segunda-feira, 29 de agosto de 2011

REUNIÃO ORDINÁRIA DA UBE - NÚCLEO ARAÇATUBA E REGIÃO

Antonio Luceni
aluceni@hotmail.com

NO ÚLTIMO SÁBADO, 27 DE AGOSTO, ACONTECEU NO ATELIÊ ANTONIO LUCENI A REUNIÃO ORDINÁRIA DA UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES - NÚCLEO ARAÇATUBA E REGIÃO.

NA OCASIÃO FOI PROFERIDA UMA PALESTRA PELO PROF. DR. TITO DAMAZO A PARTIR DA OBRA "BOLERO DE RAVEL" DO ESCRITOR MENALTON BRAFF (JABUTI 2004) E TAMBÉM CONFRADE DE UBE.

A TARDE FOI BASTANTE DINÂMICA E RICA, COM QUESTIONAMENTOS, REFLEXÕES E ANÁLISE DO ROMANCE JÁ CITADO.

ABAIXO, RESENHA ELABORADA PELO PROF. TITO DAMAZO PARA O ENCONTRO.


                                                
Reunião Ordinária do Núcleo – 27/08/2011
BRAFF, Menalton; Bolero de Ravel, São Paulo: Global, 2010.
Prof. Dr. Tito Damazo 
* Narrativa expressa em 1ª pessoa: narrador-personagem/ protagonista (Adriano).
* Técnica de narração: Por um processo de associação, recorrência a um conjunto de acontecimentos passados, evocados repetida e obsessivamente (às vezes simultaneamente) por situações do presente da narrativa.
Cenas:  
A) Presente: irmã, após enterro, nega-se ficar com ele; passado (recente): (1) enterro/velório dos pais; (remoto): (2) na praia: irmã/cunhado, frescobol; cachorro baio mordendo gotas de mar jogadas pelas crianças; p. 7-8.
 B) Presente: sozinho à noite em casa, com frio; (3) passado: o sucesso de Laura na escola – o frio e o aborrecimento daquela ocasião; p.10-11;
C) Presente: indiferença e brusquidão de Laura, sem descer do carro, deixando-o na porta da casa; passado: sucesso escolar da irmã; (4) seu relacionamento conflituoso com o pai, p. 14.
D) Presente: deitado no sofá, ouvindo o “Bolero de Ravel”; noite em que Laura pernoita na casa; passado: (5) a proteção da mãe (e sua dependência dela), p. 75-58, 73; cap. 18.
E) Presente: Visita dos primos (do pai) aparecimento de Fabiana; na sala deitado no sofá; passado: (6) velório da menina parente, p. 50, 76.
F) Presente: na sala com a irmã assistindo à televisão; passado: (7) a relação dele com o Durval e a dos dois com o mendigo, p. 55, 56, 99.
* Cap. 21 congrega, praticamente, a todas estas cenas-obsessão recordadas por Adriano, p.121-123.
* Último cap. (29) é uma alegorização do completo processo de dissolução de tudo: do autoritarismo de Laura, da rudeza e hostilização do pai, da proteção da mãe: as nuvens negras, o sol calcinante, as crianças devoradas pelo cachorro: “Então sumimos numa noite imensa. Apenas a escuridão existe. Apenas a escuridão. Apenas.”
                                                  *   *
* Tema: realização/reconhecimento social como sucesso x negação convicta dos mesmos como forma de vida.
* Laura (pai) – Simboliza a primeira proposição:  aluna brilhante; advogada bem sucedida; decidida, determinada, impositora, racional.
-- episódios exemplificadores: o melhor aluno na escola, p.14, 29; a advogada atuante,  p. 35, 66.   
* Pai – é modelo de Laura, a qual é sua projeção;
      opositor, hostil a Adriano – p. (14, 21, 62) 43-44, 119, 134, 139.
·         Adriano – personaliza a segunda proposição.
-- Avesso e desacreditado daquele estado social estabelecido e padronizado como a forma de vida social ideal, p. 70, (95), cap. 18.
-- Nega-se a ser (mais) um adepto e seguidor daquilo.
-- (Não confronta) Anula-se, isolando-se no anonimato da família, protegido pela mãe e hostilizado pelo pai e a irmã.
-- Essa situação se desmorona e o desestabiliza com a morte acidental dos pais.
-- Tais atitudes e procedimentos de Adriano surpreendem, incomodam e indiciam, para uma explicação confortável aos contrariados, algum tipo de doença mental que o torna assim, p. 48, 144, 149, 150.
-- Por isso, sua vida monocórdica, fechada e introspectiva.
* Daí, duas prováveis relações com o Bolero de (e com) Ravel
1 -- As obsessivas e reiteradas recorrências às mesmas situações de acontecimentos passados intermitentemente pronunciadas pelo narrador-personagem.
-- Bolero:
      Repetidos cento e sessenta e nove vezes pela caixa, dois compassos em ostinato dão ao Bolero de Ravel o ritmo uniforme e invariável.
     Obra musical de um único movimento escrita para orquestra. Originalmente, composta para um Ballet.
      Composta entre Julho e Outubro de 1928 no Tempo di Bolero, moderato assai ("tempo de bolero, muito moderado"), o Bolero tem um ritmo invariável (escrito para = 72, ou seja, com a duração teórica de catorze minutos e dez segundos), e uma melodia uniforme e repetitiva. Deste modo, a única sensação de mudança é dada pelos efeitos de orquestração e dinâmica, com umcrescendo progressivo e uma curta modulação em mi maior próxima ao fim, mas retorna ao dó maior original faltando apenas oito compassos do final.
2  --  doença mental  de Ravel que o afetava em suas composições, notoriamente evidenciada no Bolero. (“Ensaio sobre a Experiência estética da Arte em Ravel: o Boléro”).

Um comentário:

  1. Obrigada, Luceni, pela partilha.

    wanilda Borghi

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