quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cinebiografia - história da vida real na telona

*Professora universitária e mestre em Mídia Digitais
A Cinebiografia é um gênero do cinema que vem conquistando muito o público de maneira geral. Antigamente a falta de recurso e de criatividade tornava os filmes biográficos muito sem graça e sem atrativo. As cinebiografias são filmes que contam uma história, normalmente de algum público ou famoso, e têm o objetivo de apresentar a vida real, com detalhes que até então são desconhecidos pelo público. 

Normalmente, esses filmes são gravados como uma homenagem ou reconhecimento e, a rigor, a pessoa descrita já morreu. Mas na atualidade isso vem mudando; exemplo disso é o filme em homenagem a Mandela.

A abordagem, na maioria das vezes, tem um ponto de vista crítico e está muito associada a imagem que se deseja retratar e não segue um critério histórico apenas, embora na maioria das vezes a narrativa cronológica prevaleça. Os produtores de um filme biográfico devem estar atentos ao escolher a direção a seguir, para que não desviem a proposta do filme do interesse do público. 

De certa forma é o que está acontecendo com JOB’S. O público criou uma expectativa muito grande com o filme e, ao chegar aos cinemas, o resultado não foi o esperado.  Talvez a decepção tenha vindo justamente pelo que falamos acima: o fio condutor do filme mostrou o lado desafiador e empreendedor de Steve Jobs, mas o público esperava algo mais pessoal, pois a história de vida e superação de Jobs se deparou com momentos marcantes sobre a família, sentimentos e saúde. Mas a opção foi por mostrar o lado empresarial dele e conseguiram, embora o estrondoso sucesso da Apple não tenha acontecido no período retratado no filme.  O lado rígido e grosseiro com que costumava tratar seus funcionários e sócios está bem presente no filme e a caracterização de Ashton Kutcher como Jobs ficou boa, mas, de maneira geral, esta cinebiografia agradou de leve seu público.


O mundo do cinema conta com muitas biografias que deram certo ao pararem na telona. Como exemplo, temos o recente Lincoln, que retrata a vida do presidente norte-americano Abrahan Lincoln, que enfrentou a Guerra Civil nos EUA e emancipou os escravos de seu país. O filme dirigido por Steven Spielberg, teve claro suas falhas, mas as qualidades superaram em muito. Observar Daniel Day-Lewis em cena é impressionante e os atores que fizeram parte do elenco não ficam muito atrás.



Como cinebiografia brasileira o destaque vai para Dois Filhos de Francisco, embora nem tudo tenha acontecido da forma apresentada e a história tenha tido lá seus retoques, a essência é verdadeira, e isso em uma cinebiografia é essencial. Foi com a ajuda de Dira Paes (Helena, mãe dos meninos) e Ângelo Antonio (pai dos meninos) que deram um show que pudemos ver na tela a linda história do sonho de Francisco dar certo.


Alguns filmes deste tipo atingiram um grande sucesso ao conseguirem realizar uma obra cinematográfica, onde o protagonista seja muito parecido com o personagem principal, com é o caso de Ray (vida de Ray Charles) e A Rainha (vida de Elizabeth II); mas também tivemos o lançamento recente, no Festival de Toronto, do filme Mandela: Long Walk to Freedom, onde o ator não se assemelha com Mandela e, ao término, o filme recebeu oito minutos de aplausos. Vale lembrar que não é essa semelhança  que consagra uma cinebiografia, o mais importante é narrar a  trajetória do líder, mártir, famoso ou pop star de acordo com a intimidade e inspiração pertinente ao personagem; é conseguir mostrar ao público o melhor do homenageado.


Bom, já deu pra ter uma ideia do que são as Cinebiografias. Agora é só escolher seu ídolo, verificar se já existe o filme que retrate a vida dele e curtir...

Até a próxima!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

BIBLIOTECAS E LIVRARIAS PARA QUÊ? (OU PARA QUEM?)

*Jornalista e escritor
Eu e meus moinhos de vento.

As duas últimas semanas foram de dias intensos com as ações da 5ª Jornada de Literatura de Araçatuba: lançamentos de livros, tarde de autógrafos, palestras, peças teatrais, visitas de autores em escolas públicas e particulares, uma feira do livro e a premiação do 26º Concurso de Contos “Cidade de Araçatuba”. E o povo, onde estava?

Com exceção das atividades nas quais os escritores visitaram as escolas, as demais não foram prestigiadas como deveriam, em minha opinião. Sempre os mesmos rostos, sempre o mesmo público que, a rigor, “não precisa” desses eventos porque, de algum modo, já está envolvido com livros em seu fazer artístico, em sua dinâmica de vida.

Aí fico pensando: Onde estão meus amigos que tanto clamam por livrarias e bibliotecas na cidade? Onde estão os que, em seus discursos, sentem-se gravemente indignados com a ausência de equipamentos ligados ao livro em Araçatuba? Onde estão aqueles que, na fala, precisam tanto da literatura, da poesia?

Estão em casa dormindo... “estão todos dormindo, profundamente!”.

Todos nós, escritores, quando lançamos livros, temos que sair com eles debaixo do braço, oferecendo-os a amigos, conhecidos, desconhecidos e, até, inimigos para que não fiquem encalhados na prateleira.

Por que o que produzimos é ruim? Não. Porque muito pouca gente quer comprar livros.

Não poucas vezes presencio mostruários de bijuterias, pacotes de sutiãs ou calcinhas, revistas de Avon, Jequiti, Hermes e outras expostos em salas de professores. As vendedoras têm, inclusive, cadernetas com contas perpétuas de professoras, coordenadoras, diretoras e funcionárias que, mensalmente, fazem com que esses produtos sejam infinitamente produzidos para mantê-las.

Nada contra sutiãs e bijuterias, mas porque não conseguimos, também, manter contas de livros em cadernetas? Por que nossas papelarias – até hoje não conseguimos ter uma livraria na cidade – não conseguem manter (ou angariar) um público cativo que compre livros mensalmente, que se interesse por lançamentos e encontros com autores, que faça do hábito de ler não somente um “artigo de luxo” ou de “finesse”, mas uma ação cotidiana e saudável para o cérebro, para ampliação de saberes e formas de ampliação de repertórios dos mais diversos?

A meu ver – e a experiência é que me garante isso – “gostar do livro” é algo “bonitinho”, politicamente correto e resposta pronta pra quem quer impressionar. Agora, relacionar-se com livro não é para qualquer um; tem que ter coragem, tem que ter vontade, tem que, de fato, pagar o preço por isso. Literalmente. Enquanto o livro for importante para a maioria somente no discurso, teremos esse cenário a que Araçatuba e muitas outras cidades de nossa região e do Brasil passam: uma sonolência literária.

E eu, continuo a lutar contra meus moinhos de vento.


Programação completa da Jornada: http://goo.gl/WY8jFc

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

VERDI

*Professora de música e coral, formada pelo conservatório de Tatuí
Esse ano comemoramos o bicentenário de nascimento do compositor italiano Giuseppe Verdi. Ele foi considerado o maior compositor nacionalista da Itália, comparado a Richard Wagner (Alemanha), que nasceu no mesmo ano de Verdi. 

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi nasceu em 10 de outubro de 1813 em Le Roncole, uma pequena vila no município de Busseto – Parma-Itália e faleceu em 27 de janeiro de 1901, com 87 anos em Milão.

Inicialmente estudou na sua região, mas ao completar 20 anos mudou-se para Milão, onde continuou seus estudos, dedicando-se principalmente à composição de música para o teatro de ópera. Ele foi um dos compositores mais influentes do século XIX.  

Suas obras são executadas em todo o mundo e muitas arias são bem conhecidas, tanto que se misturam à
cultura popular e são freqüentemente executadas separadamente das operas, até mesmo em eventos com temas populares.  

Vou lhes mostrar dois exemplos da popularidade das obras de Verdi, interpretadas fora do contexto operístico. “Va, pensiero”, coro dos escravos Hebreus da ópera Nabucco: Pavarotti e Zucchero:

http://www.youtube.com/watch?v=6bt9RTMDvX4;

“La Donna è mobile”, da ópera Rigoletto:

Andrea Bocelli:


Uma ária de Verdi, muito conhecida e executada em casamentos é a “Glória aL Egito e ad Iside”, que é a Marcha triunfal da ópera Aida:


La Traviata é sua ópera mais encenada no mundo. Essa obra tem em seu enredo a historia de uma prostituta que é transformada por todos em uma cortesã. Ela vive um amor muito forte e retrata a questão do preconceito. Segundo Cleber Papa, diretor e produtor cultural, essa obra é um exemplo claro da “Falsa moral burguesa do séc. XX”.  Veja aqui uma das arias mais conhecidas dessa opera: “Libiamo”- Baden-Baden, Elina Garanca (mezzo-soprano - Latvia), Ramón Vargas (tenor - Mexico), Ludovic Tézier (baritone - France): 


Verdi compôs mais de 20 óperas, dentre as mais importantes podemos listar: 

Rigoletto (1851) – essa opera fala sobre um corcunda em meio a jogos de sedução na nobreza;                   La Traviata (1853) – é um romance entre uma cortesã e um rapaz de família; 
Aida (1871) – no Egito antigo, uma escrava vive um amor proibido; 
Otello (1887) – inspirada na obra homônima de Shakespeare; 
Falstaff (1893) – narra as aventuras de um fanfarrão, personagem de Shakespeare.

Outras obras igualmente importante são: 
Nabucco (1842); 
Macbeth (1847 – tendo uma versão revisada em 1865); 
Il Trovatore (1853); 
Um Ballo in Maschera (1859); 
La Forza Del Destino (1862); 

Deixo com vocês, meus queridos leitores, um incentivo para que assistam as operas de Verdi. Tenho certeza que ficarão fascinados com a beleza de seus enredos, personagens e sairão extasiados dessa experiência com a belíssima obra musical desse grande compositor italiano.  

Uma dica para quem for à São Paulo é a exposição que acontece até o dia 29/setembro no Museu da Imagem e do Som com o título “Verdi 200 anos – Imagens em Transição”. Aqui, uma matéria exibida no Metrópolis, da TV Cultura, sobre a exposição de Verdi:

http://tvcultura.cmais.com.br/metropolis/200-anos-de-giuseppe-verdi-metropolis-06-09-2013

Falaremos mais sobre opera na próxima semana. Conversaremos sobre Richard Wagner – o compositor preferido de Adolph Hitler e que nasceu no mesmo ano de Verdi. 

Ótima semana para todos. 

domingo, 15 de setembro de 2013

GENTE QUE FAZ...

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria

Ainda sobre a “gastronomia brasileira”, é preciso fazer referência àqueles que realmente “põem a mão na massa”. Nossa gastronomia é vista como exótica no cenário gastronômico mundial, principalmente por causa dos ingredientes tipicamente brasileiros, com sabores inusitados que, aliados às técnicas clássicas da gastronomia internacional e contemporânea da gastronomia molecular, ganharam prestigio e reconhecimento internacionais.

A gastronomia brasileira começou a ganhar destaque internacional com a entrada dos chefs brasileiros ao seleto grupo premiado entre os melhores restaurantes do mundo. Recentemente, no ranking dos 50 melhores restaurantes da América Latina, publicado pela revista britânica "Restaurant" neste ano de 2013, entre os dez primeiros colocados estão três restaurantes brasileiros (Tabela 1). O restaurante “D.O.M.” do chef Alex Atala ocupando a segunda posição, o “Maní” de Helena Rizzo e Daniel Redondo na quinta colocação, e o restaurante da chef Roberta Sudbrack na décima.

Fonte: Revista Exame (2013)

Ainda nesta lista, constam em 16º colocado o restaurante Mocotó, do chef Rodrigo Oliveira; em 23º o famoso e renomado Fasano, de culinária italiana; em 32º o Attimo de “cucina italo-caipira” do chef Jefferson Rueda; 35º Olympe de culinária francesa do chef Claude Troisgros, conhecido dos programas e reality show da GNT; 38º Remanso du Bosque dos chefs Thiago e Felipe Castanho e em 41º o Epice do chef Alberto Landgraf.

No cardápio destes restaurantes brasileiros é comum encontrar sabores regionalizados, como amburana (sementes de uma árvore brasileira amburana cearensis), pequi, bacuri, jabuticaba, jaracatiá (frutas), pupunha, jambu, cupuaçu, açaí, tucumã etc. e outros produtos como: a tapioca, tucupi, a rapadura, o queijo coalho que ganharam o gosto dos chefs nacionais em seu uso e o paladar da crítica internacional. 

Não há nada de novo nisso; estes ingredientes já eram usados pelos sertanejos, nativos indígenas, caboclos e caipiras em sua alimentação cotidiana, apenas ganharam contornos e um olhar para o regional, utilizando técnicas de preparo internacional para explorar o alimento em todas as suas possibilidades.

Na área acadêmica da Gastronomia, um dos predicados do curso é o “[...] domínio da história dos alimentos, da cultura dos diversos países e da ciência dos ingredientes” este último, é indicativo da pesquisa tecnológica, que no Brasil, por sinal, é ínfima no âmbito dos cursos de graduação. Este desenvolvimento fica, então, à mercê daqueles que possuem um perfil científico e criativo por si só. Os festivais gastronômicos promovidos no país também têm auxiliado bastante neste processo de criação gastronômica e utilização de ingredientes endêmicos.

A seguir, apresento alguns dos chefs brasileiros que têm feito diferença na área da criação gastronômica brasileira:

Alex Atala
D.O.M. e Dalva e Dito (São Paulo/SP)

O chef brasileiro mais conhecido, dentro e fora do País, comanda as cozinhas dos restaurantes D.O.M e Dalva e Dito. O primeiro abriu em 1999 com a proposta de fazer uma gastronomia influenciada, ao mesmo tempo, pela pesquisa de produtos brasileiros e pela vanguarda espanhola. Desde 2006, está entre os 50 melhores do mundo na lista da revista britânica Restaurant; em 2012, chegou à 4ª colocação. Em 2009, abriu o Dalva e Dito (a galinhada da madrugada de sábado para domingo já é um clássico paulistano). Inquieto, só no ano passado Atala preparou um almoço no Plaza Athènée, a convite de Alain Ducasse, foi jurado do Bocuse d'Or e tomou a dianteira, com outros colegas de profissão, da Associação dos Profissionais de Cozinha do Brasil (APC). Ainda criou a Retratos do Gosto, marca voltada à promoção de ingredientes regionais cultivados por pequenos produtores. Pelo conjunto da obra, foi escolhido personalidade do ano do Prêmio Paladar 2012. (PALADAR, 2013).

Alberto Landgraf
Epice (São Paulo/SP)

Alberto Landgraf, de 32 anos, comanda o restaurante Epice. Inaugurada em 2011, a casa se firmou quase imediatamente como uma das melhores de São Paulo. Landgraf estudou culinária na Westminster Kingsway College, em Londres. Durante os cinco anos em que viveu na Europa, trabalhou com chefs como Gordon Ramsay, em seu restaurante na Royal Hospital Road (três estrelas no Guia Michelin), e Tom Aikens. Também passou pelo restaurante de Pierre Gagnaire, em Paris. De volta ao Brasil, trabalhou no La Palette, no Hotel Royal Palm Plaza, e gerenciou as cozinhas do grupo Cia.Tradicional de Comércio. (PALADAR, 2013).

Ana Luiza Trajano
Brasil a Gosto (São Paulo/SP)

Famosa por suas constantes viagens em buscas de histórias, receitas e ingredientes, a chef do Brasil a Gosto estudou e trabalhou em restaurantes na Itália, mas foi depois de uma grande jornada pelo Brasil (relatada no livro Brasil a Gosto) que ela teve a ideia de abrir o restaurante, em 2006. Lá, a cada quatro meses, ela apresenta um novo cardápio temático, geralmente homenageando a mesa de um estado do País. Seu prato Boia Nordestina, que mistura carne-seca desfiada, farofa de farinha de cruzeiro na manteiga de garrafa, purê de abóbora e arroz branco, ganhou o Prêmio Paladar 2012 na categoria Trivial. (PALADAR, 2013).

Carla Pernambuco
Carlota e Las Chicas (São Paulo/SP)

Carla Beatriz Danesi Pernambuco é uma chef sem fronteiras - e por isso mesmo profundamente identificada com o Brasil. Nascida no Rio Grande do Sul e radicada em São Paulo, viveu em Nova York, onde estudou no The French Culinary. Em seu restaurante Carlota, inaugurado há 18 anos, faz uma cozinha de feição contemporânea. Em 2011, inaugurou o Gourmet Garage Las Chicas. Carla faz parte do grupo de chefs que, nos anos 1990, trabalhou pelo reconhecimento da culinária nacional, tema do seu programa no canal Bem Simples, chamado Brasil no Prato. No rádio, apresenta o Cada Prato uma Viagem da BandNews. Além de autora de livros, é dona da empresa de consultoria Studio Carla Pernambuco. (PALADAR, 2013).

Helena Rizzo
Maní Manioca (São Paulo/SP)

Ao lado do marido e chef Daniel Redondo, Helena Rizzo promove o encontro da técnica espanhola com ervas, raízes e vegetais brasileiros. Seu restaurante Maní - que em 2012 apareceu pelo segundo ano consecutivo na lista dos melhores restaurantes do mundo da revista britânica Restaurant, agora na 51ª posição - é um dos mais originais endereços da gastronomia nacional. A jovem chef gaúcha pratica uma cozinha rigorosa tecnicamente, leve e saborosa. Desde 2009, o Maní tem um espaço para eventos, o Manioca. (PALADAR, 2013).

Jefferson Rueda
Attimo (São Paulo/SP)

O primeiro trabalho de Jefferson Rueda foi num açougue em São José do Rio Pardo, cidade em que nasceu. Foi lá que aprendeu muitas técnicas que usa até hoje. Aos 17 anos, formou-se chef pelo Senac. Trabalhou com Laurent Suaudeau e estagiou no Apicius, na França. De volta ao Brasil, abriu o restaurante Madelleine e o italiano Pomodori, do qual foi sócio-proprietário de 2003 até o início de 2011. Durante um período dividiu a cozinha com sua esposa, Janaína, no Bar da Dona Onça. Desde julho de 2012 comanda o Attimo, que já ganhou o Prêmio Paladar, na categoria Ave, pela galinha ao molho do rio pardo. (PALADAR, 2013).

Rodrigo Oliveira
Mocotó (São Paulo/SP)

Chef do Mocotó, aclamado restaurante de comida nordestina na Zona Norte da capital, que foi aberto em 1973 por seu pai, o pernambucano José de Almeida. Coube a Rodrigo modernizar e atualizar alguns pratos do restaurante, mas sem prejuízo do sabor. Com esta fórmula, o chef tem atraído a atenção da imprensa do mundo todo e conquistado a admiração, não só dos clientes do bairro, como de especialistas, que cruzam a cidade em busca de suas receitas. No cardápio há ingredientes como cabrito, miúdos, favas, feijões, maxixe e inhame, além do famoso torresmo da casa. Em 2010 inaugurou, no mesmo prédio do restaurante, a cozinha experimental Engenho Mocotó. (PALADAR, 2013).

Roberta Sudbrack
Roberta Sudbrack (Rio de Janeiro/RJ)

Por cinco anos, a chef Roberta Sudbrack comandou a cozinha do Palácio do Planalto, servindo refeições para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, chefes de governo e comitivas internacionais – foi a primeira mulher a assumir o posto. Hoje, o restaurante que leva seu nome, é considerado o 10º melhor da América Latina. Em comum entre aquela época e a atual há o trabalho de Roberta para preservar da herança cultural e gastronômica do Brasil por meio dos pratos que faz. (PALADAR, 2013).


Thiago Castanho
Remanso do Peixe e Remanso do Bosque (Belém/PA)

Formado em gastronomia pelo Senac Campos do Jordão, Thiago Castanho iniciou sua trajetória no restaurante dos pais. Comanda, ao lado do irmão Felipe, o restaurante Remanso do Peixe, aberto em 2000, e o Remanso do Bosque, inaugurado em 2011, os dois em Belém do Pará. Sua culinária mescla a cozinha amazônica com técnicas modernas, permeada por produtos regionais encontrados em suas visitas ao mercado Ver-o-Peso. (PALADAR, 2013).

Saiba mais: http://www.estadao.com.br/paladar/cozinha-do-brasil-2013/chefs.htm

Bom domingo e até mais...

sábado, 14 de setembro de 2013

Leitura e escrita: uma história construída

*Professora da Educação Básica e mestranda em Educação pela Unesp
Teóricos especialistas no assunto dizem que, em geral, os alunos leem muito pouco e escrevem textos medianos, portanto, poucos textos são ruins e poucos são realmente bons. Esta é uma realidade constatada.

É preciso fazer do leitor, que tem limitações, desenvolver ações reflexivas. Não se esquecendo que há diferentes níveis de leitores. Regina Zilbermam afirma que quem escreve bem, geralmente lê muito e que, no entanto, a leitura por si só não garante uma boa escrita.

Amparando-se na linguística, ao contrário do que diz o dito popular “Falar é fácil”, falar, na verdade, não é fácil e escrever tampouco. Ninguém fala para não ser entendido e ninguém escreve para não ser compreendido. 

É a leitura que nos separa da condição animal. Como ela é um processo, o locutor precisa convidar o interlocutor a participar deste processo. De certa forma, expandir no texto é um processo individual, ou seja, o “sair do texto” é comum a todos os leitores.

                                                                                         
Marisa Lajolo (2000) faz uma analogia entre o poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto com a “concepção de leitura”, dizendo que assim como os galos tecem a manhã, os leitores tecem o significado dos textos, construindo então aspectos relevantes para uma reflexão sobre o papel da leitura numa sociedade democrática. Para a autora, a atividade de leitura, em suas origens, era individual e reflexiva, contrapondo a oralidade de poetas e contadores de histórias que possui um caráter coletivo, volátil e irrecuperável. Considera que a atividade de leitura transformou-se hoje em leitura dinâmica, gerando constantemente a necessidade de novos textos. Ratifica ainda que ler é essencial e a leitura literária também é fundamental.

Cada leitor entrelaça o significado pessoal de suas leituras com os vários significados acumulados. Cada leitor tem a história de suas leituras. Lajolo afirma “Um professor precisa gostar de ler, precisa ler muito, precisa envolver-se com o que lê. E esse não é, infelizmente, o perfil comum do professor.”. Enfim, a autora traz uma crítica severa aos profissionais do ensino... Precisamos refletir e agir sobre isto!

Cada pessoa constrói a sua história de leitura.


Estabeleceu-se que literatura infantil é uma especialização literária que visa, particularmente, atingir o pequeno leitor, ou seja, existem livros destinados às crianças. O problema é que muitos destes livros não possuem atributos literários, pois não bastam certas junções de palavras para se realizar uma obra literária. A realidade é que o livro infantil é criado pelo adulto, que transmite pontos de vista que considera úteis à formação de seu pequeno leitor/ouvinte, crendo ser adequado ao gosto e compreensão de seu público. Atualmente, encontram-se narrativas novas inspiradas em outras conhecidas, algumas perduram, outras desaparecem suavemente. Da Pérsia, Egito, Índia e Arábia, as lendas piedosas, os ensinamentos morais e os casos engraçados espalharam-se pelos quatro cantos do mundo, narrativas que se refundem, e continuam a circular.

                                                                                          
Todos temos uma história de leitura, podemos até classificá-las como boa ou ruim, mas temos. Devemos concluir que não há uma história melhor, simplesmente cada um tem a sua. Podemos mesmo depois de adultos reverter nossa história, se for preciso, assim como, contribuir com a construção da história daqueles que convivem conosco e, principalmente, daquelas que precisam tanto de nós: as crianças! Por outro lado, é relevante permitirmos que o outro contribua também! Trata-se de uma reciprocidade constante.

E então? Qual é a sua história?

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

AS CASAS DA DÉCADA DE 1970

*Graduando em Arquitetura e Urbanismo pelo Mackenzie
A modernidade não foi capaz de resolver todas as questões dos aspectos individuais e sociais dos homens. Depois de duas guerras sangrentas, movimentos nazistas e fascistas, e uma atmosfera sob a tensão da Guerra-fria, o mundo pós-moderno se propôs a olhar para as dinâmicas sociais sob um novo viés. Novas agendas passaram a ser discutidas e, evidentemente, como ato político, a arquitetura passou a ser influenciada por uma infinidade de teorias.

Os antigos paradigmas deram lugar a novos paradigmas e, agora, a filosofia, as ciências sociais, a biologia, a psicologia e uma gama de disciplinas passaram a fazer parte da discussão sobre arquitetura. A fenomenologia de Heidegger e Bachelard, a psicanálise de Freud, a teoria linguística de Roland Barthes e Jaques Lacan, a semiótica de Charles Sanders Peirce e Ferdinand de Saussure, o pós-estruturalismo de Foucalut, o desconstrutivismo de Derrida, o marxismo da Walter Benjamin, a crítica social da Escola de Frankfurt e a dominação de Bourdier, foram alguns das importantes teorias que influenciaram a discussão da arquitetura a partir da década de 1960 e 70.

Essas teorias levantaram questões relacionadas à relevância da história, ao sentido, ao lugar,  às teorias urbanas,  às agendas éticas e politicas, entre outros. E essas questões guiaram a produção da arquitetura durante essa época. Logo, falar de casas da década de 1970 sem falar das discussões que aconteciam fora do campo da arquitetura, é relevar uma meia-verdade.

Muitas dessas casas são críticas materializadas. A discussão ultrapassa a questão técnica da construtibilidade e viabilidade do “abrigo” para alcançar a edificação de uma posição teórica. Se a arquitetura moderna expressava a verdade e o progresso alcançado pela sociedade industrial através da pré-fabricação, da simplificação formal, da higienização e a visão de tecnicista, a arquitetura pós-moderna coloca em discussão a dúvida, a construção manual e regional e a abstração formal, a referência ao passado, o problema social etc...

Para ilustrar, separei três casas que expressam bem as questões que povoavam a mente dos arquitetos da década de 1970. No primeiro exemplo, House III, Eisenman desenvolve a casa a partir do giro de 45 graus do volume quadrado, dentro de um volume com a mesma área. O resultado é uma impressionante combinação de pilares e vigas formando planos e ângulos em sentidos distintos. No segundo exemplo, Gilardi House, o mexicano Barragan abusa das cores em toda a casa e cria um clima bastante divertido. No último exemplo, Gehry House, Frank Gehry amontoa algumas chapas de aço, retorce alguns ferros, cria assimetrias e constrói uma das casas mais provocativas da década de 1970. 

House III – 1970, Peter Eisenman:




Gilardi House – 1976, Luis Barragan:




Gehry House – 1978, Frank Gehry:




Forte abraço e até a próxima semana.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MARIA JOSÉ CARNEIRO


Olá pessoal, tudo bem? Hoje falaremos sobre a artista araçatubense Maria José Carneiro, que adotou o nome artístico M.J. Carneiro. Maria José tem formação acadêmica em Pedagogia e História. Na área de Artes Plásticas, fez vários cursos em Florianópolis, Balneário Camboriú e São Paulo. Tem como artistas preferidos e admirados Claude Monet, Camille Pissarro e outros tantos impressionistas; em Araçatuba, gosta de citar Edna Badú como uma de suas artistas prediletas.

Realizou duas exposições individuais na Biblioteca Municipal "Rubens do Amaral", em Araçatuba. Participou de mostras coletivas em São Paulo (UDEMO), “Olhar Arte" (Araçatuba), Balneário Camboriú e também fez uma exposição em Dallas (Texas/EUA).

Maria José tem como plano pessoal realizar muitas viagens pelo Brasil e exterior, entremeadas com exposições e visitações a museus, galerias de arte, além de galerias públicas a céu aberto.

Para Maria José arte é a manifestação de um artista a partir de sua visão do mundo. Nessa visão está contida toda a sua sensibilidade.

Para ela, o tratamento que dão às Artes Plásticas no mundo,  aproxima-se do desejado. No Brasil, acredita que há muito caminho a percorrer.

Atualmente existe uma maior atenção para todas as artes em Araçatuba. Exposições de Artes Plásticas são constantes, saraus, peças de teatro etc... Vê tudo isso como o resultado de um percurso que se estende nas últimas décadas e que está se acentuando agora.

Maria José não vê como negativo a participação dos gestores públicos no setor cultural, mas poderia haver melhoras, como parcerias entre o poder privado e o público.

Para ela, o mundo precisa de Arte porque a Arte é o alimento do espirito. O tema do seu trabalho é a arte contemporânea, abstrata. Mas ele não limita sua criação. Ela não diz não conseguir viver de Arte; por isso tem outra fonte de renda.

A artista busca promover sua arte por meio de exposições, mas também tem seus trabalhos divulgados em outros meios, como revistas, internet etc.

ALGUNS TRABALHOS DA ARTISTA:





quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Cine Holliúdy chega com tudo na comédia brasileira

*Professora universitária e mestre em Mídia Digitais
No mês em comemoramos a nossa Pátria, vamos falar um pouco mais sobre o crescimento do cinema brasileiro, que ainda é tímido, mas com certeza é um gigante adormecido.  Ainda falta, mas já temos atores incríveis, diretores e roteiristas maravilhosos; então, será questão de tempo para que o mundo se renda ao Cinema Brasileiro.  A primeira exibição do cinema no Brasil ocorreu em 1896, no Rio de Janeiro. De lá para cá, muita coisa mudou e o cinema brasileiro tem seu recorde de público com Tropa de Elite 2.

A marca registrada do cinema brasileiro ficou com a Chanchada, gênero que resistiu até as décadas de 1940 e 50, pois o público se cansou da fórmula e os atores começaram receber convites para atuar na televisão. Na década de 1970 surgiu o gênero brasileiro Pornochanchada, chamado assim por misturar elementos da chanchada e pela dose exagerada de erotismo; surgem como filme para o público de massa e foi muito influenciado pelas comédias populares italianas.  Durante as décadas de 1980 e 90 o cine brasileiro rodou e patinou, com isso aprendeu o que fazer e não fazer e, no ano 2000, já crescido, teve a sua retomada e estourou com títulos como: Cidade de Deus (2002), Carandiru (2003) e alcançou o ápice em 2007 com Tropa de Elite, que alcançaram grandes públicos e projetou o mercado brasileiro no meio internacional. Atualmente, o cinema brasileiro vai muito bem e vem conquistando cada vez mais o público com o gênero comédia que é, de longe, o gênero de maior sucesso comercial no Brasil.

Aproveitando o grande número de filmes brasileiros de comédia em cartaz, vamos mostrar alguns dos filmes com maiores sucessos de bilheteria.

A Mulher Invisível – Dirigida por Cláudio Torres. A comédia conta a história de um sujeito (Selton Mello) que vive deprimido com o abandono da esposa e que passa a conviver com uma bela mulher (Luana Piovani), que não existe.


E aí, ...Comeu? Levou mais de 2,5 milhoes de pessoas à telona. O filme propõe a comédia adulta e não evita uma linguagem pesada  e cenas de sexo. O titulo já sugere, né. No elenco, Bruno Mazzeo, Marcos Palmeira e Emilio Orciollo Neto, que vivem Fernando, Onório e Afonsinho, respectivamente; três grandes amigos que passam as noites falando sobre mulheres, sexo e, eventualmente, sobre futebol.


Se eu fosse você - Dirigido por Daniel Filho. O filme apresenta Tony Ramos e Glória Pires como marido e mulher que trocam de corpos e se envolvem em muitas confusões. O longa contou com mais de 3,6 milhões de espectadores e teve continuidade.


Esse ano, o público está se esbaldando com as comédias brasileiras e não dá pra perder "Minha Mãe É Uma Peça". Bem produzido, o filme vem de um grande público no teatro e foi parar na telona. Dona Hermínia (Paulo Gustavo), uma mulher de meia idade, é divorciada do marido (Herson Capri). Mãe agitada e preocupada, ela não larga do pé dos filhos, Marcelina e Juliano (Mariana Xavier e Rodrigo Pandolfo) e não percebe que eles já cresceram. Após descobrir que os filhos a consideram uma chata, ela resolve sair de casa sem avisar, deixando todos preocupados. Paulo Gustavo, assim como no teatro, está maravilhoso no filme e  homenageia sua mãe, com um vídeo caseiro, feito por ele e que serviu de inspiração para a história. Ao que tudo indica, o sucesso do teatro vai se repetir na telona, pois a história é básica, fácil e descontraída. Retrata muitas famílias e, com os gritos estridentes e a voz de taquara rachada da D. Hermínia, com os bobs no cabelo e seus vestidos cafonas, a risada é garantida.


Agora, pensa num filme que tá estourando no Nordeste e chega ao resto do Brasil com tudo. É Cine Holliúdy, que promete. A oralidade é cearense e carrega no humor nordestino, muito desconhecido ainda pelos brasileiros, reconhece e valoriza o talento dos atores locaias. O humor é sincero e consegue atingir o essencial.  

Dirigido por Halder Gomes, a história acontece no interior do Ceará, na década de 1970, época em que o televisor, um bem pouco conhecido pela população, afastou o público do cinema. Mas ainda bem que temos Francisgleydisson (Edmilson Filho) dono do Cine Holliúdy, um pequeno cinema da cidade. Ele tem como missão manter o meio de entretenimento vivo entre os moradores. Será que ele consegue?

Querendo ou não, parece que Francisgleydisson está prestes a se tornar mais um herói brasileiro, uma vez que o filme está superando filmes superesperado pelo público e já é considerado, por muitos, a melhor comédia de 2013. Vale conferir; se não gostar com certeza vai ampliar seu vocabulário com as aulas de “cearês” que o filme apresenta.


Com tantas opções para dar boas gargalhas, a diversão para essa semana está certa. Aproveite as sugestões e relaxe. 

Até a próxima semana, com mais conversa sobre nossa paixão... o Cinema.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

A literatura transforma uma cidade

*Jornalista  e escritor

Desde semana passada, Araçatuba está, pelo quinto ano consecutivo, envolvida na Jornada de Literatura, realizada pela Prefeitura Municipal de Araçatuba, por meio da Secretaria Municipal da Cultura; e a agenda se estende até sexta-feira (13), quando serão premiados os vencedores do Concurso de Contos “Cidade de Araçatuba”.

Uma jornada literária para quê? Para cumprir vários objetivos, entre os quais lembrar que o ser humano não precisa só de arroz e feijão para viver, que não somos uma máquina composta de carne e ossos somente, fadada ao trabalho e à relação material com este mundo. Antes, – e isso é o traço que nos distingue dos demais animais – a subjetividade é algo de que necessitamos, tanto que o que não foi dado pela natureza foi, é e sempre o seráproduto da nossa imaginação, da nossa criatividade. Da ficção, portanto.

Nos relacionamos com o subjetivo tanto quanto nos relacionamos com o real, com a materialidade. Assim como nossa carne tem fome e sede ao longo do dia, também nossa alma e espírito clamam por subjetividade. É tão prazeroso ver uma casa organizada, um edifício acabado quanto resolver uma equação matemática ou ler um poema do Leminsky ou do Drummond.

Agora, um dos problemas é que vivemos numa sociedade materialista que valoriza, em demasia, “coisas” e falar de algo subjetivo como literatura ou poesia é estar na contramão do pensamento vigente.

O tema da Jornada deste ano é “a literatura transforma as pessoas”. E isso é verdade. Só quem tem acesso a bons livros e seus escritores e poetas pode dar testemunho disso. Não canso de dizer por onde quer que eu passe, ao falar de literatura e poesia, que eu fui salvo por elas. A ficção sempre foi o alimento que nutriu meus sonhos e minhas intenções diante da vida. Da vida seca que eu e minha família tivemos, histórias de Graciliano Ramos, Euclides da Cunha, Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Guimarães Rosa, José Lins do Rego, Ariano Suassuna, Clarice Lispector, Patativa do Assaré, Catulo da Paixão Cearense e tantos outros sensíveis escritores e poetas servem como um espelho a mostrar nossas qualidades e defeitos, nossas limitações, provocando-nos ir adiante.

Já o fiz particularmente, mas deixo registradoaqui meus parabéns ao prefeito Cido Sério e ao secretário de Cultura, Hélio Consolaro, por tão importante e significativo projeto. Que ele cresça e seja sedimentado em nossa cidade. Não temos dúvidas de que o saldo será o crescimento intelectual e cultural de nossa gente.

Rendo, também, minha homenagem a todos os agentes que lidam com o livro e que estimulam a leitura em nossa cidade, a saber: professores, bibliotecários, líderes comunitários, livreiros, escritores, poetas... Como diz Castro Alves, benditos são.

Que todos aproveitemos mais esta semana da Jornada de Literatura, participando das palestras, saraus, lançamentos de livros, peças teatrais etc...

Ah, e espero por vocês no Museu Araçatubense de Artes Plásticas – MAAP (atrás da Tanger), quinta-feira (12) a partir das 17h, para uma tarde de autógrafos do meu livro “Mosca Feliz” (R$ 20,00 o exemplar).

Forte abraço até lá!

MÚSICA E JUSTIÇA

*Professora de música e regente, formada pelo Instituto Tatuí

Neste momento em que o povo brasileiro tem se manifestado contra a situação de injustiça, corrupção e descaso por parte das autoridades para com as nossas necessidades básicas, lembramos que a música sempre caminhou de mãos dadas com as manifestações populares.

Talvez, o exemplo mais clássico que temos seja “La Marseillaise”.  De acordo com a Wikipédia, “La Marseillaise (A Marselhesa, em português) é o hino nacional da França. Foi composto pelo oficial Claude Joseph Rouget de Lisle em 1792, da divisão de Estrasburgo, como canção revolucionária. A canção adquiriu grande popularidade durante a Revolução Francesa, especialmente entre as unidades do exército de Marselha, ficando conhecida como A Marselhesa.

Seu título era originalmente Canto de Guerra para o Exército do Reino. O hino foi composto por Rouget de Lisle, oficial do exército francês e músico autodidata, a pedido do prefeito de Estrasburgo, Philippe-Frédéric de Dietrich, dias depois da declaração de guerra ao imperador da Áustria, em 25 de abril de 1792. O canto deveria ser um estímulo para encorajar os soldados no combate de fronteira, na região do rio Reno.

A canção obteve sucesso imediato e em pouco tempo, por intermédio de viajantes, chegou à Provença, no sudeste da França. Um mês depois, a canção chegava a Paris com os soldados federados marselheses, que a cantaram durante todo o percurso. Desde então, passou a ser associada à cidade de Marselha. No dia 4 de agosto, o jornal La Chronique de Paris evocou o canto dos marselheses, e seis dias depois ele seria entoado durante a famosa tomada do Palácio das Tulherias (…) Em 1795, foi instituída pela Convenção como hino nacional.

Napoleão Bonaparte baniu A Marselhesa durante o império, assim como Luís XV na segunda restauração, devido ao seu caráter revolucionário. A revolução de 1830 restabeleceu-lhe o status de hino nacional, sendo inclusive reorquestrada por Hector Berlioz na década de 1830. Entretanto, Napoleão tornaria a banir a canção até que, em 1879, com a instauração da República, a canção foi definitivamente confirmada como o hino nacional francês, ato esse reafirmado nas constituições de 1946 e 1958.”

Em nosso país, durante o regime militar, muitas canções nasceram em meio à situação política e social que o país vivia. Era um período de ditadura com a liberdade de expressão cerceada o que gerava os protestos da classe artística através das músicas e peças teatrais.

É nesse período que surgem canções que se eternizaram, como expressão da indignação de um povo reprimido e que lutava pelos seus direitos de viver como nação democrática e livre. Chico Buarque de Hollanda, Geraldo Vandré, entre outros, nos deixaram belas obras como expressão do sentimento do povo brasileiro.

A música também tem sua função social e política e precisamos resgatar essa poderosa ferramenta na busca da igualdade e da justiça. 

Roda Viva (Chico Buarque de Hollanda):


Construção (Chico Buarque de Hollanda):


Compartilho com vocês um compositor de música cristã contemporânea que aprecio, chamado João Alexandre Silveira e que tem sido uma voz que proclama justiça fora e dentro do âmbito da igreja.

Em nome da Justiça (João Alexandre):


Gladir Cabral é outro compositor de música cristã que tem sido uma voz clamando através de suas melodias e belíssima poesia contra a injustiça que o povo sofre.

Casa Grande (Gladir Cabral):


Anseio que todo esse momento de manifestações seja também colorido com belas canções que façam o povo cantar os seus anseios de um mundo justo. Que surjam mais e mais compositores que representem nossa luta, nossos anseios e nossos sonhos através de suas criações. 

domingo, 8 de setembro de 2013

PÁTRIA AMADA, BRASIL!

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria

O artigo deste domingo faz uma pausa no assunto “Serviços de alimentação – Restaurantes”, para saudar um dos nossos patrimônios nacionais: a “Gastronomia Brasileira” que, mesmo anterior à independência do Brasil, foi formada pelas tradições culturais nativas indígenas e pelas outras culturas das correntes de imigração que ocorreram ao longo de nossa história.

O Brasil é um país multicultural, com dimensões continentais que, devido às diferenças entre o clima, relevo, tipo de solo, cobertura vegetal e miscigenação dos povos que habitam uma mesma região, torna-se muito difícil estabelecer uma divisão gastronômica capaz de representar a cultura alimentar nacional. Cada uma das regiões do país tem sua peculiaridade gastronômica e sua culinária adaptada ao clima e à geografia.


A divisão gastronômica brasileira mais adotada, para efeito de estudos na área acompanha a geográfica, são as: cozinhas do Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-oeste, ainda com suas subdivisões, dada a expressividade de alguma delas; exemplo: culinária paulista, mineira, de Goiás e Mato Grosso.

A gastronomia da região norte foi a que recebeu maior influência indígena, mesclada com a imigração europeia portuguesa, quando da colonização e, logo depois com o ciclo da borracha, o que a diferencia de qualquer outra culinária encontrada no país. É importante ressaltar que muitas das técnicas e utensílios da referida cozinha são herança da cultura indígena e requerem confecção apropriada como é o caso do tipiti, feito de palha - uma espécie de coqueiro trançada de forma tubular que serve para produção dos subprodutos da mandioca -, funciona como um “espremedor” extraindo o suco da massa da mandioca crua ralada, o tucupi. Os ingredientes principais desta região do país são: a mandioca, o cupuaçu, açaí, urucum (coloral), jambu, castanha do Pará, guaraná, os peixes amazônicos como o pirarucu, tambaqui e tucunaré. 

Como pratos característicos podemos citar o Pirarucu de casaca, Pato no tucupi, Tacacá, Maniçoba e o Creme de cupuaçu.

Já a gastronomia da região Nordeste, por sua diversidade climática (tropical litorâneo e semiárido no interior), condicionou os usos e costumes regionais, ainda recebeu grande influência da cultura africana, devido ao período da escravidão e ciclo da cana de açúcar miscigenada, a forte influência europeia por portugueses e, até mesmo, por holandeses. Os principais ingredientes são: azeite de dendê, mandioca, leite de coco, carne de sol, milho, graviola, camarão, “frutos do mar” e caranguejo. Os pratos típicos compõem um imenso cardápio e, dentre eles, podemos mencionar o acarajé, vatapá, buchada, paçoca, tapioca, sarapatel e a cocada.

A rica culinária da região Sudeste é altamente influenciada pelas atividades pecuárias herdadas da cultura colonialista e, também, pelas diferentes culturas indígenas do litoral e interior, e das imigrações europeias, africanas e asiáticas. Alimentos preparados de maneira simples, como raízes, carnes, grãos e vegetais. Após a chegada de imigrantes japoneses, libaneses, sírios, italianos e espanhóis, a gastronomia nos estados do sudeste ganha status de internacional, porém não deixou perder sua culinária caipira e tradicional. Os principais ingredientes são: o arroz, feijão, ovos, carnes, massas, palmito, mandioca, banana, batatas, polvilho que compõem os pratos típicos: tutu de feijão, virado à paulista, moqueca capixaba, feijoada, picadinho paulista e pão de queijo.

Na região Centro-oeste a forte presença indígena liderou a preferência regional por raízes e outros frutos e a diversidade da fauna pantaneira, carnes exóticas e peixes típicos da região, como o pacu, o pintado e o dourado também fazem parte deste cardápio regional. Os principais ingredientes são: o pequi, mandioca, carne seca, erva-mate, milho que são usados na preparação dos diversos pratos típicos: arroz com pequi, sopa paraguaia, empadão goiano, caldo de piranha, vaca atolada.

A região Sul traz uma mistura étnica que resultou numa culinária completamente diferente das demais já citadas, com a forte presença das cozinhas italiana, alemã e portuguesa. Esta miscigenação cultural proporcionou o uso dos ingredientes locais na sua máxima produção artesanal de massas, assados e doces.

O Ministério da Cultura lançou, recentemente, uma publicação intitulada "Aromas Cores & sabores do Brasil", destinada a jornalistas estrangeiros e brasileiros que os convida a descobrir a riqueza da gastronomia brasileira, porém esta publicação apresenta uma outra divisão gastronômica que achei um tanto quanto curiosa é a "CULINÁRIA ALIADA AO CLIMA E VEGETAÇÃO". A publicação diz que "assim como os biomas naturais influenciam as paisagens e a diversidade de fauna e flora, esses mesmos biomas têm características marcantes que influenciam a gastronomia do Brasil", para tanto, propõe a divisão por biomas brasileiros, como apresentada na figura.

Adicionar legenda

Independentemente desta ou daquela divisão, a herança cultural gastronômica brasileira necessita ser preservada e, sobretudo, divulgada internacionalmente e, até mesmo,, em território nacional para que as gerações futuras possam reconhecer o legado de seus antepassados, a formação de uma nação e a diversidade alimentar que é composta de cores, aromas, sabores, texturas desta pátria amada chamada Brasil.

Um excelente domingo e até semana que vem ...