone: (18) 3624-2012. Home: www.hisushibar.com. Facebook.com/hishushibar.

sábado, 2 de novembro de 2013

CONTOS DE FADAS - SÉRIE - PARTE 1

* Professora da Educação Básica e mestranda em Educação pela Unesp

Não sei quantos de vocês já se atraíram ou ainda se atraem por “Contos de fadas”. Convido vocês, caros leitores, a comigo refletirmos sobre essa temática. Também não sei quantos de vocês leem e/ou contam histórias de contos de fadas a seus filhos, enteados, netos, sobrinhos, afilhados, vizinhos, alunos. Tampouco sei se alguma vez alguém contou pra vocês uma destas histórias. 

Elas são universais, passam de geração a geração e circulam pelo mundo inteiro. Muitas são apresentadas às crianças por meio da mídia televisiva, algumas delas cinematográfica, que além de desenhos animados, lançam filmes. No entanto, gostaria de enfatizar que nada substitui a leitura dessas narrativas por meio de um livro de literatura infantil e também a “gostosura” de ouvir uma contação de um desses contos.


Fato curioso é que essas histórias não foram criadas para a infância, mas para a juventude, tendo como principal objetivo orientar as moças e, em alguns casos, os rapazes, por isso apresentam a “moral da história”. Narrativas essas, em grande parte, originárias de países europeus, onde o cenário é facilmente identificado por bosques muitas vezes descritos como sombrios, propiciando uma série de aventuras perigosas aos grandes heróis e heroínas, principalmente príncipes e princesas, inclusive por conta dos castelos daquelas regiões, mescladas a este mundo real, observamos a presença de personagens fictícias como fadas, bruxas, ogros, e também de objetos mágicos: varinhas de condão, tapetes voadores, espelho que fala, dentre outros. 
                       

Para todos que pretendem aprofundar no assunto, indico-lhes a leitura do livro “A psicanálise dos contos de fadas”, de Bruno Bettelheim. Além de termos a oportunidade de ler os contos originais mais famosos, também temos o privilégio de compreender as tipologias e os simbolismos constituídos nestes textos, pois o autor traz as interpretações sob a ótica da psicanálise. Para os amantes da literatura e da psicologia, a leitura desta obra torna-se imprescindível. Vocês irão se surpreender “o que há por traz dos contos de fadas”. 

                                      

Nos contos originais há muito “sangue e dor”, como dizem os estudiosos, comparados a histórias de terror, com finais trágicos.
Talvez vocês estranhem este comentário por somente conhecerem a célebre frase: “E viveram felizes para sempre”, mas saibam que tudo precisou ser adaptado para que estas histórias chegassem às pequeninas mãos, isso explica a “Walt Disney Company” produzir somente as versões adaptadas dos contos de fadas, que acabam por fazer muitas crianças viajarem neste mundo mágico da tecnologia que propicia o movimento das imagens, visto que pelo livro isso não é possível.

                

Vale dizer que em pleno século XXI têm surgido muitas versões destes contos, mais conhecidas como “histórias às avessas”. Um livro que contrapõe a obra de Bettelheim é a do casal Corso, “Fadas no divã”, que também trazem conceitos psicanalíticos, porém, de maneira contemporânea e com personagens mais atuais, como o Snoopy, a Mafalda, o Harry Portter, o Calvin, além dos próprios contos clássicos infantis.

               

Leituras e discussões a respeito dos “Contos de fadas” fazem com que nos tornemos leitores atentos, pesquisadores experientes, enfim, agentes literários mais críticos a este gênero.
Convido-os a continuarmos este estudo até o nosso próximo encontro.
Grande abraço!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Sala São Paulo

* Graduando em Arquitetura e Urbanismo


Um projeto de uma sala de concertos já poderia ser difícil por si só, mas esse trabalho pode tornar-se ainda mais complexo quando essa sala precisa ser instalada em um edifício histórico, tombado, ao lado de uma linha de trem que produz vibrações no solo bastante significativas. Esse foi o universo com o qual Nelson Dupré e toda a equipe de arquitetos, engenheiros e engenheiros acústicos tiveram que lidar para que o projeto da Sala São Paulo pudesse ser concluído.


Originalmente, o edifício no qual a sala encontra-se instalada, foi projetado para ser uma estação de passageiros da antiga estrada de ferro Sorocabana. Projetada pelo arquiteto Christiano Stockler das Neves; o surgimento da estação está intimamente ligado ao processo de crescimento econômico do café. Entretanto, depois de muito tempo, a estação foi perdendo seu prestígio e acabou se tornando apenas mais um edifício desocupado no centro da cidade de São Paulo. Abaixo, a imagem mostra a sala em 1951.



Mas depois de um longo período de esquecimento, em 1997, o governo do estado de São Paulo decide tornar o prédio em uma sala para servir como sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Um projeto é pedido para o arquiteto Nelson Dupré que, magistralmente, passa a trabalhar no projeto que poderíamos considerar sua obra-prima.

A sala é pensada para ocupar o lugar do jardim central da antiga estação, que possui medidas muito similares às de muitas outras salas em estilo shoebox ao redor do mundo. Isso favorece muito para a acústica da sala. No mesmo sentido, o concreto (material usado na construção da estação) também colabora para uma melhor reflexão sonora. Todas essas pré-existências somadas aos trabalho de restauro e intervenção de Dupré, fizeram da Sala São Paulo uma das melhores salas de concertos do mundo, com um nível de qualidade acústica inigualável.  

As intervenções na Estação Júlio Prestes caminham no sentido de se distinguir os elementos ecléticos dos elementos atuais, evidenciando todas as intervenções contemporâneas. Dessa forma, o arquiteto usa de materiais como o aço, o vidro, o concreto e a madeira clara, todos desenhados de forma a evidenciar essa diferença.  “A opção por um desenho com linhas retas é uma resposta à arquitetura da estação, repleta de elementos curvos.” É o que diz Nelson Dupré. São as linhas retas que conferem equilíbrio ao prédio reformulado. É preciso respeitar as qualidades da arquitetura original, sem que a nova arquitetura impeça uma leitura inteligente do espaço como novo e antigo.


A foto acima, mostra como era o jardim, antes da intervenção em 1997. É importante fazer uma comparação entre o caminhão que recolhe a terra e a ordem de colunas monumentais nas faces do jardim, para perceber a escala monumental dessas colunas.


Uma das soluções mais inovadoras que a Sala São Paulo trouxe foi o forro ajustável. Aqui, nesse projeto, é utilizado pela primeira vez no mundo um forro móvel que controla o volume da sala de acordo com o uso. Por exemplo: se uma orquestra filarmônica vai se apresentar com um coro, para que a acústica seja agradável, o volume da sala não pode ser o mesmo de quando um quinteto de cordas de apresenta. Para que isso seja resolvido, nove painéis centrais e sete painéis laterais são dispostos por toda a cobertura da sala, para que cada espetáculo possa ter seu volume adequado.




Os balcões laterias possuem um desenho bastante dinâmico que contribui para que o som seja “espalhado” pela superfície. Da mesma forma, todas essas soluções tornam esse projeto um dos mais bem sucedidos projetos para salas de concerto do mundo. São atitudes projetuais inovadoras e criativas que respeitam o antigo e agregam valor com o novo. Abaixo, segue um vídeo bastante interessante sobre todo o processo  de construção da obra.