domingo, 26 de dezembro de 2010

SURTO DE BONDADE

Antonio Luceni


 
Minha sobrinha Letícia vivenciou de verdade pela primeira vez um Natal. Ganhou vários presentes, mas um deles foi responsável por tirar-lhe o fôlego: uma boneca, de meu irmão Lúcio.
Segurou a caixa, ainda envolta pela embalagem, rasgou-a o mais depressa e da melhor maneira que pôde (ela ainda tem um ano e meio) e a emoção indisfarçável: os olhos brilhando, o ventre murcho por um suspiro, e o sorriso largo na boca. Ficou com a boneca o dia inteiro para lá e para cá.
Esta cena me fez pensar um pouco sobre o que as coisas podem fazer conosco, o poder que aquilo que ganhamos tem sobre nossas ações, nossas atitudes.
Tem muita gente que ganha, que recebe um bem ou um dom para ser melhor para ele e para os outros. Por exemplo, um médico que dedica sua vida a tratar de gente e que, além das consultas cobradas, também se submete à compaixão em oferecer seus serviços, o dom que recebeu, para os que não podem pagá-lo.
Outro exemplo? Alguém que, mesmo vivendo em glória, em riquezas, em honrarias, deixa o seu trono e vem morar ao lado da pobreza, dos mais necessitados, dos famintos e desprezados.
E não estou falando necessariamente de riqueza material – apesar de nos dois exemplos dados isso estar presente. A riqueza aqui apresentada é metafórica. Há muita gente pobre financeiramente que é tão mesquinha quanto muito rico esnobe. (Lembro-me, por exemplo, de Dora, personagem de Fernanda Montenegro, em Central do Brasil, que era tão pobre quanto mesquinha).
É uma máxima, acho que de Maquiavel, que para se conhecer alguém basta dar-lhe poder. Pois é, devo concordar um pouco com isso. Muitos usam dos poderes que têm (políticos, religiosos, financeiros etc.) para subjugar o outro, para tirar-lhe o mínimo que tem, para ignorá-lo em sua insignificância a que a vida já o destinou.
Outros, entretanto, procuram fazer uso dos dons que receberam, que ganharam, como algo bom para todos, para uma sociedade mais justa, mais inclusiva, mais equitativa.
É comum no final de cada ano – em virtude das festas de natal e ano novo – acontecerem surtos de bondade, de fraternidade, de compaixão (e isso não é ruim de tudo: garante o pão daqueles dias para os que não têm o que comer o ano todo). Mas não resolve os problemas. A preocupação com o semelhante deve perdurar os 365 dias do ano, a prontidão e o sempre-alerta precisam ser algo constante. (Não há tanta barriga que caiba tantas doações de uma só vez, nem tão pouco são osso para que seja enterrado e procurado em outros momentos de necessidade).

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

domingo, 19 de dezembro de 2010

2000 e Dez!

“Grandes coisas fez o Senhor por nós, por isso, estamos alegres.” Sl. 126.3

Sempre que algo é iniciado em nossas vidas muitas expectativas são criadas, várias projeções são feitas, e uma vontade danada de que tudo dê certo. Cada ação é pensada no sentido de contribuir para essa busca do acerto, do sucesso.
Quando este ano começou também fiquei na expectativa de muitas coisas. Foi uma mudança brusca em minha vida. Um ciclo de ações havia se encerrado e um novo momento se esboçava em minha frente.
Já integrando a equipe da Secretaria Municipal da Educação, a convite da Secretária Beatriz Soares Nogueira, tinha o desafio de dinamizar os projetos e proposta de leitura e literatura relacionadas à Rede Municipal.
Hoje, essa realidade no campo da leitura e do livro já está bem diferente – e é voz unânime, para melhor – a partir da implantação de grupos de estudo em leitura, das sondagens das bibliotecas e espaços de leitura, da distribuição e atualização de acervos literários, do seminário da leitura e literatura voltado especialmente para questões da infância, de concursos de texto dirigidos para professores, gestores e alunos, da adesão de 100% da Rede na Olimpíada de Língua Portuguesa (MEC/CENPEC), entre outras tantas ações cotidianas que não cabem ser elencadas nesse momento.
Também, neste ano, fui convidado, por meio da diretoria da União Brasileira de Escritores – UBE, a assumir o Núcleo Regional da instituição, continuando o legado das mais de cinco décadas de atuação da UBE no Brasil. Missão penosa, mas que resolvi encarar. E, para isso, convidei as amigas e escritoras Marilurdes Martins Campezi, Wanilda Costa Borghi e Duxtei Vinhas Ítavo.
Os primeiros frutos já surgiram pouco mais de três meses de nossa posse – em agosto, na 21ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo –, com a realização do 1º Encontro de Escritores Independentes de Araçatuba e Região – ENESIAR, ocorrido no último sábado, no auditório do SENAC, grandemente prestigiado por vários escritores de nossa região, com as dignas presenças de nosso Presidente Nacional, escritor Joaquim Maria Botelho, e de nosso Diretor de Integração Nacional, escritor Menalton Braff, além de convidados especiais.
Foi voz corrente o sucesso do evento e a satisfação de seus participantes.
Estas coisas precisam ser registradas para que, mais para frente, quando outros continuarem estas ações ou resolverem ampliá-las e melhorá-las (sim, porque não devemos nos considerar insubstituíveis, nem tão pouco donos da razão – de imortal, somente o nome), poderem se apoiar num caminho já trilhado, em veredas já abertas, em alicerces construídos... Assim colaboramos com as gerações futuras: facilitando o caminho. (Já reparou quanta gente gosta de atrapalhar a caminhada dos outros?).
Foi neste ano que também o pequeno Miguel, meu sobrinho mais novo, veio ao mundo, deixando nossa família mais feliz com a presença dele. (As crianças são anjos disfarçados, e ficam entre a gente para nos ajudar a vencer batalhas. Nosso Miguel é um anjo vencedor desde o nascimento).
Muitas coisas fez o Senhor por nós, por esse motivo estamos muito alegres.
2000 e 10 foi dez!

Antonio Luceni é escritor e professor universitário. Coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

sábado, 18 de dezembro de 2010

DISCURSO DE POSSE DO NÚCLEO UBE ARAÇATUBA E REGIÃO



Bom dia nosso Presidente Nacional da União Brasileira de Escritores – UBE, escritor e jornalista Joaquim Maria Botelho; bom dia ao nosso Secretário de Integração Nacional, Menalton Braff; bom dia ao senhor prefeito Aparecido Sério da Silva e demais autoridades presentes; bom dia a todos os escritores presentes; bom dia aos amantes da leitura literatura; bom dia a todos.
Gostaria de iniciar este meu discurso AGRADECENDO.
Primeiramente a Deus, por ter nos concedido vida e oportunidade de estar aqui, refletindo sobre leitura, sobre literatura, sobre a nossa própria condição humana. Afinal, como afirma Antonio Candido, no seu livro Direito a Literatura:
“Por isso a luta pelos direitos humanos pressupõe a consideração de tais problemas e chegando mais perto do tema (literatura), eu lembraria que são bens incompressíveis não os que asseguram sobrevivência física em níveis decentes, mas os que garantem a integridade espiritual. São incompressíveis certamente a alimentação, a moradia, o vestuário, a instrução, a saúde, a liberdade individual, o amparo da justiça pública, a resistência à opressão etc.; e também o direito à crença, à opinião, ao lazer e, por que não, à arte e à literatura?”
Gostaria de agradecer também à instituição a que pertenço desde 2007, a mais antiga e das mais atuantes no Brasil, União Brasileira de Escritores – UBE, na pessoa de nosso Presidente, Joaquim Maria, e pelo convite para assumir o 1º Núcleo da UBE no estado de São Paulo, hoje já com seis espalhados por todo Brasil. Ao mesmo tempo, parabenizar a atual administração pela iniciativa de descentralizar as ações da UBE e estimular a atuação da Instituição, por meio de seus associados, nos vários cantos do Brasil, possibilitando-nos vez e voz, às várias nuanças de escritores, às particularidades de cada região do País etc.
Gostaria de agradecer às minhas parceiras, bandeirantes do Núcleo UBE em nossa região, as escritoras: Marilurdes Martins Campezi (Lula), Duxtei Vinhas Ítavo e Wanilda Maria Meira Costa Borghi, que aceitaram o convite e o desafio de implantarmos o Núcleo por estas terras e de dar vida às várias ações que sonhamos no campo da literatura e do livro, tendo este encontro como primeira delas.
Gostaria de agradecer aos parceiros deste evento, sem os quais não poderíamos realizá-lo: ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, por meio de seu gerente, Sr. Emmanuel Flores de Andrade; à Secretaria Municipal de Educação, por meio da secretária Profa. Beatriz Soares Nogueira; à Secretaria Municipal de Cultura, pelo apoio na divulgação; à Câmara Municipal de Araçatuba, na pessoa da vereadora Durvalina Gomes Garcia; à Academia Araçatubense de Letras, nesta mesa representada pelo acadêmico Francisco Antonio Ferreira Tito Damzao; ao jornal Folha da Região, em nome de Ana Elisa Lemos Senche e da editora-chefe, Maria Antonia Dario; ao Unicolégio Objetivo, em nome de seu Diretor Geral, meu amigo, Prof. Joaribes Juca Torquato; ao cartunista Walmir Orlandeli pela comunicação visual do encontro e criação da logomarca do Núcleo; à Livraria Educação e Cultura – MEC, por meio das parceiras Simone e Denise; à Gráfica Araçatubense, pelo material impresso do evento, em nome de Seu Ferreira; a todas as diretoras, professores e funcionários do Sistema Municipal de Ensino de Araçatuba, pelo engajamento; a todos os estudantes universitários presentes e a todos que contribuíram divulgando, estimulando, fazendo suas inscrições. Não gostaria de dizer nomes para não ser injusto com ninguém.
MUITO OBRIGADO A TODOS.

Falar em literatura e livro para mim é sempre um grande prazer. Se no princípio era o Verbo, isto é, a PALAVRA e se a PALAVRA se fez carne e habitou entre nós, somos carne da mesma carne, ou seja, somos PALAVRAS.
A literatura e livro fazem parte da minha vida, estão entranhados em mim. Levanto, trabalho, cochilo e durmo com as palavras orbitando em minha vida.
O curso de Letras foi escolhido de propósito, assim que saí do magistério. Lá tive oportunidade de me aprofundar em algo que há muito me seduzia, me fascinava, me fazia enxergar o mundo sob várias óticas (de escritores, de teóricos, de poetas, de pessoas simples do povo, como Patativa do Assaré e Cora Coralina).
Foi lá, também, que conheci figuras interessantíssimas, como o professor e poeta Tito Damazo, o querido Valdir Mendonça, a entusiasmada Ester Mian, entre outros. A pós-graduação em Literatura Infantil e o mestrado em Poesia contribuíram para que cada vez mais eu fosse cheio de boas palavras...
Ai palavras, ai palavras... que estranha potência, a vossa!
Foi nos corredores da Faculdade de Letras da Toledo que também conheci um certo professor de Literatura Portuguesa, com o qual acabei depois me apegando,  escritor de mão cheia e grande mentor da Academia Araçatubense de Letras, Célio Pinheiro.
As palavras que por muito tempo foram suas amigas e, com ele, ajudaram construir cabeças de tantos outros alunos no curso de Letras, hoje, o traem na memória, que virou flashs de lembrança. Entretanto, ele nunca as abandonou.
Gostaria de dedicar este encontro a ele.

EU SOU PALAVRAS...
Falo a partir de mim menos por vaidade e mais por verdade, já que é a pessoa que suponho conhecer melhor, portanto com mais condições de criticar, de validar ou não as ações.
E um garoto que só teve oportunidade de se aproximar dos livros aos 7, 8 anos de idade a partir de uma cartilha, “Caminho Suave”. Vejam que nem é um livro tão interessante assim.
Quero trazer meu exemplo aqui, aproveitando de tão seleto público – secretários municipais, vereadores, escritores, professores, estudantes, e comunidade em geral – para discutirmos e pensarmos literatura, leitura na sociedade como algo IMPRESCINDÍVEL para nossa formação, para nosso engajamento enquanto cidadãos, para manutenção de nossa saúde mental – a fantasia é necessária para o ser humano, entre outras coisas, porque o livra da loucura.
Quem pensa no livro, na literatura, na leitura como produto de alienação ou como “perfumaria”, pensa pequeno.

EU FUI SALVO PELA PALAVRA.
A vida toda morei em periferia e estudei em escola pública. Sempre tivemos, eu e minha família, privações em nossa vida material e financeira. Passamos duros bocados com o alimento singular sobre a mesa (e isso não é nenhuma metáfora), com uma chinela havaiana (no tempo em que havaiana era coisa de pobre) de uma cor em um pé e de outra noutro, com roupas apertadas feitas pelas mãos calejadas de minha mãe, numa velha máquina Singer.
O jeito que eu encontrava para respirar um pouco e sair, ainda que mentalmente, daquele contexto ruim era lendo.
Lia coisas de Monteiro Lobato, os textos de Júlio Verne, os romances de Machado, de José de Alencar, as novelas de Jorge Amado, muitos contos (meu gênero predileto) de Dalton Trevisan, Luiz Vilela, João Gilberto Nol... Poesia? Drummond, Mário Quintana, Manoel de Barros, o Bandeira, Maria Angela Alvim... E tudo isso me salvou.

AS PALAVRAS ME SALVARAM.
Como todo garoto de periferia, tive oportunidade de ir para o crime, para as drogas, para o conformismo (aliás, as letras me salvaram do inconformismo também: não é porque tinha aquela vida que estava fadado a morrer daquele jeito). Pelo contrário, cada vez que saía de um livro (e até hoje é assim) percebia que podia ser diferente, que podia fazer diferente, que podia pensar diferente.
LITERATURA, leitura não são coisas para poucos iluminados, privilegiados, não. Ela é para quem a quer. Não faz distinção se é preto, se é branco, se é azul ou colorido; se tem grana ou se é um durango kid, se homem ou mulher, se jovem ou criança, não importa. ELA ACOLHE A TODOS.
É por isso que cada um que está aqui é importante. Não importa se é escritor conceituado ou anônimo, se escreve em papel ou na internet, se é professor, diretor ou agente de serviços gerais... vocês não estão fazendo VOLUME aqui. Cada um que aqui está é importante. Cada um que está aqui pode fazer a diferença utilizando-se da LEITURA E DA LITERATURA em suas vidas e na vida de cada um que está à sua volta.
Aí me perguntaram: Por que INDEPENDENTES? Ora, e não somos não?
Não somos nós que corremos para lá e para cá para poder publicar? Depois não somos nós que ou corremos atrás de um patrocínio ou tiramos dinheiro do bolso para pagar um coquetelzinho com vinho de segunda classe e salgadinhos frios para a noite do lançamento? Não somos nós que de porta em porta batemos para que este ou aquele amigo (e às vezes até inimigo) venha nos prestigiar e comprar nosso livro?
Não somos nós que, com o dinheiro do nosso bolso, ficamos para baixo e para cima lançando livro, participando de eventos de literatura, de leitura etc?
Agora, é lógico que a dependência institucional e das parcerias todos nós temos. Não somos uma ilha, precisamos uns dos outros. TODOS nós estamos ligados a um “cordão umbilical” do universo, dependentes de alguma coisa, que a gente nem sabe explicar, para continuarmos vivos.
Então? Não somos INDEPENDENTES?

SOMOS DEPENDENTES, também, já que cabe a cada um de nós estimular a leitura. A LEITURA E A LITERATURA são de responsabilidade de TODOS.
Se estão presentes aqui representações das mais diferentes esferas sociais é porque entendemos a leitura e a literatura como um bem inalienável de todos nós. E aí, como iremos fazer aqui nesta manhã, cada um pensar como pode atuar para que isso aconteça: O LEGISLATIVO: De que forma pode pensar em leis ou indicações de leis e projetos para privilegiar a presença do livro e da literatura nos municípios de nossa região, no estímulo e apoio ao escritor? O EXECUTIVO: O que pode fazer para que o maior número de pessoas (crianças, jovens e adultos) possa ler? Acesso gratuito à internet? bilbiotecas públicas nos bairros e em todas as escolas? projetos nas praças aos finais de semana? O que pode ser feito? A SOCIEDADE CIVIL: Como se mobilizar para provocar a leitura dentro de cada residência, em cada bairro com bibliotecas comunitárias, com saraus de poesia etc? AS ASSOCIAÇÕES LIGADAS AO LIVRO E À LITERATURA: Organizando concursos? ministrando oficinas de leitura e de criação literária junto à comunidade? distribuindo livros? promovendo encontros, debates, palestras, mesas de discussão, chats temáticos? aproximando as pessoas do livro? do computador? etc.
TODOS nós PODEMOS FAZER alguma coisa. TODOS nós SOMOS BENEFICIADOS quando fazemos alguma coisa. Mas todo esforço exige energia, disposição, sair do lugar. Com isso, o cansaço vem, o desgaste também, mas vem também a alegria de ver pessoas envolvidas com cultura, com arte, com leitura, com literatura e longe de tantas outras coisas que corroem a sociedade como um câncer.
Estamos muito felizes, eu e minhas parceiras Lula, Duxtei e Wanilda, com a instalação da UBE em nossa região. Mas, ao mesmo tempo, imbuídos de forte responsabilidade por levar adiante o trabalho sério e significativo de tão importante e conceituada Instituição que é a União Brasileira de Escritores. O legado deixado por escritores como Mário de Andrade, Sérgio Milliet, Paulo Duarte, Afonso Schmidt, Fábio Lucas e, atualmente, pelos confrades Lygia Fagundes Telles, Frei Beto, Lia Luft, Antonio Candido, entre tantos outros precisa ser extensivo em nossa região, e isto não é tarefa fácil, mas estamos dispostos a cumpri-la.
Gostaria de encerrar a minha fala raptando um verso de Drummond no poema Infância:
"E eu nem sabia que a minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé!"

SEJAM TODOS BEM-VINDOS AO PRIMEIRO ENCONTRO DE ESCRITORES INDEPENDENTES DE ARAÇATUBA E REGIÃO.

1º ENCONTRO DE ESCRITORES EM ARAÇATUBA GRANDEMENTE PRESTIGIADO



O auditório do SENAC ficou cheio de pessoas que prestigiaram o 1º Encontro de Escritores Independentes de Araçatuba e Região – ENESIAR, ocorrido na manhã chuvosa de sábado do dia 18 de dezembro de 2010 e promovido pelo Núcleo da União Brasileira de Escritores – UBE Araçatuba e Região.
Na plateia estavam diferentes representantes da sociedade: escritores, jornalistas, blogueiros, diretoras de escola, coordenadoras pedagógicas, estudantes universitários, e comunidade em geral de mais de dez municípios da região de Araçatuba.
Como convidados de honra estavam os escritores Joaquim Maria Botelho, Presidente Nacional da UBE, e o Diretor de Integração Nacional, escritor Menalton Braff, que também lançou o romance “Bolero de Ravel”, Editora Global.
Para o Presidente da União Brasileira de Escritores, Joaquim Maria Botelho, a abertura do Núcleo na região de Araçatuba é motivo de grande alegria.


“Estamos certos de que o Núcleo da UBE na região de Araçatuba trará uma grande contribuição no campo da literatura e da formação de leitores. Precisamos de gente nova, de sangue novo para fazer com que as ações de nossa Instituição penetrem na sociedade. Nesse sentido cremos que o Núcleo atende às nossas expectativas. Começa aqui uma forte história da UBE com a região noroeste paulista”, finalizou.

Já para o Coordenador do Núcleo UBE Araçatuba e Região, o escritor Antonio Luceni, a implantação do Núcleo, além de alegria, traz também uma forte responsabilidade: a de dar continuidade ao trabalho realizado pela UBE nacional há mais de 50 anos.


“Estamos muito felizes, eu e minhas parceiras Lula, Duxtei e Wanilda, com a instalação da UBE em nossa região. Mas ao mesmo tempo, imbuídos de forte responsabilidade por levar adiante o trabalho sério e significativo de tão importante e conceituada instituição que é a União Brasileira de Escritores. O legado deixado por escritores como Mário de Andrade, Sérgio Milliet Paulo Duarte, Afonso Schmidt, Fábio Lucas e, atualmente, pelos confrades Lygia Fagundes Telles, Frei Beto, Lia Luft, Antonio Candido, entre tantos outros precisa ser extensivo em nossa região, e isto não é tarefa fácil, mas que estamos dispostos a cumpri-la”, enfatiza o escritor.

Pela relevância da Instituição e sensibilidade das autoridades locais para com o Encontro, não faltaram personalidades de destaque na cidade. Entre as quais o prefeito de Araçatuba, Aparecido Sério da Silva.




“Araçatuba recebe a partir de hoje mais uma forte colaboradora no incentivo e divulgação do livro, da literatura e da leitura: a União Brasileira de Escritores. Estamos certos de que a atuação da UBE, por meio de seu Núcleo, será das mais promissoras em nossa cidade e região e fará, somara esforços, sem dúvida alguma, para ajudar-nos a construir uma cidade leitora. Sejam muito bem-vindos e contem conosco para o que precisarem”, destacou o prefeito.

O legislativo municipal foi representado por meio da Vereadora Durvalina Garcia que destacou o papel dos vereadores na criação e indicação de projetos e leis de incentivo ao escritor e ao livro.


“Nós já temos em nossa cidade (Araçatuba), uma lei que beneficia as gráficas na compra de papel, com dedução de impostos. Mas isso é pouco, precisamos beneficiar toda cadeia produtiva do livro, desde sua concepção até a sua publicação e distribuição. Para isso, nos comprometemos, na Câmara, e já estamos fazendo isso, em sondar leis existentes em outros municípios e até em esferas superiores à nossa, de forma a trazer essas experiências para nossa cidade e região. A UBE pode contar conosco para aquilo que pudermos realizar e que estiver ao alcance do legislativo”, comprometeu-se a vereadora.

Grande parceiro do Encontro desde o início, o jornal Folha da Região marcou presença em um dos momentos dos trabalhos, por meio da Gráfica e Editora Somos. Para a Editora-Chefe do jornal, Maria Antonia Dario, é muito bom ter a UBE em nossa região.


“A Folha da Região tem o compromisso de qualidade com a informação e com a palavra escrita. Por essa razão, sentimo-nos duplamente honrados da parceria que fizemos com o Núcleo UBE Araçatuba e Região desde o começo, pois acreditamos que é com ações sérias e voltadas para formação de leitores competentes e críticos que podemos formar uma sociedade mais justa e fraterna. Tanto a Folha quanto a UBE têm por meta formar esse cidadão. Não poderíamos ficar de fora desse momento singular na história de nossa região”, destacou.

E também deu uma notícia que pegou todos os presentes de surpresa.

“Gostaríamos de presentear o Núcleo UBE Araçatuba e Região e todos seus associados, com um espaço permanente no Caderno Vida, numa coluna semanal, para que publiquem seus textos, sob coordenação do Antonio Luceni”.

O Presidente da UBE, Joaquim Maria Botelho fez questão de se levantar e abraçar a representante da Folha, como forma de gratidão pelo gesto na cessão do espaço no jornal.

Por último, a chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação, Patrícia Cardoso Soares, representante da Secretária Beatriz Soares Nogueira, marcou presença no Encontro.


“Essa administração municipal tem uma forte preocupação pelo livro e pela leitura. Exemplo disso foi a distribuição gratuita de livros para todas as quinze mil crianças de nosso Sistema Municipal de Ensino. A presença da UBE em nosso município e região só vem contribuir com nosso desejo de formar uma sociedade leitora. O Antonio Luceni é nosso parceiro e responsável na Rede pelos projetos de Leitura. Temos certeza de que todo o dinamismo e profissionalismo que ele exerce em nossas escolas será extensivo, agora, em sua atuação junto ao Núcleo Regional da UBE”.

Na mesma ocasião foi dada posse aos membros fundadores do Núcleo UBE Araçatuba e região.


Na imagem acima, da esquerda para direita, Antonio Luceni (Coordenador do Núcleo), Joaquim Maria Botelho (Presidente Nacional da UBE), Menalton Braff (Diretor de Integração Nacional), Wanilda Maria Meira Costa Borghi, Marilurdes Martins Campezi (Lula) e Duxtei Vinhas Ítavo, responsáveis pelo Núcleo.

 A manhã foi curta para uma programação tão rica nas áreas da literatura, da leitura e do livro. Na imagem abaixo, momento de descontração e divulgação das publicações da Editora Somos/Folha da Região. (Da esquerda para direita): Arnon Gomes (Folha), Antonio Luceni (UBE) e Flávio Borges (Somos):



Gostaríamos de agradecer vivamente todos que se empenharam para que o Encontro tivesse o sucesso que teve e, ao mesmo tempo, convidar os escritores interessados em se filiarem à União Nacional de Escritores – UBE que o façam por meio do site: ww.ube.org.br, e contribuam e se engajem nas ações do Núcleo UBE Araçatuba e Região.

Obrigado ao Presidente, Joaquim Maria Botelho, e ao Diretor de Integração Nacional, Menalton Braff, pela doação de seu tempo e agenda, no lançamento do Núcleo UBE em nossa região.





FILIE-SE À UBE: www.ube.org.br. VAMOS, JUNTOS, CONSTRUIR UMA REGIÃO LEITORA.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

FOLHA DA REGIÃO APOIA ENCONTRO DE ESCRITORES


Matéria publicada no Caderno Vida de 10/12/2010

domingo, 5 de dezembro de 2010

VAMOS ACORDAR, MINHA GENTE!

Antonio Luceni


Nero é que tinha essa mania de querer botar fogo em todo mundo. Diz a história que os jardins de seu palácio eram iluminados com cristãos pegando fogo, presos em colunas. Coisa triste de se pensar e, sobretudo, vivenciar. Ficou famoso por atear fogo em Roma.
Na semana passada escrevi nestas linhas justamente sobre intolerância. Nesta semana voltamos a vivenciar – agora mais de perto – outro caso de desrespeito: um cidadão (até encontrarem nome mais adequado e que possa ser utilizado em jornal de família) que por conta de quereres e vaidades pessoais (qualquer “motivo” irá soar como desculpa, mesmo, não tem jeito) fez a ex-mulher como refém por quase vinte e quatro horas na semana passada, em Araçatuba.
Agora, imaginem a situação: Uma pessoa trabalhando, de repente entra um louco com um revólver, manda todos saírem da sala, joga gasolina sobre a ex e fica por mais de vinte horas torturando-a psicologicamente e ameaçando-a fisicamente.
Vem polícia, vem família, vem juiz e delegada, vem até grupo especial de São Paulo e o cara nada. Ventilou-se uma conversa de que havia alugado um filme para inspirar a ação, cortado cabelo e feito a barba, tudo como manda o “figurino” para realizar a ação.
Em que mundo estamos? Aonde é que vamos parar? Sobre estas coisas que estou questionando. Num momento é intolerância porque a pessoa é negra, noutro porque é homossexual, naquele porque é nordestino, neste “porque”... Há razões para a violência? Há motivos, por mais “honestos e válidos” que sejam para que alguém se dê o direito de sair matando, estuprando, violentando o que quer que seja.
Se ao menos isso acontecesse (e isso pode parecer chocante ou mesmo politicamente incorreto) com quem merece, ou seja, traficante, estuprador, político corrupto, assassino, ladrão, vá lá, mas com gente de bem, trabalhadora, ah, não! Como diria o outro, assim não pode, assim não dá.
Até quando vamos ficar apenas como espectadores assistindo a essas e outras barbáries que acabam virando rotina em nosso meio? Qual é o prazo para que nos indignemos e nos coloquemos às ruas reclamando e exigindo ações mais enérgicas por parte das autoridades, de nossos legisladores, do Estado como um todo para que o cidadão de bem – o que os Direitos Humanos deveriam zelar – possa caminhar em paz pelas ruas, no horário que quisesse voltar para sua casa? Até quando...?
Ainda sou daqueles otimistas que acreditam num final melhor, que unidos podemos mais, que o que vale a pena deve ser validado e estimulado e o que não é tão legal assim não merece ter espaço em nosso meio.
Vamos acordar, minha gente.

Antonio Luceni é mestre em Letras e escritor, membro da União Brasileira de Escritores – UBE e Diretor do Núcleo UBE Araçatuba e Região.