domingo, 15 de dezembro de 2013

ASSADOS DO PERU À LEITOA

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria
O que seriam das tradicionais ceias natalinas sem eles? Os assados são certamente a preferencia natalina e os itens mais disputados de toda mesa. Trabalhar bem uma carne seja ela vermelha ou branca requer conhecimento específico e técnicas necessárias para seu melhor aproveitamento.


O primeiro cuidado que se deve ter é quanto a escolha da peça e o corte que se deseja. Caso você desconheça os tipos de cortes de bovinos, suínos, ovinos, aves e peixes uma alternativa é comprar a carne já porcionada como, por exemplo: carré de cordeiro, um corte argentino de bife ancho ou chorizo, ou um magret de pato etc. Depois basta decidir como quer o resultado quanto a maneira de cocção.

Os métodos de cocção tornam os alimentos mais tenros, digestíveis além de esteriliza-las adquirirem sabores particulares de acordo com a técnica empregada. Podem ser classificados segundo o meio de transferência de calor: a cocção em meio não-aquoso (calor seco); em meio gorduroso (frituras); em meio aquoso (calor úmido); mista (calor combinado seco e úmido); e cocção especial (a vácuo e micro-ondas).

As carnes preferencialmente são assadas ao forno, na chapa ou grelha, gratinadas, fritas ou salteadas. Para as carnes vermelhas assadas em forno, grelhas ou chapa é possível diferenciar três estados de cocção: mal passado (cocção rápida, crosta com ligeira resistência à pressão do dedo, consistência ligeiramente firme, cor vermelha no interior e temperatura de 50º C a 55° C no centro da peça); ao ponto (cocção relativamente “lenta” resistente à pressão digital, consistência interna branda, cor rosa no interior e temperatura de 60º C a 65° C); bem passado (cocção “muito lenta”, consistência firme ao mastigar, cor marrom no interior da peça e temperatura de 70º C a 80° C).

O terceiro passo é o tempero, aconselha-se uma cuidadosa marinada. A marinada é o processo de aplicar, na carne, uma solução aquosa preparada com água, sal, e ervas aromáticas. A solução preferencialmente ácida serve para amaciar o tecido conjuntivo e incluir um toque de acidez, para tanto pode se usar o vinho, vinagre, suco de limão, suco de tomate, ou mesmo suco de outras frutas cítricas. Soma-se a isso os aromas dos vegetais frescos como a cebola, salsão e cenoura e as ervas frescas que darão o perfume. O tomilho, alecrim, a salsinha, folhas de louro, alho e grãos de pimenta também podem ser utilizados para realçar o sabor dos alimentos e um sabor mais complexo. Porém tome muito cuidado para não roubar o sabor da cena, lembre-se que a proteína (carne) é o sabor que deve prevalecer.

As carnes mais tradicionais nas ceias natalinas são:
Peru: tradicionalmente servido no “dia de ação de graças” também ganhou as mesas natalinas do mundo todo. É perfeito para grandes comemorações, a ave tem a textura macia e um sabor suave, geralmente recheado com uma farofa especial, com castanhas, ou um refogado de legumes e cogumelos proporciona ao prato certo requinte.

Chester ou Fiesta: nada mais são do que um frango grande que tem carne macia e suculenta desenvolvido com mais peito e coxa, - marca registrada que vem do inglês chest ("peito"), fruto de melhoramento genético de 12 anos de seleção laboratorial, a ave é alimentada à base de milho e soja para obter mais peso com menor teor de gordura. Fica bem se preparada com castanhas, frutas secas ou linguiça. Deve ser regada ao assar para preservar a umidade e deixar a superfície bem dourada.

Tender: também é fruto da estratégia de marketing, o Tender é simplesmente presunto defumado (processado de diferentes carnes). Pode ser servido frio, cortado de diferentes formas, nas saladas ou entradas leves. Combinam com frutas frescas, como kiwi, manga, abacaxi ou com frutas em calda. Quando servido quente fica bem com molhos adocicados, à base de mel, suco de laranja, gengibre e com toques de especiarias, como canela e cravo-da-índia.

Cordeiro: é o primeiro estágio de vida da ovelha ou carneiro por este fato, a carne é mais macia e suave. Costumeiramente no natal é servido o pernil ao molho de hortelã, geleia de pimenta, damasco ou outras frutas secas, mas em casas especializadas é possível encontrar cortes diferentes de pernil, paleta e lombo, costela e até mesmo picanha e o T-Bone (corte similar ao da bisteca, com espessura mais alta). As peças maiores, como o pernil e a paleta, devem ser assadas até desmanchar, enquanto as outras ficam melhor grelhadas, até dourar.

Lombo: carne macia e com pouca gordura faz um sucesso na ceia. Pode ser temperado com suco de limão ou laranja, alho, sal, pimenta, alecrim, louro, cerveja e até shoyu na marinada. Acompanhado de frutas cítricas e calda adocicada aguçam o apetite.

Pernil: tenro e suculento pode ser marinado em alho, sal pimenta e limão. A carne suína requer bastante condimentos para ficar saborosa. Prepare um molho agridoce ou apimentado como acompanhamento, enquanto assa, regue a carne com vinho branco e o próprio caldinho que se forma na assadeira para garantir sua umidade e suculência.

Bacalhau: das tradições portuguesas o bacalhau também pode compor a mesa natalina. O peixe é bastante requisitado nas ceias e nem o fato de exigir maior tempo de preparo, tira o seu brilho para a grande festa. O bacalhau permite diferentes formas de cocção com opções, inclusive, assadas.

Leitoa: a mais esperada das carnes é sempre o último prato a sair do forno, sua cocção é muito lenta, mas que garante uma carne macia e suculenta, à pururuca então, é disputada à garfadas pelos participantes da festa. A carne suína é uma das mais antigas consumidas pelo homem, dela é possível extrair 32 tipos de cortes e sabores diferentes a tradição pede o preparo em forno à lenha, porém atualmente outras formas de assar são bem vindas como por exemplo fogo de chão ou ao bafo.

A dica de hoje é: ao preparar as carnes para as festas de final de ano, procure servir como acompanhamento muitas fibras lipossolúveis além dos vegetais, leguminosas e frutas cítricas.

O dia de natal está chegando, vamos aos preparativos para o grande evento! Nos encontraremos no próximo domingo outra vez...

Abraços!!!

sábado, 14 de dezembro de 2013

ENTRE O BARBANTE E O MILHO: A POESIA INFANTIL

*Professora da Educação Básica e mestranda em Educação pela Unesp
Olá pessoal, tudo bem?
Esta semana não vou escrever texto próprio. Gostaria de resgatar um artigo publicado no jornal Folha da Região (Vida C2 12/12/13) pela professora Márcia Lorca, mestre em Letras pela Unesp de Assis, a respeito do livro Poesia, pipoca e pião, de meu amigo, e escritor, Antonio Luceni, porque vejo no que ela escreveu muito do que penso a respeito do trabalho dele, especialmente em relação aos textos voltados para o público infantojuvenil.

Não de agora, o Antonio milita nesta seara. Desde o magistério, era encantado pelo universo da literatura... talvez por isso, logo que se formou foi logo entrando no curso de Letras e, daí, vieram especialização e mestrado nesta área. A atuação nas redes de ensino das quais faz parte, bem como o encaminhamento do ensino da literatura nos cursos de graduação e pós-graduação, nos quais também atua, foi decorrência deste percurso. E, para não ficar somente na teoria, o danado lançou-se à prática, escrevendo histórias e poemas...

Vamos ao texto da professora Márcia Lorca, que tão bem ilustra o que disse acima:


Entre o barbante e o milho: a poesia infantil
Márcia Lorca

Para fechar esse ano eu quero deixar o espaço que tenho aqui dedicado a um escritor que acabou de lançar um livro de poesia infantil, Poesia, pipoca e pião, de Antônio Luceni. Sei que sempre me pautei em livros reconhecidos e premiados pela crítica literária, entretanto, desejo homenagear um colega da cidade de Araçatuba. O que me motiva a isso é a ideia de que precisamos aprender a valorizar nossas pratas-da-casa.

Uma vez entre as alunas do curso de Letras em que lecionava a disciplina de Literatura Infantil e Juvenil, resolvi organizar um estudo de levantamento das obras infantis e juvenis publicadas por autores araçatubenses e o resultado foi interessante: há vários escritores com bons livros, o problema é que ficam esquecidos por puro provincianismo e falta de amor autóctone. Assim, dê-me licença, meu caro Luceni, pois vou trilhar as páginas de sua recente publicação.

A obra Poesia, pipoca e pião é um convite ao universo da criança, das brincadeiras, da escola, das preferências e da família. Acredito ser um reflexo puro no que se pretende conceituar de mundo infantil, exatamente em um enfoque ingênuo dos olhos de uma criança. Ingênuo no sentido de que a nova crítica da literatura infantil deseja atuar, denominada de crítica criancista, segundo Peter Hunt, que analisa a obra livre das teorias de complexidade literária impostas pelo leitor-adulto, valorizando o quanto a obra em questão pode enriquecer a (possível falta de) experiência de leitores-crianças e do modo como representa o mundo em que tais leitores se inserem.

O primeiro poema, “Poesia”, é um convite ao leitor para se envolver e se embalar na música produzida pela poesia, metaforizada em “linda menina de tranças/que gosta de voar de carona com o vento”, afinal o eu poemático já se deixou ser conduzido por ela. Em seguida, vários poemas ilustram o cotidiano infantil, como se vê em “Na casa de minha vó”; “Férias”; “Material escolar”; “Bicharada”, “Algodão-doce”(só para citar alguns), além dos poemas que intitulam o próprio livro. Em “Giramundo”, a palavra adquire um sentido de imensa brincadeira em uma espécie de patchwork de cantigas de roda. Nele personagens e objetos se encontram em novas e inusitadas situações. 

Há também um intenso dialogismo do eu poemático com o leitor, o que contribui para que a posição de poeta-adulto dê espaço para um poeta também criança ou que ainda se vê marcado pelas aventuras da infância, como no poema “Cantiga antiga” (meu preferido). Para aguçar a curiosidade, termino por citar o poema “Um menino diferente”, acompanhado de uma ilustração comovente (perdoem-me as artistas, Wilma Gottardi, Duxtei Vinhas Ítavo e o próprio autor por não dedicar especial análise às ilustrações. Pura falta de espaço!), essa personagem que surge e que “Muitos insistiam:/Por que é assim?” encontra na musicalidade o conforto e alegria de viver.

Acredito que a recorrência da música – enquanto escolha de palavras, organização dos versos e rimas, a marcação em redondilhas ou mesmo como temática de boa parte dos poemas – coaduna a poesia à verdadeira essência poética: reportar o mundo através de ondulações sonoras, ou simplesmente trazer a alegria da música como espelho da verdadeira infância, sem mensagens subliminares ou imagens metafóricas complexas. Escrever é brincar com as palavras para se revelar! O livro aponta como a linguagem pode ser trabalhada para expressão de nossos sentidos, emoções e vivências, um bom recurso para o professor em sala de aula incentivar os alunos a encontrar na escrita tamanha função.

Boa leitura!

*Márcia Lorca é mestre pela Unesp de Assis, pesquisadora da área de Literatura Infantil e Juvenil e professora de Literatura do Ensino Médio em Araçatuba.

Capa do livro citado

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

AS CADEIRAS DOS ARQUITETOS

*Arquiteto e Urbanista

Não é incomum que arquitetos conhecidos no cenário internacional sejam convidados a desenhar cadeiras. Quando o campo do desenho industrial ainda não havia se separado da arquitetura, os arquitetos eram também responsáveis pelo desenho do mobiliário. Hoje, projetar o mobiliário é mais uma diversão do que uma obrigação. Sem dúvida, atualmente, os designers têm mais conhecimento pra desenvolver um projeto de uma cadeira.

Mas de qualquer maneira, essas cadeiras que os arquitetos desenharam, e ainda desenham, revelam muitas estratégias e abordagens similares em seu projetos. Ver uma cadeira de algum arquiteto é como ver um edifício em miniatura. As soluções, quase sempre, são bastante semelhantes. 

Por isso, hoje, eu separei uma série de cadeiras desenhadas por arquitetos conhecidos. Muitos desses arquitetos, já foram apresentados aqui no blog, através de seus edifícios. Agora, sugiro que façamos um paralelo entre o mobiliário e o edifício e tentemos encontrar aproximações e distanciamentos entre estes.

Cadeira Paulistano: Paulo Mendes da Rocha
Cadeiras Tulipa: Eero Saarinen

Poltrona Le Corbusier: Le Corbusier
Cadeira Paimio: Alvar Aalto
Poltrona Barcelona: Mies Van der Rohe

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

ALFREDO VOLPI

*Artista plástica e contadora de histórias

Olá meus amigos e minhas amigas, que joia estar com vocês novamente. E dialogar a partir da arte, melhor ainda. Espero que estejam gostando dos artistas e obras que estamos apresentando nessa segunda etapa de nossa série de "artistas e obras brasileiros". Aliás, imagino que não tem como não gostar de Portinari, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral, não é mesmo? Não só pela produção que desenvolveram ao longo dos anos de vida, mas também com a contribuição que deram do ponto de vista intelectual e formação cultural de nossa gente.

Nesta semana gostaria de retomar a vida e obra deste italiano, naturalizado brasileiro, que elegeu temas simples, com uma linguagem simples (mas não simplória) e que encantou não somente a nossa gente, mas também o povo de fora. Estou falando de Volpi.

ARTISTA

Alfredo Volpi nasceu em Lucca, Itália, a 14 de abril de 1896. Em 1897, a família Volpi emigra para São Paulo e se estabelece na região do Ipiranga, com um pequeno comércio. Destino comum aos filhos de imigrantes italianos, Volpi inicia-se em trabalhos artesanais e, em 1911, torna-se pintor decorador. Talvez daí decorra o gosto pelo trabalho contínuo e gradual da sua linguagem estética, próprio da valorização de um “saber fazer”. 

Até os anos 30, Volpi elabora sua técnica e, principalmente, a partir da década de 1930, emerge um trabalho mais consciente, utilizando-se das cores para a construção de um equilíbrio muito próprio. Por esses tempos, Volpi aproxima-se de artistas como Fúlvio Pennachi e Francisco Rebolo Gonsales, integrando o Grupo Santa Helena. A denominação do grupo, e a inserção de Volpi nele, é oriunda mais de uma proximidade física dos pintores (que pintavam em uma sala do Edifício Santa Helena) e da sua origem comum do que de uma identificação estética. Volpi destoava do grupo especialmente por não ser um pintor conservador.

Em 1938, Volpi conhece o pintor italiano Ernesto de Fiori. O encontro seria muito frutífero para ambos, e se deu numa época muito oportuna para Volpi, que enveredava para um caminho de maior liberdade estética.

Um acontecimento fundamental para a evolução de Volpi foi a sua “estada” em Itanhaém, entre 1939 e 1941. Sua esposa teve problemas de saúde e mudou-se para o litoral, a fim de se tratar. O artista a acompanhou, retornando a São Paulo apenas nos finais de semana, em que procurava vender suas obras. A gravidade da doença de Judite Volpi envolveu o artista em questionamentos que o fizeram rever sua obra e suas concepções, liberando um potencial criativo latente, ao qual Volpi finalmente conseguiria dar vazão. A tensão própria de situações-limite possibilitou para Volpi uma liberdade gestual que imprimiria uma nova dinâmica à sua obra. A série de marinhas que Volpi pinta a partir dessa época evidenciam uma obra muito própria que se desenvolveria gradualmente até atingir um ápice abstrato em que as composições eram compreendidas em termos de cores, linhas e formas. 

Cabe ressaltar que Volpi recusava teorizações estéreis, mas estava sempre muito bem informado das correntes artísticas do seu tempo, embora não se filiasse explicitamente a nenhuma delas, já que sua trajetória era extremamente pessoal. Esse é um dos pontos que fazem dele um grande pintor: Volpi é moderno e atual sem se importar com rótulos artificiais. A diferença é que ele não precisava ser moderno ou popular; simplesmente era.


ALGUMAS OBRAS






quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

TOC TOC TOC - ABRA A PORTA PARA O NATAL

*Professora universitária e mestre em Mídias Digitais

Na época em que as pessoas voltam a pensar e falar do amor, os símbolos do Natal apenas complementam e nos facilitam a entrar no clima. E como não devemos perder uma oportunidade, vamos lá, sala enfeitada, arvore decorada e quem sabe até uns presentinhos aos pés da árvore, acomode-se  e embarque nas histórias que remete ao Natal.

E para começar, que tal uma das melhores comédias românticas Simplesmente Amor (2003) reuni várias histórias ligadas ao espírito natalino e fica difícil não se envolver. No elenco, uma seleção de astros como Hugh Grant, Colin Firth, Emma Thompson e, entre outros, o brasileiro Rodrigo Santoro.  As histórias se cruzam quando todos os envolvidos se deparam com a necessidade de mudar seus sentimentos e somente quando entendem a necessidade de incluir em suas histórias o AMOR é que são modificados. Ótima dica para uma reflexão pessoal, com alguma história você vai se identificar.


Outro filme que sacode o coração nesta época de Natal é a animação Expresso Polar (2004). É uma história com muito espírito natalino, conta com canções clássicas na trilha sonora. Tom Hanks da o ar da graça ao dublar e interpretar vários personagens, inclusive o Papai Noel. A história comovente é sobre um garoto que não acredita mais em Papai Noel, mas que tenta retomar sua crença e espírito do natal. Na véspera do Natal ele se vê envolvido em uma aventura natalina a bordo de um misterioso trem. A obra conquistou o Oscar de Melhor Canção Original. Expresso Polar é uma ótima opção para entrar no clima do natal, mesmo para quem (assim como o garoto) não acredita mais em Papai Noel, mas quer resgatar o que de mais bonito tem essa época.


E aí, você quer resgatar seus encantos pelo Natal? Vale lembrar que esta época festiva é apenas um motivo (aliás, muito bom motivo) para dar uma parada nos sentimentos, pensar, classificá-los e se quiser corrigi-los. Este momento do ano, também permite uma virada de página, cada um a seu tempo, com suas  imperfeições, mas com  sede de mudar, desejo de que tudo vai melhorar e com uma esperança sem fim. É possível acreditar que tudo pode ser transformado, que podemos melhorar e que o maior sentimento, porém o mais difícil de praticar, o AMOR, faz maravilhas em nossas vidas, parece clichê, mas temos que nos render a maior realidade humana, sem amar não dá!  Aproveite o pit stop que o tempo propõe.

Vamos nos livrar do que não nos faz bem, nos afastar do que nos tortura, do que nos escraviza. Essa é uma boa pergunta para ser feita nessa época em que devemos aceitar que temos  o direito de mudar o rumo da vida: O que me prende  tanto que chega a escravizar? De quem ou do que somos escravos? Eu me sinto escrava de muitas situações e luto para me libertar, às vezes são coisas pequenas, que parece não fazer mal algum.

Se livrar do que faz mal ou pesa nunca é fácil, é como um ferimento que dói,está no colado ao corpo, machuca, às vezes sangra e sempre deixa uma marca, uma cicatriz.  Mas quando se toma a decisão de livrar-se, de virar a página e começar uma nova história sentimos que cicatrizou que não sangra mais, que dói só um pouquinho e ainda quando é cutucada. Esse é o sentimento que vem o de LIBERDADE e ser livre de qualquer prisão (seja ela física, espiritual ou material) é estar leve, curado e feliz. Ahhhh, isso é bom demais!

Faça o teste, experimente se livrar do excesso de peso que carrega, vamos continuar carregando um fardo, não tem jeito, mas se livrar do excesso vai aliviar e pode curar qualquer ferida que ainda esteja aberta. Aproveite as sugestões dos filmes e assista-os com o seu coração aberto, sem medo de acreditar na fábula, no conto de fada, no final feliz e até mesmo e porque não, no Papai Noel.  

É isso, estamos no Natal, até a próxima semana. Beijo do Papai Noel...rsrsrs

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

PROCURE (RE)LER

*Jornalista e escritor
Lançada no mesmo ano em que um grupo de artistas abalou o Brasil com produções literárias, musicais, pictóricas, teatrais e poéticas para lá de “estranhas” e não usuais para o Brasil da época, a Klaxon (1922-1923), primeira revista modernista do país, até hoje se mostra atual.

Conforme afirma Mário da Silva Brito, numa introdução da revista, “em Klaxon aparece, sob forma de artigos, poemas, comentários, críticas de arte, piadas e farpas zombeteiras, o estado de espírito do grupo de jovens que elaborou a ideologia modernista”. E isso não é nenhum exagero; é só (re)ler os muitos de seus artigos, assinados por intelectuais como Mário de Andrade, Osvald de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Guilherme de Almeida, entre outros, além de poemas, crônicas e contos que não haverá contestação.

A Cosac Naify lançou uma edição comemorativa, com as 9 edições do mensário e mais um encarte com análises e comentários de seus organizadores; tudo acomodado numa caixa rústica, com a logomarca do periódico estampada nela. Não bastasse essa primeira boa impressão que temos do material logo à vista, muito (mais muito mais!) vale a (re)leitura de cada um de seus exemplares.

Dentre os muitos escritos, gostaria de destacar um trecho (sic) do Ars Longa..., do poeta Guilherme de Almeida. Atual, rico e poético/profético, como não poderia deixar de ser:

“A arte é anterior á vida. Isto é uma convicção minha, perfeitamente serena. Eu não tenho escripto os meus versos á margem da minha vida: eu tenho escripto a minha vida á margem dos meus versos. Minha existência é um plagio da minha arte.

A vida de todos os artistas tem sido um commentario á sua arte. Um commentario explicativo. E isso pela razão muito simples de que um grande, verdadeiro artista colloca a sua arte acima da sua vida. Elle não vive um caso para exploral-o depois: elle faz arte primeiro, arte que elle inconscientemente vae viver mais tarde. Si para um homem qualquer o simples contacto com uma obra de arte é uma tentação irrisistivel de imital-a na vida, o que não será para o seu próprio autor?

* * *

Assim, a arte é uma prophecia. Um lindo vaticinio. Realiza se ou não? — Só os artistas o sabem, mas bem intimamente.”

E continua sua reflexão, agora com questões bastante pertinentes em relação à polêmica das biografias não autorizadas, encabeçada por gente como Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico, Djavan e outros. Vejamos:

“Quando se affirma uma cousa qualquer é preciso concluir qualquer cousa. Do que affirmei concluo isto: estou absolutamente revoltado contra esse preconceito geral de que só a obra de um artista pertence ao publico; a sua vida, não.

Mentira. A sua vida pertence também ao povo. O povo tem o direito de devassal-a â vontade. Que nenhum artista grite contra isto! Eu pensaria que elle se envergonha da sua vida, isto é, do resultado da sua arte.”

Frente ao exposto, não há mais o que dizer. É preciso que agora eu me cale e que você, prezado leitor, tire um tempo para digerir com calma as palavras desse intelectual e poeta que ressoam desde 1º de outubro de 1922 e que, ainda hoje, são muito atuais. E pensar que foi a partir dessas questões que o pessoal do “Procure saber” também produziu sua própria arte. Fica a dica: “Procure (re)ler”.

ARTIGO NA ÍNTEGRA:

Ars Longa…

A arte é anterior á vida. Isto é uma convicção minha, perfeitamente serena. Eu não tenho escripto os meus versos á margem da minha vida: eu tenho escripto a minha vida á margem dos meus versos. Minha existência é um plagio da minha arte.

A vida de todos os artistas tem sido um commentario á sua arte. Um commentario explicativo. E isso pela razão muito simples de que um grande, verdadeiro artista colloca a sua arte acima da sua vida. Elle não vive um caso para exploral-o depois: elle faz arte primeiro, arte que elle inconscientemente vae viver mais tarde. Si para um homem qualquer o simples contacto com uma obra de arte é uma tentação irrisistivel de imital-a na vida, o que não será para o seu próprio autor?

* * *

Assim, a arte é uma prophecia. Um lindo vaticinio. Realiza se ou não? — Só os artistas o sabem, mas bem intimamente.

* * *

Quando se affirma uma cousa qualquer é preciso concluir qualquer cousa. Do que affirmei concluo isto: estou absolutamente revoltado contra esse preconceito geral de que só a obra de um artista pertence ao publico; a sua vida, não.

Mentira. A sua vida pertence também ao povo. O povo tem o direito de devassal-a â vontade. Que nenhum artista grite contra isto! Eu pensaria que elle se envergonha da sua vida, isto é, do resultado da sua arte.

Desde que um homem dá publicidade á sua arte, despe-se em publico de certos direitos. E’ o que se entende por “cahir no no domínio publico». Prostitue-se. Vende-se. A bôa gente que compra um livro, que compra um quadro, que compra uma estatua, compra também um pouco a alma do seu autor. Não é absolutamente negociável uma alma separada do corpo. A arte é a alma; a vida é o corpo. Um homem que paga uma mulher paga um só instante da sua alma, com direito, evidentemente, a todos os segredos do seu corpo.

E’ preciso não se ter vergonha do corpo, si não se teve vergonha da alma. Todos os corpos parecem-se com as almas.

Pudor? — Mas o pudor é a virtude dos imperfeitos.

* * *

Não ha nada de inconfessável a traz de uma grande arte.

* * *

Um artista é mais ou menos um Doutor Fausto. Vende a um gênio máo a sua alma, para ter perfeições moças para o seu corpo.

Questão de conforto: uma obra de arte vendida produz geralmente uma chevióte bem cortada num corpo tractado, um cigarro agradável num pedaço de âmbar fino e um perfume de grande estylo num Unho puro.

Isto parece querer insinuar que o publico é uma espécie de Mefistófeles. Eis um elogio extraordinário que elle nunca teve.

* * *

Que bem pouca importância tem para o artista a obra de arte concluída! E’ por isso mesmo que elle a vende.

O artista é artista apenas emquanto crêa: tira do nada, è igual a Deus. Para elle, a obra de arte tem um valor ephemero, que vae do momento da concepção ao momento da conclusão. Depois… ella fica sendo uma pobre cousa desgraçada, bem morta e bem imprestável, na sua vida. Só representa uma utilidade toda sentimental: a de recordar aquelle instante divino e feliz da procreação.

* * *

Todo artista dá sempre á luz um filho morto. E entrega-o bem simplesmente á terra deste mundo.

Elle precisa chorar sósinho, maternalmente. Elle dispensa as consolações impossíveis das comadres serviçaes da visinhança, que vêm clamar assim:

— «O menino é táo lindo! Elle poderia ser um bailarino russo!»

— «O menino é tão feio! Elle poderia ficar corcunda!»

Não. Elle não é nem poderia ser: elle foi, Eis tudo.

Ah! os críticos!

Guilherme de Almeida

Neste domingo, 1.° de Outubro, 1922.

A Brasiliana USP digitalizou a revista Klaxon: mensário de arte moderna (1922-1923). O texto acima foi retirado da 6ª edição fac-símile da  revista. O site Monoskop fez uma postagem contendo as 09 edições da revista para download ou visualização do PDF. Preservamos a grafia original da edição fac-símile nessa postagem.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

NATAL TODO DIA

*Educadora musical e regente de coral, formada pelo Instituto Tatuí

Estamos chegando no Natal! Começou dezembro e os preparativos começaram. Luzes nas casas, árvores montadas, sininhos e harpas a tocar. Pinheirinhos e papéis de presente com neve que, particularmente, nunca vi, e um velhinho vestido com uma roupa que só de olhar tenho dó dele de tanto calor!


Lembro-me quando pequena que algumas árvores de natal tinham algodão pra lembrar a tão famosa neve...

Hoje, mesmo vendo tanta incoerência que não percebia quando criança, confesso que, ao ouvir a musiquinha de final de ano da Rede Globo, as lembranças de minha infância saltam dentro em mim e me remetem a um tempo gostoso: A CHEGADA DO NATAL - família, cantatas de natal na igreja e as férias tão esperadas!

Como é incrível o poder da música em nossa vida. Ela marca épocas que, mesmo agora distante delas, quase sinto o som daquelas canções e o cheiro bom de infância nessa época. Não sei se somos mais consumistas ou menos, mas acredito que o significado do Natal anda meio perdido em meio a laços, papéis de presente e placas de promoção.

Cantamos tantas canções que falam do nascimento de Jesus, o grande personagem do Natal. Conhecemos a história do Deus menino, nascido numa manjedoura em uma estrebaria e visitado por reis magos, que nasceu para nos trazer a salvação. 

Tamanha humildade de sua história se contrasta com a ostentação em que vivemos e que agregamos a história de Jesus como se fosse ele a inspiração para tudo isso. 

Será que até no Natal continuamos a viver da superficialidade, de aparências e simbologia mecânica?

Tomara que todas as músicas que vamos ouvir nessa época nos levem a repensar o valor que temos dado ao verdadeiro sentido do Natal. No Natal podemos, sim, unir as famílias, comer peru, passar a noite nas igrejas cantando, abraçando os amigos e parentes, podemos comprar presentes e ficamos felizes por recebê-los, colocarmos luzes em nossas árvores e, ah! que delícia o panetone!

Mas, acima de tudo isso, que o verdadeiro sentido do Natal falado por tantos seja lembrado não só nessa data, mas em todos os dias do ano. Precisamos ser amorosos, agradáveis, cordiais, misericordiosos em todo o tempo e não somente no Natal.

Que Jesus, sua alegria, sua salvação e ensinamentos façam parte das nossas vidas diariamente para que essa data tão esperada seja unicamente um reflexo daquilo que realmente habita em nós durante o ano todo: a vida de Jesus em nós. 

Que o Natal seja bem-vindo e, junto com ele, suas lembranças e seu ensinamento.

Gostaria de partilhar de uma canção com vocês: Natal Todo Dia - Roupa Nova

domingo, 8 de dezembro de 2013

PANETONES DIVERSOS

*Professor universitário e mestre em Turismo e Hotelaria

Não há nada mais representativo dentre as iguarias natalinas que o tradicional panetone! Pão doce macio e úmido, características proporcionadas pela fermentação natural, aroma predominante de baunilha, recheado com frutas secas e cristalizadas em sua versão mais clássica, vem a cada ano ganhando diferentes variedades.


É sabido popularmente que se originou na cidade italiana de Milão, conta a história que um padeiro chamado Toni, que trabalhava na padaria Della Grazia, em meados do séc. XV apaixonou-se pela filha do patrão e teria ele inventado o tal pão doce para impressionar o pai da donzela e encantar sua amada. Os fregueses passaram a pedir o “Pani de Toni”, que evoluiu para o “panattón” (vocábulo milanês), e logo para o denominado “panettone”.

Em outra história, sua criação teria sido acidental, quando uma sobremesa que seria servida à corte de Ludovico do Ducado de Milão num banquete de natal, havia passado do ponto e a única saída que o cozinheiro encontrou foi servir uma massa que ele mesmo havia preparado com sobras de ingredientes que pretendia levar embora no final do expediente. Por incidente ou por interesse o resultado foi que a conjugação deste magnifico pão perdurou por séculos e atravessou fronteiras e mares.

Nas últimas décadas, surgiram inúmeras variedades de recheios e formas de servi-lo, tais como o já consolidado chocotone (feito com gotas de chocolate preto ou branco), com coberturas de chocolate ou crosta de açúcar, trufados ou com sorvete injetado, etc. Os tamanhos também podem variar, dos gigantes de 5kg que servem a família toda, aos de 1kg, 500gr, 100gr e porque não os cupcakes em versão natalina para complementar a festa. Os preços também são diferenciados dos mais acessíveis aos mais caros.

Vejamos algumas destas variedades...



A pergunta que não quer calar é – Como são feitos os panetones? Os textos que publico aqui no blog do Antonio Luceni não objetivam divulgar receitas, e sim discorrer sobre a arte da gastronomia, então cabe aqui a explicação da técnica utilizada no panetone.

Conhecida como esponja-massa ou método indireto de fermentação. A esponjinha como é carinhosamente chamada pelos padeiros, é a preparação de uma parte da massa (cerca de 25% do total de farinha que será utilizada na receita), adicionando-se a ela o fermento biológico (leveduras e bactérias lácticas) e água. Esta preparação tem por finalidade conferir ao produto final melhor desenvolvimento do glúten e consequentemente suas características artesanais: sabor e aroma mais acentuados e diferenciados; maior crocância da casca; retenção de umidade; e maior durabilidade (self life).

A segunda massa (o panetone em si) também chamado de massa-reforço contém o restante da farinha e os demais ingredientes: açúcar, essência de baunilha, gema de ovos, manteiga, sal, água, e as imprescindíveis frutas secas e cristalizadas ou gotas de chocolate; que após misturados a esponja, a massa é sovada (amassada) modelada e descansada até dobrar de tamanho antes de ir ao forno por cerca de 25min.

Para contemplar os diferentes sabores de panetones doces e salgados acesse o link do slide show Panetones para todos os gostos publicado no UOL.

http://comidasebebidas.uol.com.br/album/panetones_para_todos_os_gostos_album.htm#fotoNav=1

A dica de hoje é: presenteie alguém especial com um panetone gourmet, assim como fez o italiano Toni no séc XV, encantará a pessoa amada...

Até o próximo domingo!

sábado, 7 de dezembro de 2013

LENDA PESSOAL

*Jornalista e Turismólogo

Você tem a certeza de que está no caminho certo em sua vida? Já foi levado pelas circunstâncias a experimentar algo que você passa a ter certeza de que é isso que quer fazer pelo resto de sua vida? Está no emprego certo para você? As respostas a estas perguntas ajudam muito a gente medir nosso nível de felicidade. E, por serem questões existenciais relevantes, as artes sempre passeiam por elas para nos inspirar ou fazer refletir.


Nesta área, temos alguns livros bem interessantes. Algumas obras literárias deste gênero, no entanto, são jogadas na calçada do tempo pela crítica. No Brasil, por exemplo, o livro “O Alquimista” (1988), de Paulo Coelho, costuma ser enxovalhado e quase queimado em praça pública, mesmo que em boa parte do mundo ele seja cultuado. No exterior, já foi citado até pelo ex-presidente americano Bill Clinton e por outras celebridades como uma obra de referência. Um das consequências de seu sucesso é o fato de “O Alquimista” ter sido publicado por 64 editoras de 59 países.

Para quem não leu e não desistiu da leitura destas mal traçadas linhas, explico que este livro narra a história de um pastor de ovelhas chamado Santiago que, após ter um sonho repetido, decide partir em uma longa viagem da Espanha ao Egito, pois, segundo o sonho, é lá, junto às pirâmides, onde ele irá encontrar um tesouro enterrado. Ao iniciar sua jornada, ele se vê lançado em uma imprevisível busca por esclarecimento sobre os grandes mistérios que acompanham a humanidade desde o início dos tempos. O final é muito belo e inspirador.

A lenda pessoal é o nome que se dá para as respostas positivas às perguntas do início deste texto. Quem encontrou o que gosta de fazer, vai ser rico, pois será feliz.

Se você vencer o preconceito, leia esta obra!

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

OSCAR NIEMEYER

*Arquiteto e Urbanista

Há um ano, um dos arquitetos mais importantes do século XX morreu. Sua obra ficou famosa no Brasil e no mundo todo, e até hoje arquitetos dos cinco continentes olham para seus projetos com a admiração que qualquer discípulo tem quando olha o mestre. Oscar Niemeyer, sem dúvida, levou o Brasil ao cenário internacional da arquitetura ainda na década de 1960 e, por isso, e muitas outras contribuições, seu nome será lembrado. 

Abaixo, algumas partes de uma matéria em homenagem ao arquiteto publicada pelo Portal Archdaily, e uma frase do próprio velhinho.

"O mais importante não é a arquitetura, mas a vida, os amigos e este mundo injusto que devemos modificar". 
Oscar Niemeyer

Grafite do brasileiro Kobra, na avenida Paulista, São Paulo (detalhe)

Obra na íntegra

"[...] em seus 104 anos de vida o renomado arquiteto deixou grandes marcas e heranças para o Brasil. Seu estilo foi e será reconhecido em todo o mundo. As curvas, a iluminação e a profunda relação e entre suas obras e o ambiente foram suas mais marcantes características."

"No desenvolvimento de seus trabalhos era possível notar as características que se repetiriam pelo resto de sua longa carreira. As obras de Oscar Niemeyer apresentam uma abordagem ambiental bastante forte e buscam a adaptação das construções ao ambiente onde estão inseridas. O uso de pilotis e de estruturas em concreto também passou a ser marca fundamental em seu trabalho."

Confira a matéria completa aqui: http://www.archdaily.com.br/br/01-157742/um-ano-sem-oscar-niemeyer

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

ANITA MALFATTI

*Artista Plástica e Contadora de Histórias

Olá meus amigos, tudo bem? Alegria estar com vocês mais uma vez. Gostaria de aproveitar, antes de apresentar o artista dessa semana, e convidá-los para comparecerem à Mostra de Arte "Colorindo a Infância", assinada por mim e por minha amiga, também artista plástica, Edna Badú. Ela está montada no Museu Araçatubense de Artes Plásticas - MAAP, na Casa de Cultura Adelino Brandão, Rua Duque de Caxias, 29, fundos com a Tanger, em Araçatuba. Espero por vocês lá!

Bem, continuando nossa saga de conhecer nossos artistas brasileiros, vamos de mais uma mulher, também modernista, que sofreu bulliyng de Monteiro Lobato e se enfiou em sua "carapaça" feito caramujo. Claro que estamos falando de Anita Malfati.


VIDA E OBRA

Anita Catarina Malfatti (São Paulo, 2 de dezembro de 1889 – São Paulo, 6 de novembro de 1964), pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora. O início de sua instrução artística e cultural foi iniciada por sua mãe, a americana Betty Malfatti, professora de pintura e línguas. Por causa de uma atrofia no braço e na mão direita, Anita transformou-se em canhota, utilizando a mão esquerda para pintar.


Em São Paulo, estudou no Mackenzie; na Alemanha, estudou na Academia Real de Belas Artes de Berlim. Em Nova York, teve aulas de pintura, desenho e gravura com diversos artistas na Arts Students League of New York, na Independent School of Art e trabalhava fazendo ilustrações para as revistas Vanity Fair e Vogue.

Passou a ser conhecida após uma de suas exposições (organizada por Di Cavalcanti), quando o escritor Monteiro Lobato fez uma crítica destrutiva da artista que quase acabou com sua fabulosa carreira. Após essa época, alterou sua temática, produzindo, naturezas-mortas, retratos, paisagens e cenas populares.


No fim da década de 1910, em São Paulo, estudou pintura no ateliê do artista plástico Pedro Alexandrino, onde conheceu Tarsila do Amaral. Lecionou desenho na Escola Americana, na Universidade Mackenzie, na Associação Cívica Feminina e em seu próprio ateliê (este frequentado por inúmeros artistas).

Ganhou pelo Pensionato Artístico do Estado de São Paulo uma bolsa de estudos em Paris.

Fundou com Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Pichia o Grupo dos Cinco, em 1922, e participou da Semana de Arte Moderna. Anos mais tarde, integrou na Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM), na Família Artística Paulista (FAP) e participou do Salão Revolucionário.


Em 1942, foi presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo. Sua primeira retrospectiva aconteceu no Museu de Arte de São Paulo, em 1949. Expôs também no 1º Salão Paulista de Arte Moderna e na 1ª Bienal Internacional de São Paulo.

Após a morte de sua mãe, Anita se afastou do meio artístico por algum tempo, no entanto, quando regressou oficialmente em uma exposição individual de 1955, a artista apresentou suas obras produzidas nesse período de reclusão. Seu novo tema, era exclusivamente a arte popular brasileira, opção esta, considerada por ela e por diversos profissionais sua melhor e mais pura fase.

* FOTO: Anita Malfatti e seu Tempo. Centro Cultural Banco do Brasil (pág. 23); Rio de Janeiro, 1996.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Oba! Papai Noel existe! Pelo menos no cinema!

*Professora universitária e mestre em Mídias Digitais
Ele vai chegar... Prepare sua casa, seu ambiente de trabalho, decore uma árvore, coloque as luzes porque ... ele vai chegar. Estamos no advento do Natal. Isso mesmo, dezembro chegou e, junto, vem a data de comemoração cristã do nascimento de Jesus. Mas e aí? Como será essa preparação para a festa de aniversário? Qual deve ser a expectativa?

Na verdade, a sociedade se apropriou desta data para promover um momento festivo, que propõe a troca de presentes com pessoas que amamos. Desde já pensamos em como será a ceia, quais pratos serão preparados, entre outros detalhes que o comércio acaba nos conduzindo a buscar.

No sentido religioso, a igreja propõe algo bem diferente e espera que o dia 25 de dezembro seja para os fiéis uma época amorosa, em que as pessoas relembrem a importância do principal aniversariante em suas vidas e deseja, profundamente, que esta época toque os corações das pessoas, que possa acontecer a união entre elas, o perdão e, o principal, que seja feita aquela famosa reflexão de como foi o ano, o que foi feito e o que não foi feito nele, as mudanças pessoais, entre outras inúmeras questões reflexivas.

Não importa o ponto de vista a ser seguido porque, nessa época do ano, o que vale mesmo é aproveitar para acrescentar algo em nossas vidas, alguma atitude melhor, renovar os sentimentos. E são tantos os pontos de reflexão que, às vezes, precisamos de mais de um Natal ... (risos)

O interessante desta época é que, mesmo as pessoas que não curtem muito essa história de árvore de natal, ceia natalina, troca de presentes e até o papai Noel, acabam, de um jeitinho ou de outro, se rendendo aos encantos da época. E, claro, que a indústria do cinema não ia deixar essa data tão festiva passar em branco. 


A Origem Dos Guardiões (2012) explora o universo das lendas infantis, em especial o Coelho da Páscoa e nosso bom velhinho, o Papai Noel. Consegue ser um filme moderno e conservador: por um lado é super colorido, com voos pelos ares, hiperativo e 3D com hologramas; por outro, defende a inocência infantil, a bondade a qualquer preço e, como simples bondade não vende mais, o primeiro passo foi atualizar a mitologia, por isso os super heróis são lutadores, ferozes e voadores. Os personagens foram inspirados nas lendas americanas e são eles: Coelho da Páscoa, Fada do Dente, Sandmam e Jack Frost, liderados pelo nosso querido Papai Noel e, juntos, defendem as crianças com pontapés e muitos efeitos especiais. Ah, o trenó do Papai Noel é um veículo potente. O capitalismo aparece forte, está explícito nos presentes de Natal, ovos de Páscoa e a troca do dente por uma quantia em dinheiro.


O desafio do filme é fazer com que as crianças voltem a ser inocentes e continuem acreditando nas lendas e, para esse resgate, elas contam com os Guardiões que as  protegem do Breu, um espírito maligno que luta para que elas não acreditem em fábulas, lendas e mitos.

Assim é A Origem dos Guardiões, uma historia bonita que comove adultos e crianças, é o bem contra o mal com final feliz, um clássico necessário nos dias de hoje.  Sendo assim, aproveite o espírito do Natal, o clima festivo  e alimente um pouco sua inocência. Às vezes, a gente precisa...

Na próxima semana tem mais. Boa semana, bom preparo para o Natal, bons filmes e Ho Ho Ho....

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Mostras de Arte

*Jornalista e escritor

Araçatuba pulula de arte e cultura, gastronomia, esporte e lazer... Já citei por esta coluna algumas atividades ligadas às mais diferentes “tribos”. Este final de semana, por exemplo, dentro do programa de aniversário dos 105 anos do município, aconteceu mais uma edição do “Comidas de Boteco”, onde seu ponto máximo se deu na praça São Joaquim, com apresentações culturais que transitaram da cultura popular – como grupos de catira e artesanato – até o erudito – como é o caso da Orquestra Municipal de Sopro “Bruno Zago”.

Entretanto, gostaria de dar ênfase na coluna de hoje a duas mostras de artes visuais e três grandes amigas minhas: Yeda Benante e Duxtei e Edna Badú.

MOSTRA DE ARTES ATELIÊ YEDA BENANTE


Yeda Benante está com uma mostra para lá de especial, no Saguão da Biblioteca Municipal “Rubens do Amaral”, com telas próprias, mas também com trabalhos de alunos de seu ateliê. É uma “colcha de quadros”, muito bem costurada, das mais variadas tendências, temas, estilos, proporções... São trabalhos de alunos – alguns mais singelos, com traços próprios de quem está começando a pintar, mas que entusiasma pela dedicação, pelo cuidado e zelo que, certamente, foram dedicados ali. Mas há outras também que já seduzem o expectador, uma vez que mostram maturidade e até certo arrojo nos traços e na segurança de quem os compôs. É gratuita e vale a pena ver.


Conheço a Yeda não é de agora; somos colegas de profissão, nessa jornada de utopia que é ser educador. E, ao longo desses anos de relação, aprendi a admirá-la, primeiro, pelo ser humano que é, depois, pela profissional dedicada e responsável. Não é diferente esse seu entusiasmo na dedicação às artes plásticas. O resultado está lá para quem quiser conferir. Parabéns a você, minha amiga, bem como a seus alunos.

***


MOSTRA DE ARTE "COLORINDO A INFÂNCIA"

A segunda mostra acontece no Museu Araçatubense de Artes Plásticas – MAAP, anexo da Casa de Cultura Adelino Brandão, coladinho ali com a Tanger (fundos). A mostra, denominada “Colorindo a Infância”, traz várias pinturas a óleo e à base de acrílica, todas com temas ligados à infância.

São mais de 20 obras que retratam a ternura, a sensibilidade e a alegria das crianças, com trabalhos que dialogam com o universo adulto e o infantil. Algo que chama a atenção na mostra é a produção de Ana Laura, de apenas quatro anos, neta de Edna Badú.


Duxtei é minha parceira em vários projetos de artes plásticas e literatura, sendo um dos mais recentes as ilustrações de meu livro de poesias para crianças “Poesia, pipoca e pião” que, com Wilma Gottardi, assina as ilustrações. Edna Badú é amiga, foi minha aluna na Faculdade de Arte e tenho o privilégio de ter algumas de suas telas; duas delas na mostra. Vale a visita.

Serviço:
Mostra de Arte Ateliê Yeda Benante
Saguão da Biblioteca Municipal “Rubens do Amaral”
Rua Armando Sales de Oliveira, s/n

Mostra “Colorindo a infância” – MAAP
Rua Duque de Caxias, 29 – Centro

Ambas as mostras funcionam de Segunda a sexta, das 8h às 17h
Sábado, das 8h ao meio dia.
Gratuito.