segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Teatro Musical e Ópera

*Professora de música e regente de coral, formada pelo Conservatório de Tatuí
Olá amigos, voltando ao tema: “Musicais” ou “Teatro Musical”, gostaria de fazer mais algumas observações e incluir em nossa conversa uma de minhas paixões: a Ópera. 

Existem semelhanças entre os dois estilos e também diferenças que caracterizam cada um dentro de sua nomenclatura artística.

Falamos na semana retrasada, de forma sucinta, sobre a origem e trajetória do Teatro Musical no Brasil. Sabemos que ele nasceu com o Teatro de Revista e pudemos conhecer um pouco de sua ascensão e decadência, sendo gradualmente substituído por produções de Musicais da Broadway e, também, musicais com temas propriamente brasileiros, com enredo escrito por brasileiros. 

Vamos analisar com um pouco mais de detalhes cada estilo e compará-los.

Qual a diferença?
 
O Teatro Musical é uma forma de teatro que combina música, canções, dança e diálogos falados. O Teatro Musical está delimitado, por um lado, pela sua correlação com a ópera e, por outro, o cabaré. Os três estilos musicais são diferentes, mas fundem-se muitas vezes e, para alguns, é difícil entender o conceito e suas especificações estruturais individualmente.  No mundo, ele tem sinônimos: Teatro de Revista (Brasil), Comédie Musicale (França). 

Nesse estilo é comum que os trabalhos de grande sucesso sejam adaptados para o cinema e, até, para a televisão. Pode acontecer o contrário também: um filme de muito sucesso ser produzido no formato de Musical: temos recentemente o Shrek que, inclusive nesse ano, estreia no Brasil, com produção brasileira. 

Diego Luri  – Shrek – ator de teatro e musicais, teve suas primeiras experiências como cantor num coro de igreja. Depois, ganhou os palcos e conquistou prêmios como o de Melhor Ator Coadjuvante no Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, com a montagem infantil de A Bela e a Fera.

Sara Sarres – Fiona – referência em teatro musical no país, protagonizou espetáculos como O Fantasma da Ópera, Les Misérables, Cats, West Side Story, O Mágico de Oz, e recentemente, A Família Addams.

Rodrigo Sant’Anna – burro – ator de teatro e tevê, atualmente está à frente dos quadros de maior sucesso do programa Zorra Total, da TV Globo, interpretando a transsexual Valéria e a pedinte Adelaide.

Marcel Octavio – Lord Farquaard – ator, cantor e músico. Entre seus principais trabalhos estão Sete – O Musical, Barbeiro de Ervilha, de Daniel Herz e Hair (como Woof), de Moeller e Botelho.

Vamos assistir um pedacinho via youtube, mas nada melhor do que assistir ao vivo, não é mesmo?

SHREK, O MUSICAL:


Podemos ressaltar, também, alguns programas de televisão que têm o formato de um musical em sua estrutura: Fama, Glee, Violetta etc. A semelhança é percebida quando, repentinamente, os personagens começam a cantar e dançar, como se estivessem em um teatro musical durante o episódio. 

Embora o Teatro Musical esteja espalhado pelo mundo todo, a origem de suas produções são da Broadway (New York), no West End (Londres) e na França. 

Um musical pode durar uns poucos minutos ou várias horas, mas os musicais mais populares duram cerca de duas horas e têm intervalos de quinze minutos entre os atos. 

Ele tem, mais ou menos, vinte canções de vários tamanhos, incluindo uma reprise e adaptação para coral, entre as cenas com diálogos. Porém, alguns musicais têm canções entrelaçadas e não têm diálogos falados. Essa é uma das diferenças entre Musical e Ópera, mas não é a única. 

Outra diferença entre Ópera e Musical é a língua. Enquanto a ópera costuma ser apresentada em sua língua original, o musical pode ser traduzido para a língua nativa do país onde está sendo apresentado.

Numa Ópera, o elenco se divide entre cantores, atores e bailarinos. Já no Musical, cada artista deve executar as três funções. Num Musical, os cantores principais também dançam. Na Ópera, isso nunca acontece. 

Quando um momento é permeado de grande emoção dramática, sua cena acontece numa canção. A canção é adaptada ao personagem e ao enredo. O espetáculo, geralmente, se abre com uma canção e ela dá o nome ao Musical; dessa forma, são introduzidos os personagens principais à cena e apresenta o enfoque da peça. 

Muitos musicais, como Os Miseráveis, são cantados ao longo do espetáculo e são, no mundo erudito, muitas vezes, chamados de “óperas populares” ou "operas rock" para manter a proximidade com uma ópera clássica.

Um detalhe importante a ressaltar com relação aos diálogos e canções dos musicais e das óperas é que, nas óperas, os diálogos são chamados de “recitativos” (música que é entoada por forma a assemelhar-se a discurso). Eles antecedem a “ária”, que é a canção, como também aparecem no meio das músicas. 

Aqui, um exemplo de um recitativo. É uma ária cantada em louvor a uma árvore. Enquanto a solista está sentada à frente da árvore, acontece o recitativo. Temos, então, um interlúdio e, ao levantar-se, ela inicia a ária: “Largo”, da ópera Serse de Haendel:


Existem, no entanto, exceções a esta regra. Carmen (Bizet) e A Flauta Mágica (Mozart) são ambas providas de diálogo falado. O nome alemão para óperas, com diálogo falado é “singspiel” (pronunciado ZING-chpil). Quase todas as produções operísticas em alemão do período pré-Wagner são singspiel. 
Assista os exemplos que citei acima do “singspiel” 

Trecho da opera “Carmen” de Bizet (lingua: francês):


Ópera “A flauta Mágica” de Mozart (língua: alemão) – no tempo 0:24’ acontece o “singspiel”: 


Sabemos que a Ópera surgiu na Itália, por isso grande parte delas são apresentadas em latim ou italiano. Suas origens remontam às tragédias gregas e os cantos carnavalescos italianos do séc. XIV. A Ópera espalhou-se pela Europa, passando a ser apreciada, principalmente, pela burguesia e aristocracia. Talvez seja por esse dado que muitos acham que assistira a uma Ópera é algo inacessível.  

No Brasil, a Ópera também tem sua história e nomes importantes. Vamos conhecer um pouco de sua história e origem no Brasil.

A Ópera era uma forma de lazer no século XIX, tocada muito nos “Saraus”, que é um evento cultural ou musical realizado, geralmente, em casa particular, onde as pessoas se encontram para se expressarem ou se manifestarem artisticamente. 

A primeira Ópera composta e estreada em solo brasileiro foi “I due Gemelli”, de José Maurício Nunes Garcia; infelizmente seu texto foi perdido. Portanto, podemos considerar como primeira ópera genuinamente brasileira, e com texto em português, a Ópera “A Noite de São João”, de Elias Álvares Lobo.

Carlos Gomes foi o compositor brasileiro de Óperas mais famoso. Há crítica severa em relação à sua obra operística, pois boa parte delas tem texto em italiano e foi estreada em solo italiano, embora a temática delas ser brasileira., como as Óperas “Il Guarany” e “Lo Schiavo”. 

Vamos ver um trecho de Il Guarany, apresentada no Teatro da Paz, em Belém no ano de 2007:


Outros compositores de Ópera brasileiros também foram notáveis. Temos Heitor Villa-Lobos, autor de “Izaht” e “Aglaia”; Mozart Camargo Guarnieri, que fez “Um homem só”. 

A Ópera brasileira continua sendo composta. Em 1983, Elomar Figueira Mello compôs “Auto da Catingueira” e, em 1992, compôs “Árias Sertânicas”. 

Não posso me esquecer de apresentar a vocês a Ópera bilíngue “Tamanduá”, de João MacDowell, compositor brasiliense, Ópera que tem obtido grande sucesso em encenações em Nova Iork e New Jersey.

Nessa Ópera, o compositor conta a história de uma jornalista norte-americana que, em uma jornada no Brasil, se envolve em um triângulo amoroso. A obra tem enredo recheado de religiosidade, como o candomblé e a pajelança. A música mistura elementos contemporâneos e ritmos brasileiros. Vamos assistir um trecho dessa obra de João MacDowell. “Tell me”:


Bem, espero que tenham gostado da nossa conversa de hoje. Forte abraço e até a próxima semana. 

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